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Notícias

Desobediência pode custar caro

Por Roberta Soares

São Paulo (SP), 14/09/2010 - Algumas cidades e Estados brasileiros poderão pagar um preço alto por ignorar a lei das cadeirinhas, que entrou em vigor no dia 1º de setembro em todo o País por determinação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Semana passada, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) afirmou que poderá acionar o Ministério Público se denúncias de desobediência à nova legislação chegarem ao órgão. A provocação começou com alguns gestores municipais e estaduais do trânsito que resolveram adiar, por conta própria, o início da fiscalização nas ruas para o dia 1º de outubro, indo de encontro à determinação do Contran.

clique para ampliar Quem não fiscalizar as cadeirinhas pode responder judicialmente
Foto: Priscila Buhr/JC

Entre os ‘ousados’, acreditem, está a cidade de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, e o Estado do Rio de Janeiro. Os argumentos dos gestores para o adiamento da fiscalização é que está faltando equipamento no mercado e, por isso, a população não pode ser penalizada. Há, também, os que alegam que não houve campanhas educativas que orientassem os motoristas, o que é verdade. A Resolução 277 foi baixada pelo Contran em 2008, com prazo para entrar em vigor dois anos depois, mas nenhum tipo de divulgação foi realizada pelo governo federal. Inoperância, aliás, comum quando o foco são as campanhas educativas de trânsito. Mesmo assim, a lei das cadeirinhas deveria ter entrado em vigor no dia 9 de junho, mas foi adiada por três meses exatamente para permitir que as pessoas comprassem os equipamentos e o comércio se abastecesse para atendê-las. Quem não se programou, não o fez porque não quis. E como o brasileiro é conhecido por deixar tudo para a última hora, se o Contran resolvesse adiar a aplicação da lei por mais um ano ainda teríamos pais pegos de surpresa.

É pouco provável que o Denatran tome atitudes severas como ameaça, ainda mais quando o argumento dos gestores do trânsito têm fundamento. Mas é fato que a lei das cadeirinhas tinha que entrar em vigor há muito tempo. Elas podem custar caro, ocupar muito espaço no carro e até serem incômodas em alguns momentos, mas salvam a vida das crianças no caso de acidentes. E é isso o que importa. É inadmissível que ainda vejamos pessoas transportando os filhos pequenos soltos no banco de trás, às vezes até sentados entre os bancos dianteiros, ou no colo de um adulto. Portanto, adiar a fiscalização é perda de tempo, até porque sabemos que o brasileiro só assimila e cumpre a lei quando o desrespeito pesa no bolso.

Quem não se programou, não o fez porque não quis. O brasileiro é conhecido por deixar tudo para a última hora

TRÂNSITO ESTÁ MATANDO MAIS DO QUE HOMICÍDIOS, DIZ IBGE

Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada no início do mês revela que os acidentes de trânsito mataram mais do que os homicídios em oito Estados brasileiros. São eles: Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Roraima, Tocantins, Piauí e Mato Grosso. Os dados são referentes a 2007, o que pode significar que o número é muito maior, já que a frota veicular do País aumentou de lá para cá, assim como os acidentes. O caso que mais chama a atenção é o de Santa Catarina. O Estado possui o menor índice de mortalidade por homicídio do Brasil (10,4), mas é o segundo com a maior taxa de mortalidade por acidente de trânsito, com 32,7 por 100 mil habitantes. O único Estado com taxa superior é Roraima, com 33,7. O IBGE abrange mortes em acidentes de transportes terrestres, aquáticos e aéreos, independentemente se ocorridos em via pública ou não. Quando as regiões são comparadas, o Sul é o único no qual o número de mortes por acidente de trânsito supera o de homicídios: 26,2 e 21,4, respectivamente.

VELOCIDADE MÁXIMA DE 60 KM/H PARA AS MOTOS
O Projeto de Lei de número 7608/10, do deputado José Chaves (PTB-PE), está em análise na Câmara Federal e determina o uso obrigatório em motocicletas, motonetas e ciclomotores de um dispositivo para limitar a velocidade em no máximo 60 km/h. A intenção é tentar diminuir os casos de acidentes e, consequentemente, as mortes e mutilações, dando mais importância às vidas dos motociclistas do que à agilidade dos deslocamentos. Números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que 7 de cada 100 acidentes com automóveis têm vítimas, e no caso das motocicletas essa proporção é de 71 para 100. Além disso, de acordo com o IPEA, os acidentes envolvendo motocicletas custam ao Brasil cerca de R$ 685 milhões por ano. “Esses números revelam a gravidade do problema, gerado, em grande parte, pela velocidade desenvolvida por esses veículos, que colocam os seus condutores em situação de risco permanente”, afirma o deputado José Chaves. Seria bom que o projeto de lei fosse aprovado, sem dúvida. Depois, alguém poderia pensar em limitações de velocidade também para os carros.

VEJA QUE IDEIA BOA
Imagine ter uma bicicleta dobrável e portátil, que você pode usar depois de estacionar o carro em algum lugar? Seria legal? Pois a Volkswagen criou a VW e-bike, que não tem pedais, é dobrável, tem travão de disco nas duas rodas e funciona à bateria que pode ser recarregada no próprio carro. A bicicleta foi concebida para ser dobrada e acondicionada na bagageira ou no compartimento do pneu suplente do automóvel sem comprometer a capacidade de espaço disponível. A Volkswagen começa agora a testar a viabilidade econômica do projeto. Veja o vídeo de apresentação da e-bike na Auto China 2010, feira realizada em Pequim:

Fonte: http://jc.uol.com.br/coluna/de-olho-no-transito/noticia/2010/09/12/desobediencia-pode-custar-caro-236065.php

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