Rodrigo Ventura, escritor, aventureiro e filiado da ABRAM, esta percorrendo os 13 países da América do Sul no prazo de 12 meses acompanhado apenas da motocicleta em mais uma Expedição Solitária.
"Você está convidado a embarcar comigo nessa aventura através do nosso BLOG.
Aqui no BLOG você encontrará relatos, fotos da expedição e poderá viver cada momento dessa aventura sem sair de casa. Boa viagem... "
Mudando de Hemisfério!!!
Por Expedições Solitárias no dia 11/03/2008 às 22h54
Dia de comemorar: Em 11 de março de 2007 deixava o Rio de Janeiro para iniciar a Expedição Solitária "Pelas Curvas da América". Aprendi muito ao longo desse um ano, não só sobre nosso continente, sobre nossa cultura, mas também sobre meus limites e a capacidade que o ser humano tem de vencer desafios. Obrigado pela sua companhia!!!
Banõs é completamente diferente de qualquer cidade equatoriana. É definitivamente uma cidade turística e a oferta de hotéis, restaurantes e agências de turismo chega a assustar. A cidade oferece tantos atrativos que qualquer um fica perdido. Escalada nos vulcões, expedições na selva equatoriana, fazer pêndulo numa ponte, passar uma tarde relaxante em uma piscina de água termal, são só algumas das opções que o turista tem na cidade. Eu tirei um dia para alugar um quadriciclo e sair para conhecer La Ruta de Las Cascadas. Um passeio interessante é atravessar o cânion em uma plataforma suspensa por cabos de aço. A vista é fascinante e do outro lado a mata é praticamente virgem.
Um lindo e emocionante passeio
O ponto alto da estrada definitivamente é o Pailon Del Diablo. Uma cachoeira impressionantemente bonita escondida no meio da selva. Para chegar, nada mais do que 15 minutos de uma linda trilha.
El Pailon Del Diablo
A cidade de Baños em si também é muito agradável e caminhar pelas suas ruas a noite é um relaxante passeio.
Catedral de Baños a Noite
Saindo da serra desci em direção a Amazônia equatoriana. Passando por Puyo cheguei a Tena de onde fui conhecer a pequena Puerto Misagualli. A cidade tem uma pequena estrutura hoteleira, mas suficiente para quem quer explorar um pouco da selva. Fiz um passeio de barco pelo Rio Napo, um dos afluentes do Rio Amazonas. Nada como navegar no meio da selva primária.
Passeio pelo Rio Napo
No meu passeio fui conhecer um zoológico a céu aberto de uma comunidade indígena. Os animais ficam soltos e me diverti com as peripécias dos macacos que não paravam quietos.
Um macaco nada folgado
De volta a civilização subi a serra e cheguei a Quito, a surpreendente capital do Equador. Quito é uma cidade organizada e muito agradável, sem falar no povo equatoriano que é um dos mais amáveis que conheci em toda expedição. O centro histórico da cidade foi um dos primeiros a ser considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco e caminhar pelas suas ruas é uma verdadeira viagem ao passado.
Palácio presidencial de Quito visto por outro ângulo
De Quito, antes de seguir para Otavalo, minha última parada em solo equatoriano, passei no principal ponto geográfico do nosso continente, a Metade do Mundo. O lugar por onde passa a Linha do Equador e divide o planeta em dois hemisférios.
Foto clássica: Um pé em cada hemisfério
Ao lado do monumento encontrei um museu particular onde os guias realizam várias experiências interessantes. Uma delas demonstra como é fácil colocar um ovo cru em pé sobre um prego, desde, é claro, que você esteja exatamente sobra a Linha do Equador.
Só na Linha do Equador fazer isso é tão simples
A entrada de Otavalo é mais bonita do que a cidade em si, reconhecida mundialmente pela qualidade e pelo tamanho do seu mercado indígena.
Magnífica chegada em Otavalo
Cruzei a fronteira e agora estou em Medellín, Colômbia, mas isso eu conto no próximo post.
Um grande abraço e boas estradas.
Rodrigo Ventura
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Do deserto peruano ao inverno equatoriano em poucos dias!!!
Por Expedições Solitárias no dia 21/02/2008 às 17h22
Com a proximidade do carnaval e uma bela promoção no preço das passagens aéreas, não resisti e tomei uma decisão inusitada: passar 20 dias na Cidade Maravilhosa. Fiz uma surpresa para todos e foram 20 agradáveis dias. Estava precisando!!! Apesar da chuva o carnaval carioca, como sempre, foi maravilhoso e me diverti muito. No último dia 09 voltei para Lima e segui com a expedição. Minha primeira parada foi na pequena Huanchaco, cidade praiana que fica ao lado de Trujillo, a maior cidade do norte peruano. Huanchaco é procurada por turistas de todo o mundo que chegam em busca das ondas perfeitas da costa peruana. A cidade também é marcada pelos seus pescadores que ainda utilizam os centenários “cavalos” de totora para pescar.
Pier de Huanchaco com um "cavalo" de totora na praia
Uma bela pedida na cidade é comer um bom cebiche (peixe cru marinado ao limão e pimenta) e apreciar o pôr do sol a beira do Pacífico.
Por do sol em Huanchaco
Entre Huanchaco e Trujillo estão localizadas as ruínas de Chan Chan que representam o maior conjunto de ruínas feitas de barro de todo o mundo. O complexo de Chan Chan, formado por 15 cidadelas independentes, foi construído pela cultura Chimu por volta do século 13d.c. mas, infelizmente, grande parte foi destruído principalmente pelos plantadores de cana da região que desconheciam seu valor histórico. Foi encantador caminhar pelas ruínas e analisar cada detalhe. Salas de cerimônia, grandes praças, sala funerária e até um lago fazem parte do espaço aberto à visitação.
Ruínas de Chan Chan e o belo trabalho decorativo
O interessante é que os Chimus, por trabalharem bem com o barro, faziam questão de dar formas que representavam principalmente a pesca, maior fonte de subsídio da comunidade. Além do barro, também trabalhavam muito bem com madeira e assim construíam sentinelas que ficavam espalhadas pela fortaleza.
Sentinela esculpido em madeira
Das ruínas segui para o museu onde está exposta uma parede decorada a moda Chimu.
Parede Chimu, desenhos no barro
Aproveitando que estava próximo a Trujillo, aproveitei para conhecer a cidade. As ruas são apertadas e o trafego é confuso. Parei na praça principal no centro histórico e fiquei apreciando a arquitetura antiga, único atrativo da cidade.
Minha princesa na praça de Trujillo
De Huanchaco segui para Mâncora, minha penúltima parada em solo peruano. Os peruanos fazem tanta propaganda do balneário que achei que fosse encontrar um paraíso, mas me decepcionei. Uma cidade com pouca estrutura e às beiras da rodovia Panamericana, que, pelo menos para mim, tem como único atrativo as águas quentes do mar, já que não sofre influência da gélida corrente de Humboldt. Por lá conheci dois colombianos que estavam viajando para o sul em suas BMW’s. Estavam completamente sem roteiro e aproveitamos para fazer um pequeno planejamento para eles.
Alejandro, Juan Pablo e eu em Mâncora
De Mâncora segui para Zorritos, uma praia bem mais bonita e localizada a apenas 80Km ao norte. Passei uma noite por lá e finalmente entrei em território equatoriano. Da fronteira segui direto para a bela Cuenca na região serrana, uma das cidades mais bonitas do Equador. O problema é que esse ano o tal do inverno equatoriano que normalmente começa em março resolveu começar mais cedo e com chuvas muito mais fortes do que o previsto. Caminhei pela cidade, mas devido a chuva constante foi impossível fotografá-la. Na última terça, depois que a estrada foi reaberta, deixei Cuenca e cheguei a Riobamba onde pretendia fazer o famoso passeio de trem por “La Nariz Del Diablo”. Pretendia porque devido aos desabamentos na linha do trem os passeios foram temporariamente suspensos. Hoje pela manhã segui Baños outra charmosa cidade equatoriana famosa por seus banhos termais e pelo fácil acesso a esportes de aventura. A cidade é realmente linda e mal vejo a hora de começar a explorá-la.
Um grande abraço e boas estradas.
Rodrigo Ventura.
As maravilhas peruanas ajudam na comemoração dos 10 meses de expedição
Por Expedições Solitárias no dia 17/01/2008 às 20h40
A primeira parada em solo peruano foi na cidade de Puno, também a beira do Titicaca, mas nem de longe charmosa como Copacabana. Puno é a base ideal para conhecer o lado peruano do lago. A primeira parada da excursão que fiz foi nas ilhas flutuantes de Uros. As ilhas são feitas de uma planta chamada totora, também utilizada na construção das casas, barcos e brinquedos, além do artesanato, é claro.
Ilhas de Uros
As ilhas são habitadas por índios que ainda praticam a antiga técnica do escambo para sobreviver, trocando peixes por demais coisas que necessitam na cidade. Fora isso também pedem contribuições aos turistas que visitam o lugar e vendem artesanato.
Velha india moradora de uma das ilhas de Uros
Quem quiser pode pagar 5 soles, menos de 2 dólares, para dar uma volta em um barco feito de totora.
Barco feito de totora, navegando pelo Titicaca
A maioria das ilhas é bem pobre e a única que tem alguma estrutura é a que é considerada capital das ilhas flutuantes. Por lá você consegue encontrar restaurante, hotel e até um telefone publico flutuante.
Cabine telefônica na capital das ilhas de Uros
De lá o barco seguiu para Amantani onde fiquei hospedado na casa de uma família de moradores. Uma rica experiência, ainda mais levando-se em conta a amabilidade das pessoas que vivem por lá.
No dia seguinte fomos a ilha de Tequile. Uma ilha muito diferente da anterior, não só nos costumes como também na estrutura. Hotéis, restaurantes, mercado de artesanato e até um pequeno centro de exposição fotográfica.
O Titicaca com a cordilheira ao fundo, visto de Tequile
A ilha é dividida em várias comunidades e o espaço de cada uma delas é demarcado por um portal como esse que fotografei abaixo.
Um dos muitos portais da ilha de Tequile
A cor da água do Titicaca perto da ilha de Tequile também me chamou muita atenção. Se não fosse pela temperatura gelada seria difícil resistir a vontade de mergulhar no lago.
A tranparente água do Titicaca na ilha de Tequile
Depois de Puno fui para a simpática Arequipa. Uma cidade rica na arquitetura colonial onde passei meu Natal antes de seguir para Chivay. Chivay é uma cidade bem pequena, mas recebe milhares de turistas todos os anos, interessados em conhecer o Cânion Del Colca, um dos maiores do mundo. Andei de moto pela borda do cânion e pude apreciar, com toda liberdade, mais essa maravilha natural do nosso continente.
As profundezas do Cânion Del Colca, um dos maiores do mundo
Em Chivay, caso tenha tempo, também vale conhecer as piscinas de águas termais que ficam bem pertinho da cidade. Um ótimo lugar para relaxar!!!
Peguei uma estrada secundaria para Cusco, pois, caso contrário teria que dar uma volta imensa. A estrada era terrível. Precipícios, pedras soltas, muitos buracos, um sobe e desce a toda hora e ainda cruzava alguns rios de água gelada. Ponte é algo que ainda não existe na região e terminei a viagem bastante molhado. Mas valeu pelas belezas da estrada.
Em Cusco aproveitei tudo que podia na cidade. Museus, passeios e, é claro, a sonhada visita a Machu Picchu.
A famosa pedra dos 12 ângulos em Cusco. Um trabalho feito pelos Incas.
A pequena cidade de Ollantaytambo vista da conservada fortaleza Inca
Foto clássica de Machu Picchu com a montanha Wayna Picchu ao fundo
As ruínas da cidade sagrada de Machu Picchu
Depois de passar o ano novo na cidade, retomei a viagem e mais uma vez atravessei a cordilheira para poder chegar em Nazca. Por lá fui conhecer as famosas linhas feitas pelos antigos moradores da região. O passeio de avião é muito interessante, mas exige que o turista tenha um estômago de ferro para agüentar as manobras feitas pelo piloto para que todos possam observar as linhas.
Agora estava de volta ao nível do mar, de volta ao calor e de volta ao deserto. Para me refrescar um pouco fui conhecer Paracas e sua reserva natural marinha. Paracas fica no caminho de Lima e é uma cidade muito agradável. Infelizmente boa parte da cidade foi destruída com o terremoto de 7,9 graus de Pisco, cidade vizinha, em 15 de agosto de 2007, mas mesmo assim vale conhecer.
O trapézio, uma das figuras das intrigantes linhas de Nazca
Por lá fiz um passeio de barco para conhecer a reserva e pude ver uma infinidade de pássaros, lobos marinhos e os simpáticos pingüins de Humboldt.
Reserva Natural Marinha de Paracas
De Paracas segui para Lima, a capital peruana. Chegar na cidade foi um sacrifício, pois a moto estava com problemas e além de apagar o motor toda hora tinha que me sacrificar para fazê-la pegar outra vez. Em Lima deixei a moto numa oficina de confiança e aproveitei para esticar as pernas e conhecer a cidade. Fiquei hospedado no gostoso distrito de Miraflores, um lugar seguro, bonito e com um bom movimento noturno. Tirei um dos dias para ir ao centro de Lima e conhecer um pouco da arquitetura da cidade. Aproveitei para visitar o curioso museu da inquisição, um passeio que vale ser feito.
Obrigado pela sua companhia ao longo desses 10 meses da Expedição Solitária Pelas Curvas da América.
Um grande abraço e boas estradas.
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Do Chile ao Peru, passando pela Bolívia - Muita emoção e adrenalina!!!
Por Expedições Solitárias no dia 24/12/2007 às 14h38
Desculpe pelo tempo de espera entre a última postagem e essa, mas como você poderá ver, os últimos tempos foram bem corridos...
A ilha de Chiloé é mesmo encantadora, não é a toa que no verão fica lotada de turistas, principalmente chilenos vindos da capital Santiago. Um lugar tranqüilo e de cores intensas.
Uma estrada na Ilha de Chiloé
O melhor lugar para ficar na ilha é Castro, sua capital. Localizada bem no centro do enorme pedaço de terra, a cidade, bem estruturada para o turismo, serve de base para visitar as pequenas cidades ao redor, as dezenas de Igrejas consideradas Patrimônio da Humanidade e o belo Parque Nacional de Chiloé à beira do Pacífico.
Uma das muitas Igrejas consideradas Patrimônio da Humanidade
Depois de Chiloé peguei um verdadeiro temporal na estrada e durante as duas noites que fiquei em Pucón não parou de chover. A cidade é linda e já tinha ido em uma viagem em 2005. Estava louco para rever o Villarica, o primeiro vulcão em que “logrei la cumbre”, mas as nuvens não permitiram. Para me livrar do mau tempo tomei uma decisão radical. Como já conhecia essa região decidi subir direto de Pucón a Mendoza, na Argentina, em um dia. Uma arriscada viagem de mais de 1.200Km onde teria que atravessar os Andes a noite pelo perigoso “Paso Del Cristo Redentor” na altura de Santiago. A viagem foi cansativa, porém, ao descer os Andes, ganhei uma bela lua cheia de presente ao meu lado direito. Do meu lado esquerdo o “Sentinela de Pedra”, o Aconcágua, refletia no seu pico nevado a luz da lua. Parei a moto várias vezes no acostamento para apreciar aquela maravilha. Simplesmente fantástico!!!
Passei apenas duas noites em Mendoza para me despedir do meu amigo Dario e pegar minhas coisas que estavam em sua casa. Num domingo atravessei novamente a fronteira para o Chile e fui para La Serena. A cidade é bem agradável, mas a melhor maravilha da região fica por conta do Valle Del Elqui, 70Km a leste.
A bela paisagem do Valle Del Elqui
A região é a maior produtora de pisco do Chile e os pequenos povoados são ótimos lugares para descansar no meio da cordilheira.
A frente da Igreja da pequena Elqui
Seguindo para o norte minha próxima parada foi na pequena Caldera, ponto estratégico para visitar Bahia Inglesa, a praia mais fotografada de todo o Chile. A água transparente do Pacífico em contraste com a branca areia da praia, forma uma paisagem paradisíaca. O lugar também é bem tranqüilo e oferece opções de hospedagens, porém mais caras do que em Caldera.
Bahia Inglesa, o paraíso em forma de praia
Para o norte, já na região do imenso Desero de Atacama, o deserto mais seco e mais alto do mundo, saí da boa Ruta Panamericana para me aventurar pelas estradas de terra do Parque Nacional Pão de Açúcar, beirando o Pacífico. A paisagem é deslumbrante e faz com que o lugar realmente mereça ser considerado uma Reserva Natural do Chile.
Parque Nacional Pão de Açucar - Deserto de Atacama
Mais ao norte, antes de entrar para leste e ir para San Pedro de Atacama, uma parada em Antofagasta, a maior cidade do norte chileno. O maior, ou melhor, o único atrativo da cidade fica a 18Km para o norte e é conhecido como “La Portada”. Um impressionante portal de pedra no meio do mar. Mal podia imaginar que 10 dias depois de minha passagem pela cidade, Antofagasta seria sacudida por um grande terremoto. Foi por pouco!!!
La Portada - Viva a "naturaleza"!!!
No caminho para San Pedro de Atacama minha companheira de viagem começou a sentir os efeitos da altitude, mas conseguimos chegar bem. Acho que posso considerar San Pedro como a cidade mais turística de todo o Chile. Pelas pequenas ruas de terra pode-se ouvir praticamente todos os idiomas e, as vezes, com sorte, até mesmo um pouco de espanhol. São turistas vindos de toda parte do mundo buscando se aventurar pelas maravilhas do deserto. Um belo passeio é o tour para conhecer os Gêiseres Del Tatio, apesar da necessidade de acordar as 03:30 da manhã. O caminho até lá é complicado e demora um pouco, por isso a necessidade de sair cedo, já que o espetáculo natural fica mais bonito com os primeiros raios de sol, por volta das 06 da manhã.
Geiseres Del Tatio ao amanhecer
Visitar as pequenas cidades próximas também pode ser um agradável passeio, principalmente se uma dessas cidades for a simpática Tocanao.
Tocanao fica ao lado de um dos mais belos oásis do Deserto de Atacama, a Quebrada do Jerê. Para conhecer o vale, nada melhor do que caminhar por dentro do rio e explorar a bela e fértil vegetação, coisa bastante rara no deserto.
Quebrada do Jerê - Um belo oásis!!!
O Salar do Atacama também é um belo lugar para ser visitado. Nem tanto pelo salar, pois confesso que achei Salina Grande na Argentina muito mais interessante, isso sem falar no Salar de Uyuni que ainda estava por vir, mas vale para apreciar os interessantes flamingos que desfilam de um lado para o outro.
Flamingos no Salar do Atacama
Outro programa que vale é ir ver o pôr do sol no Vale de La Luna chileno. O vale fica bem próximo da cidade e a tarde enche de turistas que querem apreciar o espetáculo. Para chegar no melhor lugar tive que caminhar pela crista de uma enorme duna e a sensação foi muito interessante, algo parecido com caminhar pela crista de uma onda, se fosse possível, é claro!!!
Vale de La Luna chileno
San Pedro também oferece uma grande variedade de restaurantes e alojamentos para todos os gostos e bolsos. Eu, para economizar, fiquei em um camping e senti na pele a amplitude térmica do deserto, com forte calor ao longo do dia e bastante frio a noite. O que também não falta são agências de turismos oferecendo passeios e pacotes aos turistas. Fechei com uma das agências que faz a travessia San Pedro de Atacama (Chile) – Uyuni (Bolívia) para levar minhas mochilas e minha gasolina extra ao longo dos 3 dias de aventura. Dentro do preço estava incluído também duas noites em alojamento, as refeições e dois carros de apoio durante todo o tempo. Quase tudo funcionou, menos os dois carros de apoio que me deixaram para traz e praticamente fiz a travessia sozinho. Para me guiar contei com a ajuda do sol, já que, na maior parte do tempo, estrada, placas, ou gente, são coisas que não existem por lá. Foram dias difíceis e de muito risco, onde o que me ajudava a relaxar era a linda paisagem ao meu redor. Ah, e ao longo da travessia cheguei a 4.930m do nível do mar, um recorde para mim e para a minha companheira de viagem. Separei algumas fotos para você desses três emocionantes dias:
Entrando na Bolívia com a Laguna Verde ao fundo
Piscina de água termal no meio do deserto
Minha moto e os carros que "deveriam" me acompanhar
Uma das muitas lagoas que aparecem ao longo da travessia
Vulcão Ollague em atividade
Sentado no imenso Salar de Uyuni
Chegando na pequena Uyuni, depois de descobrir as maravilhas do seu gigantesco salar, a briga foi para conseguir gasolina, artigo em falta na cidade. Passei um dia correndo de um lado para o outro até conseguir encher o tanque e seguir para Potosí. A estrada para Potosí não é asfaltada e tem grandes subidas e descidas a beira de enormes penhascos. A paisagem é fascinante e muitas vezes parei a moto para poder curtir um pouco o visual.
Em Potosí, além de andar pelas ruas e apreciar a arquitetura de uma cidade que já foi a mais rica da Bolívia graças as minas de prata, um passeio interessante é justamente passar um dia dentro das minas acompanhando o trabalho dos mineiros. Várias agências na cidade organizam o tour e caso você tenha interesse eu indico a Greengo’s. Lá, peça para ir com um guia conhecido como Chasqui, pois ele já trabalhou nas minas durante três anos e além disso é um cara bastante culto.
O duro trabalho nas minas de Potosí
A próxima parada era a explosiva Sucre. A arquitetura da cidade também chama atenção e aos domingos vale esticar 60Km até Tarabuco, onde se realiza uma grande feira de produtos locais. A feira fica lotada de turistas que aproveitam o câmbio boliviano para encher as sacolas gastando muito pouco.
A bela arquitetura de Sucre
Artigos da feira de Tarabuco
Deixei a moto em Sucre e fui de ônibus para Santa Cruz de La Sierra onde peguei um avião para São Paulo em meados de novembro. Fui competir no 5º Campeonato Brasileiro de Trekking e aproveitei para passar 10 dias no Rio matando as saudades. Enquanto estava no Brasil, Sucre quase entrou em guerra civil e, em uma manifestação na praça ao lado do meu hotel, 3 pessoas morreram e 300 ficaram feridas. Quando voltei tudo já estava mais calmo, mas a tensão era grande já que a província onde fica Sucre em conjunto com a província de Santa Cruz estava preparando tudo para decretar autonomia em relação a La Paz. Tive a oportunidade de acompanhar uma manifestação de perto. Por sorte foi bem tranqüila.
Manifestação pela autonomia em Sucre
Com o conturbado momento político no país resolvi apressar as coisas e segui para Cochabamba. A cidade não oferece muitas opções turísticas e é muito fácil encontrar com brasileiros que foram estudar na Bolívia. De Cocha, como é conhecida, fui para La Paz e confesso que fiquei chocado com o conturbado trânsito quando entrei. La Paz é uma cidade interessante, mas que de paz não tem nada, afinal é uma cidade grande. Por lá fui conhecer a famosa “Estrada da Morte”. Desci de bicicleta em um alucinante "Down Hill" que vale muito ser feito. Mas segue a dica: pague um pouco mais caro, mas escolha uma agência que tenha uma boa bicicleta e equipamentos de proteção. Freio a disco nas duas rodas, suspensão dianteira e traseira, são itens indispensáveis para segurança e conforto respectivamente.
Estrada da Morte na Bólívia
Antes de seguir para o Peru, minha última parada na Bolívia, Copacabana, a pequena cidade na margem do grandioso Titicaca. Uma cidade pequena, uma cidade hippie, onde a tranqüilidade emana por todos os lados. Caminhar na beira do lago depois de se deliciar com uma bela e fresca truta em uma das barracas da costa é ótimo.
Copacabana, às margens do Titicaca
Um belo pôr do sol às margens do Titicaca
Não resisti em ir conhecer a Ilha do Sol, a famosa ilha sagrada dos Incas. Caminhei do sul até o norte da ilha, onde pude apreciar a secular mesa de sacrifícios e as ruínas de seus templos. Os filhos do sol, como se autodenominavam, ofereciam os corações das suas mais belas virgens ao deus Sol. Uma viagem ao passado ainda presente.
Mesa de sacrifício utilizada pelos Incas na Ilha do Sol
Na última semana deixei a Bolívia e entrei em território peruano. Muitas descobertas pela frente em mais um país a ser atravessado pela Expedição Solitária "Pelas Curvas da América". Aproveito para desejar um Feliz Natal para você, sonhando que o espírito de amor natalino esteja presente ao longo não só de 2008, mas de todos os anos de sua vida.
Nas ruínas dos Incas na Ilha do Sol
Um grande abraço e boas estradas!!!
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Ruta 40 x Carretera Austral - Uma batalha de quilômetros!!!
Por Expedições Solitárias no dia 23/10/2007 às 19h58
Demorei um pouco a postar, pois tive uns contratempos nos últimos dias. A Patagônia não é fácil e reserva surpresas. Mas agora já está tudo bem e estou na ilha de Chiloé, no sul do Chile. Chega de enrolação e vamos ao relato...
Ushuaia!!! Como sonhei em chegar nessa pequena cidade de moto. Cheguei com muito frio e debaixo de chuva, mas como valeu. A cidade tem uma boa estrutura turística com restaurantes, hotéis, pousadas e albergues. Fora isso, o turista também encontra uma grande diversidade de passeios. A caminhada pelo Glaciar Martial é um dos pontos imperdíveis. Do alto da montanha você pode ter uma vista sensacional do Canal de Beagle e da própria cidade.
Apreciando o Canal de Beagle do alto do Glaciar Martial
Outro passeio muito procurado pelos turistas mas que, a meu ver, não vale o alto valor pago, é o passeio de barco pelo Canal de Beagle. O passeio dura em torno de três horas e a paisagem não muda, podendo, inclusive, ser vista da própria cidade. O ponto alto, se é que se pode chamar assim, é a aproximação do farol da baía. Muitos turistas pensam que é o farol do fim do mundo, mas nem isso é.
Farol do Canal de Beagle
Outro passeio que não pode deixar de ser feito é a ida até o Parque Nacional Terra do Fogo. O parque é imenso e muito bem conservado oferecendo várias opções de trilhas aos mais dispostos. Para quem não é de caminhar, o circuito de carro já vale a visita.
Parque Nacional Terra do Fogo
Dentro do parque fica também o final da “Ruta 3”, estrada que começa em Buenos Aires e que chega ao ponto mais austral do planeta, estando a mais de 17.000Km do Alaska.
E agora??? Acabou a estrada... Fim da "Ruta 3"
Quando estava saindo de Ushuaia aproveitei o dia de sol para fazer a famosa foto de chegada na cidade. Tudo bem que estava saindo, mas o que vale é a intenção.
Foto padrão: "Chegada a Ushuaia". Feita na saída, mas ninguém precisa saber!!!
Do fim do mundo, comecei a subir e depois de boas horas de estrada cheguei a Puerto Varas no Chile. A cidade não é nada turística, a não ser pelos belos preços da Zona Franca. Subindo, passei na pequena Puerto Natales e fui para o Parque Nacional Torres Del Paine. O parque é absurdamente bonito, com lagos de todas as cores e belas montanhas, além do Glaciar Grey, tornando-se assim o paraíso do trekking de qualquer aventureiro.
Torres Del Paine
A trilha mais conhecida no parque é o W e pode ser feito em um tempo de 3 a 5 dias, dependendo da disposição da pessoa. Como estava com a moto e outras coisas mais, preferi fazer apenas uma das pernas do W em uma caminhada de 7 horas, sendo 4 para chegar até a base das Torres Del Paine, que dão nome ao parque, e 3 horas para voltar ao acampamento.
Base das Torres depois de 4 horas de trekking
Deixando o parque, segui para El Calafate, de volta a Argentina. A cidade é uma graça e recebe turistas praticamente durante todo o ano. O grande atrativo fica por conta do majestoso Glaciar Perito Moreno. O glaciar é uma verdadeira montanha de gelo e sua parede chega a medir 60 metros de altura.
Glaciar Perito Moreno visto das passarelas de observação
Já caminhando pelas passarelas de observação é possível ouvir os estrondos dos blocos de gelo se partindo e caindo na água. Mas, caso você faça o passeio de barco, aí sim poderá não só ouvir melhor, como também ver bem de perto esse espetáculo da natureza. Esse sim é um passeio que vale cada centavo.
Glaciar Perito Moreno visto de baixo, do barco. Foto tirada no momento exato da queda de um enorme bloco de gelo ao fundo.
Quando estava deixando a cidade em direção a El Chaltén, tive um grave problema com a moto. Ao passar em um grande buraco da “Rita 40” a corrente se soltou e deformou a tampa do motor. Com isso fiquei apenas com a 1ª e a 2ª marcha na moto. Voltei para El Calafate e consegui encontrar o único mecânico da cidade. Com calor, habilidade e sorte, ele conseguiu desempená-la e pude seguir viagem.
El Chaitén é outro paraíso do trekking sul-americano. Muitos montanhistas chegam na cidade para se aventurar no colossal Fitz Roy. Eu queria pelo menos apreciá-lo de longe e fotografá-lo, mas o mau tempo não deixou. Ao chegar fui surpreendido por uma grande nevasca acompanhada de rajadas de vento muito fortes. O dia seguinte amanheceu igual ou pior, por isso resolvi partir para finalmente encarar o que seria o trecho mais perigoso da expedição até agora. Esse trecho patagônico da “Ruta 40” é famoso pelo rípio solto e pelos fortes ventos com rajadas que podem superar os 150km/h principalmente na primavera.
Realmente nesse dia o vento estava muito forte e, mesmo tomando todo cuidado, não tive como passar ileso. O vento forte era constante e me sacudia de um lado para o outro até que três rajadas fortíssimas me atiraram ao chão. Por sorte a roupa me protegeu na queda. A moto, por sua vez, terminou com uma seta destruída, o pára-brisa solto e um empenamento no guidão. Mas por sorte foi só isso. Poderia ter sido bem pior.
Depois de vencer a 40 entrei novamente no Chile pelo passo Los Antíguos, chegando na pequena Chile Chico. A cidade é a principal porta de entrada ou saída para quem pretende se aventurar pela mística Carreteira Austral, sonho de qualquer motociclista e de apaixonados por veículos 4 x 4. Em Chile Chico você tem a opção de cruzar de balsa e economizar mais de 400Km, mas fazer isso pode ser considerado uma loucura, pois você perderá uma das partes mais bonitas da estrada.
Chegando na Carreteira Austral
De Chile Chico a Coyaque são quase 500Km e a paisagem é de tirar o fôlego. Não resisti em parar milhares de vezes para fotografar, filmar, ou simplesmente ficar apreciando. Lagos enormes, montanhas coloridas, vales indescritíveis. Finalmente estava na Carreteira Austral. Foram três dias de viagem pela Carreteira e tenho que confessar que se tivesse o poder de parar o tempo, assim teria feito. Cada Km é fascinante. Cada segundo é surpreendente. Essa estrada tem magia!!! Pode parecer que estou exagerando, pois é apenas uma estrada, mas não é uma estrada qualquer. Não é mesmo!!! Só passando por ela para entender o que estou dizendo.
Carreteira Austral, muito mais do que uma estrada...
Nessa época do ano existem apenas duas formas de sair da Carreteira Austral pelo norte. Via Argentina, pelo passo de Futalefú, saindo na altura de Esquel ou de balsa de Chaitén até Puerto Mont em uma desconfortável viagem de 11 horas. Como depois iria para a ilha de Chiloé, escolhi a balsa e sofri na noite do último domingo em intermináveis horas. A balsa saiu as 21:00 e durante toda noite todos os passageiros se apertaram em uma pequena e desconfortável sala na parte superior da balsa. Que noite...
Maldita Balsa Chaitén - Puerto Mont (11h)
Na última segunda, depois de desembarcar em Puerto Mont, segui para o sul rumo a ilha de Chiloé. Meu amigo argentino, o Dario, se despediu e seguiu para o norte, pois tem que retornar rápido para Mendoza. Depois de 60Km e mais meia hora de balsa, cheguei na colorida ilha. A ilha tem uma vegetação peculiar onde predomina o verde e o amarelo intenso. Mas eu conto mais sobre esse pedaço de paraíso no próximo relato. Não perca!!!
De volta ao mar com Lobos Marinhos, Baleias e Pinguins
Por Expedições Solitárias no dia 01/10/2007 às 14h57
Em El Bolson ouvi várias vezes que não tinha nada para conhecer em Esquel. Ainda bem que não acreditei e fui conferir. O passeio no Expresso Patagônico, um antigo trem a vapor que hoje é utilizado, e bem utilizado diga-se de passagem, para o turismo já faz valer a visita a cidade O trem atravessa uma paisagem de “cair o queixo” levando os turistas até uma pequena comunidade Mapuche onde se pode visitar um museu, ver um pouco do artesanato local e ainda comer as deliciosas tartas fritas.
La Tronchita - Expresso Patagônico
Estando na cidade não se pode deixar de fazer o circuito dos lagos. Um passeio por uma estrada de terra que corta o Parque Nacional Los Alerces levando o turista a conhecer lagos de água transparente completamente escondidos no meio das montanhas nevadas. Sem sombra de dúvidas o Lago Verde é o mais bonito de todos. Toda região é muito visitada no verão quando turistas e moradores de Esquel aproveitam as “praias” dos lagos para se refrescar.
Lago Verde
Saindo dos Andes cruzei mais uma vez a Argentina em uma viagem de 700Km para voltar ao Atlântico chegando em Puerto Madryn. Já estava com saudades do cheiro do mar. Já na chegada fui recebido por um grupo de baleias que descansava na costa da cidade a poucos quilômetros da praia. Puerto Madryn é muito bem preparada para o turismo e normalmente é a base de excursionistas que querem visitar a paradisíaca Península Valdes e Punta Tombo, a maior reserva de Pingüins Magalhães da América do Sul. Em Puerto Madryn fui conhecer uma reserva de lobos marinhos e foi muito bom poder observar o comportamento desses curiosos animais e ver as fêmeas amamentando seus filhotes enquanto os machos cuidavam de proteger o seu harém.
Lobos marinhos - O macho ao centro cuida das suas fêmeas
Passei duas noites em Madryn e depois fui para a Península para passar a noite em Puerto Pirâmide, um pequeno povoado de aproximadamente 400 habitantes. De lá pude sair em um passeio de barco que chega bem próximo as baleias. Uma experiência inesquecível. A baleia Franca Austral é extremamente dócil e curiosa, por isso sempre se aproxima dos barcos de turistas. Exatamente por esse comportamento, na época quando eram permitidas as brutais caçadas, elas eram consideradas as baleias perfeitas para serem abatidas. Infelizmente alguns países, como o Japão, ainda brigam pelo direito de poder reabrir a caça.
Baleias em Península Valdes
Para conhecer melhor a península saí com a moto no final da tarde e fui explorar os principais pontos, de onde pude ver elefantes marinhos, pingüins e, obviamente, um lindo pôr do sol. Deixando a Península Valdes comecei minha descida rumo a Ushuaia e não resisti aos encantos de Punta Tombo. Fiquei fascinado com os pingüins e com a facilidade que tive de chegar bem perto dessas lindas criaturinhas.
Um simpático pinguim em Punta Tombo
Dali pra frente sabia que não veria mais nada de interessante até chegar a Terra do Fogo e realmente a paisagem dessa parte da Patagônia é um tanto quanto entediante. Isso sem falar nos fortes ventos que facilmente atingiam a marca de 100Km/h e quase me jogavam longe com moto e tudo Foi difícil!!! Cruzar a Patagônia na primavera, época de ventos fortes, realmente não é pra qualquer um. Mas o pior de tudo acho que não foi nem o vento, e sim passar por 4 aduanas em um dia. Para chegar na Terra do Fogo, tive que fazer a saída da Argentina, o que demorou 3 horas, fazer a entrada no Chile, o que demorou 1 hora e depois novamente fazer a saída do Chile e fazer a entrada na Argentina, já que não tem outra forma de chegar ao fim do mundo. A única coisa interessante foi atravessar o Estreito de Magalhães em uma grande balsa que era jogada de um lado para o outro graças ao forte vento que não deu descanso.
Por Expedições Solitárias no dia 19/09/2007 às 18h18
O Parque Nacional da Talampaya em La Rioja, assim como o Vale de La Luna em San Juan, é considerado patrimônio da humanidade pela Unesco, porém, depois de conhecer a Quebrada das Conchas em Salta e suas formações naturais como os Castelos de Pedra e a “Garganta Del Diablo”, fiquei um pouco decepcionado ao ter que pagar quase 60 pesos para conhecer o parque e suas imensas paredes de pedra. Pelo menos pude tirar umas fotos legais e tive a sorte de contar com um guia que também é fotógrafo, sendo assim me presenteou com essa.
Parque Nacional da Talampaya
O próximo parque visitado foi o do Valle de La Luna. Foram três horas de um passeio inesquecível, onde percorri os 40Km do parque com a sensação de realmente estar andando na superfície lunar. Que lugar impressionante!!! Um passeio muito mais interessante e que me custou apenas 20 pesos.
No Valle de La Luna
Do Valle de La Luna desci direto, cruzando a província de San Juan, até chegar novamente em Mendoza onde reencontrei meu amigo Dario. Chegar em Mendoza foi um pouco difícil, pois no caminho encontrei o desagradável vento sonda, muito comum na região. O vento levanta toda a terra e torna praticamente impossível passar de moto. Pra piorar estava com um sério problema na corrente e não podia passar de 60 Km/h. Não foi fácil, mas cheguei.
Depois de uma boa revisão com direito a troca de pneus, corrente, coroa e muitas outras coisas, podemos seguir para Malargue. Podemos, pois, a partir de agora, o Dario passa fazer parte da expedição. Devemos viajar juntos por um mês e meio aproximadamente, descendo até Ushuaia e depois subindo pelo Chile até Santiago quando ele retorna para casa e eu sigo com a expedição.
Passamos apenas uma noite em Malargue e fomos para Caviahue, limite com Chile. A idéia era chegar na pequena cidade no início da noite de domingo, 09/09, mas tivemos problemas. Optamos por uma estrada de rípio que nos levaria por entre as montanhas até Caviahue, passando por belos lugares. Os lugares realmente eram fantásticos, porém, a apenas 4Km da cidade, as motos ficaram completamente presas no gelo que fechava a estrada e, já sendo 19h30, tivemos que dormir por ali mesmo. Armamos acampamento literalmente no meio da estrada e às 21hs o relógio já marcava 4 graus negativos. Foi uma noite longa. Muito longa. No dia seguinte fomos presenteados por um belo dia de sol e por um lugar paradisíaco, a pequena Caviahue. A grande atração da cidade é o seu centro de esqui e o seu lago que espelha com impressionante clareza, o vulcão Copahue.
Acampamento pronto para passar a noite. Acredite ou não, mas estou no meio da estrada.
Depois da gélida noite, um belo amanhecer.
Nada como andar na neve com motos feitas para isso. Eu e Dario relaxando em Caviahue.
Passamos um dia relaxante na cidade e logo seguimos para San Martin de Los Andes. Em San Martin tive a oportunidade de fazer um passeio que não tinha feito na minha primeira passagem pela cidade e fui conhecer a cachoeira do Chachim, já quase na fronteira com o Chile. Uma magnífica queda d’água no meio de uma imensa área verde.
Cachoeira do Chachim, impressionantemente linda
Seguimos sem direção ao sul, passando por Bariloche e parando na alternativa El Bolson. A cidade foi ocupada por hippies na década de 70 e até os dias de hoje mantém a “onda alternativa”. As terças, quintas e sábados, a grande pedida é visitar a feira de artesãos na praça principal. Nos outros dias da semana explorar suas riquezas naturais é o indicado, já que a região oferece diversas opções de trilhas a serem percorridas. Outro passeio interessante é ir até o pequeno povoado de Lago Puelo, a 20Km, e ao parque que recebe o mesmo nome. Sentar em um dos mirantes e ficar apreciando o lago é uma ótima forma de relaxar.
La Puelo visto do mirante do parque
Depois de El Bolson percorremos 170Km para chegar em Esquel, já na província de Chubut. Esquel também está muito bem preparada para o turismo e, além do seu centro de esqui, oferece outros belos passeios, como o passeio de maria-fumaça pela bela região patagônica. Mas isso eu deixo pra próxima.
Ah, e não deixe de passar no meu site para ver ainda mais detalhes dessa aventura: www.expedicoessolitarias.com.br
Por Expedições Solitárias no dia 28/08/2007 às 17h30
Esse relato está um “pouquinho” grande, porém cheio de aventuras e três recordes da expedição: 890Km em um dia, 4.170m de altitude e 3 países em menos de uma semana. Prepare-se...
Salar Grande - O imenso deserto de sal no norte da Argentina
Conforme combinado, no domingo, eu Denis e Karina, fomos até as cataratas pelo lado argentino. Para chegar, diferente do lado brasileiro que vamos de ônibus, temos a opção de caminhar ou ir de trem. Como o dia estava frio e com um pouco de chuva optamos por seguir de trem bala.
Muitos insistem em discutir qual lado é mais bonito, o brasileiro ou o argentino, mas posso afirmar que são passeios completamente diferentes. No lado brasileiro você consegue ter uma visão melhor dessa grandiosa obra da natureza, porém, pelo lado argentino, você chega bem próximo da queda d’água, podendo vê-la de cima e se impressionar com sua força.
Como combinado, na segunda levantei acampamento e parti em direção a capital paraguaia. Foi difícil me despedir de amigos tão queridos, mas a expedição tem que continuar. Foram tranqüilos 360Km por uma boa estrada. Estava muito receoso com a minha visita a essa cidade devido ao risco de roubo e violência, por isso já cheguei com todo cuidado. Assim que chego nas cidades, antes de ir ao hotel, procuro dar uma volta de reconhecimento, mas em Assunção fiz questão de ir direto para o lugar onde dormiria. A cidade não possui albergues, já que não é um destino turístico muito comum, por isso a melhor opção foi um hotel barato do centro. Os donos, um casal de senhores, eram muito simpáticos e logo que cheguei fizeram questão de me alertar quanto ao perigo na cidade.
1 - O primeiro conselho foi para guardar a moto em um estacionamento e dar preferência em caminhar pela cidade.
2 - Táxi, apenas chamando por telefone, pois as ligações são gravadas.
3- Não caminhar pela cidade a noite, pois os moradores das vilas, ou favelas, normalmente vão para as ruas, se aproveitando do fraco policiamento noturno para praticar assaltos.
4 – Câmeras fotográficas e filmadoras, nem pensar.
Quando fui colocar a moto no estacionamento, o dono do lugar fez questão de esconder a moto atrás dos carros, pois disse que se vissem que ali tinha uma moto de um viajante, certamente invadiriam o lugar para roubá-la. Não preciso nem dizer como já estava me sentindo... Senti falta do colete a prova de balas, uma roupa camuflada e a faixa do Rambo para amarrar da testa. Mas queria dar uma chance a cidade e mesmo assim saí para conhecer um pouco do centro que, durante o dia, é fortemente policiado. Já próximo ao hotel, em uma das principais praças da cidade, encontrei um grande acampamento. Descobri depois que são pessoas que se autodenominam “Sem Terra” e pressionam o governo até conseguirem alguma. Quando conseguem, vendem as terras e voltam a acampar na cidade, alegando que as terras eram improdutivas. Os donos do hotel me disseram também que não deveria de forma alguma atravessar a praça, pois são constantes os roubos aos turistas desavisados.
Assunção, apesar de ser uma capital, nem de perto lembra uma. Com apenas 600.000 habitantes, poucos prédios e poucos carros, a não ser nas horas de rush, poderia até ser uma cidade linda e tranqüila se não fosse por conta da grande diversidade social. Prova disso são os dois vídeos que você pode assistir a seguir. O primeiro é da principal praça do centro da cidade...
Mesmo com toda tensão da cidade, uma agência de viagens oferece dois passeios de barco muito interessantes, um de dois dias e três noites pela região do Chaco e outro de seis dias e sete noites pelo Pantanal. Os passeios são bem caros, mas a gerente da agência me convidou a escolher um e tentar assim tirar a má impressão do país. Cada passeio acontece apenas uma vez por mês, por isso deixei a possibilidade de talvez voltar a cidade em outubro para conhecer melhor essa região pouco explorada turisticamente.
Na noite de terça fiquei até tarde debruçado sobre mapas para decidir o que faria. Já estava decidido a deixar a cidade na quarta, mas não sabia se entraria pela Argentina ou se iria pelo noroeste paraguaio, entrando na argentina já na altura da província de Salta, perto da fronteira com a Bolívia. Como tenho que estar em Mendoza no início de setembro para começar minha descida para Ushuaia com o Dario, optei por entrar logo pela Argentina e depois, caso realmente volte a Assunção, entrar pela Bolívia, passando assim pelo noroeste paraguaio para chegar a capital. Com essa minha decisão sabia que teria uma quarta-feira difícil, já que teria que percorrer mais de 1.200 Km em um único dia até a cidade de Jujuy na Argentina. O pior é que a estrada não está toda asfaltada e certamente isso me faria perder um bom tempo, mas já que aventura pouca é bobagem, tomei a decisão de arriscar. Na terça, antes de deixar Assunção, fiz esse vídeo do centro, já que, em cima da moto, seria mais difícil levarem a câmera.. rsrsrs
Deixei o hotel às 09:00h da manhã, 08:00h pelo horário local, pois, para economizar energia, a cidade adota o horário de inverno. Para cruzar a ponte pelo rio Paraguay, tive que subir 30Km para norte, sentido contrário para o qual queria ir, e depois descer para sul, cruzando assim a fronteira com a Argentina. Já no início da viagem, em terras argentinas, fui parado pela polícia e, mais uma vez, segui viagem sem mostrar qualquer documento, apenas contando histórias da expedição. Recebi dos policiais a boa notícia de que a estrada estava praticamente toda asfaltada e ao todo deveria encontrar nada mais que uns 30Km de terra e areia em todo o trajeto. Pra quem tinha previsto quase 200Km de terra, até que a notícia foi muito bem vinda.
Na primeira parada para colocar combustível me dei conta de uma grande besteira que tinha feito. Tinha esquecido de trocar dinheiro. Tinha apenas 60 pesos. Por sorte o posto aceitava cartão, mas comecei a pensar que poderia ter problemas. Mal sabia o que me esperava...
O dia estava bonito e as dificuldades ficaram apenas pelas partes de terra e de areia. A previsão é de que até outubro todo o trecho esteja com asfalto, por isso, devido as obras, os trechos sem asfalto estavam em terrível estado, me fazendo perder muito tempo. Saí de Assunção com a estimativa de chegar em Jujuy por volta das 20:00, mas com o passar do dia, a estimativa já chegava a 01:00 da manhã. Pra piorar a situação, nenhum posto aceitava o maldito do cartão de crédito e, por volta das 18:00, abasteci com os últimos 24 pesos que tinha na cidade Coronel Juan Solá, se é que se pode chamar aquilo de cidade.
Será que podia piorar? Claro que podia... A corrente da moto começou a ficar frouxa e vi que não chegaria a Jujuy sem apertá-la. Em Juan Solá me disseram que em Embarcacion, uma cidade há 170Km, conseguiria lugares que aceitassem cartão e poderia finalmente abastecer e comer, pois a essa altura, tendo comido apenas um mísero sanduíche de pão com queijo, estava morto de fome.
Passei em Embarcacion e, para meu desespero, não encontrei nenhum lugar que aceitasse cartão. Já passava das sete e meia da noite e a escuridão na estrada era total. Me aconselharam a seguir até Pinchanal, 30Km depois. Pelas minhas contas até que teria combustível para mais uns 150Km, mas o problema é que depois dessas cidades não teria praticamente mais nenhuma com alguma estrutura até chegar a Jujuy e, além disso, tinha que apertar imediatamente a corrente. Decidi que, em Pinchanal, aceitando ou não cartão, pararia para apertá-la. E...... Não aceitava cartão.
Desci da moto e fiquei mais de uma hora tentando soltar aquela tal porca do eixo, a mesma que perdi indo para Esteros Del Ibera, mas a bichinha não soltava por nada. Já estava tonto devido ao esforço e, revirando os bolsos, consegui achar 2,50 pesos, o suficiente para comprar UMA medialuna e um refrigerante de 250ml.
Já passava das 21:00 quando decretei “vitória da porca” e resolvi dormir em Pinchanal. O problema é que Pinchanal só tem um hotel que, obviamente, não aceitava cartão. Ainda no posto, um simpático morador me aconselhou desviar do meu caminho e ir para Oran, uma cidade mais estruturada há 30Km a oeste. Restava saber se conseguiria chegar lá com a corrente do jeito que estava. Mas tinha que arriscar. Fui bem devagar e cheguei a Oran por volta das 22:00. A cidade foi a última fundada pelos espanhóis e realmente tinha muito mais estrutura que suas vizinhas. Abasteci, saquei dinheiro, consegui um hotel com bom preço e um restaurante de comidas regionais onde tratei de comer bastante e tomar uma cerveja bem gelada. Foi um dia lindo, porém com uma noite difícil. Ao todo foram 890Km em mais de 13 horas, o novo recorde da expedição.
No dia seguinte consegui um mecânico que me ajudou a resolver o problema e finalmente pude seguir viagem para Jujuy. A cidade, capital da província, é pequena e bem aconchegante. Na região, pode-se dizer que é a melhor base para conhecer lugares como: a Quebrada de Humahuaca, considerada patrimônio histórico da humanidade pela UNESCO; Salina Grande, o maior deserto de sal da Argentina; Tilcara e Pulmamarca, dois pequenos povoados esquecidos no meio das montanhas, o primeiro com uma antiga fortaleza construída pelo povo local, os Tilcaras e o segundo com seu “Cerro de Las Siete Colores”. Primeiro vamos então por um passeio pela Quebrada de Humauaca.
Para conhecer Salina Grande tive que atravessar uma estrada que chega a 4.170 metros de altitude. Não foi fácil passar de moto, pois devido a falta de ar, minha princesa sentiu muita dificuldade e tive que subir alternado em 1ª e 2ª marcha em uma velocidade entre 25 e 40Km/h.
Depois disso, muito feliz por não estar me sentindo mal, desci até 3.500 metros e cheguei ao Salar Grande. Parei a moto e fiquei admirando mais essa maravilha argentina. A grandiosidade do lugar era realmente de tirar o fôlego, ainda mais ao imaginar que, no passado, tudo aquilo tinha sido uma imensa lagoa e agora era um grande deserto de sal.
Não resisti e fui dar uma volta de moto pelo deserto. A sensação foi de arrepiar.
Na volta, parei na estrada da “Cuesta de Lipán”, o sinuoso caminho que me levou aos 4.170 metros. A força do vento quase chegou a me derrubar da moto enquanto filmava.
Em Tilcara, outro povoado da região, fui visitar a tal fortaleza que os antigos habitantes construíram para se proteger de possíveis invasões, chamada Pucará de Tilcara. Em queshua, língua dos Tilcaras, a palavra pulcará quer dizer fortaleza. Mais uma vez, devido a altitude, o vento estava muito forte.
Por último, mas não menos importante, Pulmamarca. Interessante observar como o povo da região apresenta traços bem bolivianos, assim como alguns costumes, como o forte colorido dos artesanatos.
E no pequeno povoado pude ainda apreciar o cerro de sete cores. Em um dos dias que estava em Jujuy, quando saía para conhecer algumas dessas maravilhas naturais, encontrei uma pequena procissão. Um senhor me explicou que era uma festa tipicamente boliviana e que a santa em questão não era reconhecida pela igreja católica, porém, em respeito a cultura local, era reconhecida pela igreja da região.
Disse ainda que os carros coloridos, cheios de coisas penduradas como talheres de prata, dinheiro, e bichos de pelúcia representam os escravos da santa que oferecem a ela suas riquezas. Os bichos representam então seus animais.
Ontem, domingo, antes de deixar a cidade me aventurei um pouco mais para conhecer as piscinas de águas termais e umas lagoas cercadas de montanhas, mas isso eu conto no próximo relato. Adianto que agora estou na cidade de Salta e, depois de visitar ontem a secretaria de turismo, posso garantir que não faltará aventura essa semana. Prepare-se!!!
Obrigado pela sua companhia. Não deixe de conferir as últimas fotos e ver pelo Google Map o roteiro dessa semana. Depois passe pelo “Troca de Idéia” e deixe seu comentário. Pode ter certeza de que será muito bom lê-lo.
Um Pantanal a Ser Descoberto em Pleno Solo Argentino
Por Expedições Solitárias no dia 16/08/2007 às 17h20
Rosário é uma excelente cidade para se passar um final de semana, contanto que tenha sol, é claro. É comum ver a cidade encher nos finais de semana, principalmente de jovens que vêm de Buenos Aires atrás das belas noites “rosarinas”. No dia que cheguei e no dia seguinte o tempo não ajudou muito e por isso preferi apenas caminhar pelas ruas do centro para entender um pouco sobre a cidade. Por sorte o tempo melhorou e o sol voltou a brilhar.
Caminhar pela beira do rio...
Passear pela beira do rio é um ótimo passeio em Rosário
...visitar o monumento da bandeira...
Monumento a bandeira em Rosário
...e o museu de arte são programas indispensáveis.
Entardecer visto do observatório no alto do museu de arte de Rosário
Aos domingos a cidade fica cheia de feiras e caminhar por elas é um passeio bem interessante. No verão os turistas argentinos lotam a cidade em busca dos seus balneários e dos esportes náuticos.
Saindo de Rosário cruzei a província de Entre Rios e cheguei, depois de ser parado 4 vezes pela polícia rodoviária, ao Parque Nacional El Palmar. A entrada do parque fica em plena “ruta 14”, indo para o norte, está pouco depois da cidade pequena cidade de Colón. Para entrar paguei 12 pesos e como gostei muito do parque paguei mais 30 para alugar um pequeno trailer e dormir na área de camping do parque que fica bem na beira do rio. Caminhando, cruzei com tatus e outros bichos que vivem no parque Apreciei um belo pôr-do-sol e matei as saudades do verde e da natureza. Um lindo lugar para se visitar.
Últimos raios de sol no Parque Nacional El Palmar
No dia seguinte subi pela “ruta 14” até a “ruta provincial 119” e parei na pequena Mercedes. A cidade não tem muitos encantos, mas é a base para quem quer visitar o pantanal argentino que recebe o nome de Esteros Del Ibera (esteros = região de pântano e I + Berá = Água Brilhante). Esteros Del Ibera é muito pouco conhecido até mesmo pelos argentinos, principalmente pela dificuldade de acesso. Indo por Mercedes são 120Km de estrada de terra até Colônia Carlos Pellegrini, uma pequena vila com alguns hotéis, restaurantes, comércio e casas de moradores. Um lugar bem simples, porém muito acolhedor. Caso você venha de Posadas, ao Norte, o caminho é ainda pior, pois são aproximadamente 100Km de muita areia e uns 30Km de terra. Com chuva fica impossível chegar ou sair de lá, mas todo esforço é muito bem recompensado.
Esteros Del Iberá durante o passeio de lancha
Três são os principais passeios: a volta de lancha pela Lagoa Ibera, a caminhada pelo parque e a cavalgada. Em todos você pode observar a vegetação da região e se aproximar bastante de animais como: veados, jacarés, capivaras, gatos selvagens e macacos.
Assim é Esteros Del Iberá
Um verdadeiro zoológico a céu aberto
De Carlos Pellegrino subi em direção a Posadas e sofri bastante com a areia. A moto chegou a cair no chão, mas por sorte não aconteceu nada. De Posadas continuei em direção a Foz do Iguaçu e parei para conhecer as ruínas jesuítas de San Ignácio, consideradas pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.
Nas ruínas jesuítas de San Ignácio
Na sexta passada cheguei em Foz do Iguaçú onde estou visitando uns amigos. Aproveitei para consertar uma das minhas câmeras e comprar um GPS novo no “mercado paraguaio”. Isso sim que é aventura!!!
Em Foz também fui convidado por professores do colégio Monjolo a fazer duas palestras para 6 turmas de sexta série ao terceiro ano. A idéia era abordar temas como diversidade cultural, aspectos geográficos e aspectos históricos. A experiência foi inesquecível!!!
Com alguns alunos do colégio Monjolo de Foz do Iguaçú
Fico aqui até segunda matando a saudade dos amigos e depois entro para o Paraguai rumo a Assunção.
Ta gostando da viagem? Então não deixe de conferir meu site: www.expedicoessolitarias.com.br. Lá você poderá ver mais fotos, vídeos, mapas e relatos exclusivos. Espero você lá!!!
Por Expedições Solitárias no dia 03/08/2007 às 13h31
Acho que acabei entrando no ritmo de férias de julho… rsrsrs Desculpe pela demora na atualização do blog, mas recebi visitas e aproveitei para descansar um pouco, mas agora volto com força total. Ah, antes que me esqueça: Adoro ler os comentários deixados. Obrigado pelas palavras de incentivo!!!
A bordo do Trem de La Costa em Buenos Aires
Buenos Aires é uma cidade simplesmente incrível. Por mais tempo que você fique por lá dificilmente conseguirá conhecer tudo. Depois de ficar quase um mês na cidade já me sinto a vontade para montar uma dica de roteiro para uma semana na capital:
Dia 1 – Caminhar pelo centro nas ruas 9 de Julho, Mayo, Lavalle e Florida, com direito a passar pelo teatro Colon, pelo belo shopping Galeria Pacífico, Casa Rosada e Catedral Metropolitana. A noite curtir um bom restaurante ou um bar em Palermo é uma ótima pedida.
Frente da Catedral Metropolitana de Buenos Aires - 12 pilastras representam os 12 Apóstolos
Dia 2 – Começar o dia caminhando por Retiro e de lá seguir para a charmosa Recoleta. Escolher um belo restaurante e almoçar nesse bairro inesquecível. Não deixe de ir no centro cultural que fica na praça principal do bairro, pois sempre tem exposições interessantes. De lá siga até La Boca para conhecer esse antigo bairro, o estádio do Boca Juniors, La Bombonera e o famoso Caminito, o lugar mais colorido da cidade. A noite, o que você acha de um bom Tango? Opções não faltam.
Caminito, uma explosão de cores
Dia 3 – Compras? O shopping Abasto na Calle Corrientes é uma ótima pedida. Caso queira pechinchar não deixe de ir para a Calle Bartolomeu Mitre na Plaza Once. Tudo é muito barato, é só procurar. Feliz com as compras? Então vá almoçar no Porto Madero e depois caminhe pelo porto em um agradável passeio. Aproveite que está por lá e faça uma reserva em algum bom restaurante para jantar a noite com direito a uma bela música ao vivo.
Eu e Carol na Ponte da Mulher em Porto Madero
Dia 4 – O zôo de Buenos Aires, perto da Plaza Itália, é um passeio imperdível. De lá siga para o Planetário da cidade e para Jardim Japonês. Um é praticamente ao lado do outro. Depois da parada para o almoço, a pedida é uma visita ao MALBA, Museu de Artes Latino Americanas de Buenos Aires. A noite, caso você ainda esteja inteiro, um bom programa é assistir um dos inúmeros espetáculos em cartaz nos teatros da Calle Corrientes.
Jardim Japonês de Buenos Aires
Dia 5 – Dando um descanso de Buenos Aires, que tal conhecer Colônia Del Sacramiento no Uruguai? Comprando antecipadamente a passagem de bukebus, você pode pegar a promoção de 100 pesos ida e volta no barco de uma hora. Não esqueça de levar seus documentos e o papel de entrada no país, pois essa é uma viagem internacional. Chegando em Colônia após atravessar o imenso Rio da Prata, uma boa opção é alugar na própria estação do barco uma scooter ou um carrinho de golfe para passear com tranqüilidade pela cidade. Comece pelo centro histórico, subindo no farol, de onde você pode visualizar Buenos Aires. Se estiver um dia de sol, compre um bom vinho e uns frios para acompanhar, sente então no gramado e fique apreciando o rio. Depois siga com seu meio de transporte até a Plaza de Los Toros, lugar em ruínas onde eram realizadas as touradas em tempos passados. Voltando pela costaneira pare na feira de artesanatos e almoce na praça principal do centro histórico.
Plaza de Los Toros em Colônia Del Sacramiento - Uruguai
Dia 6 – Considerando que seja um sábado, o melhor passeio é ir a Tigre. Uma pequena província próxima a Buenos Aires. O passeio é lindo. Primeiro pegue a linha C do metrô até Retiro. Lá pegue o trem comum e vá até a estação Bartolomeu Mitre (a última). Lá você pega dentro da própria estação o Trem Turístico de La Costa por apenas 16 pesos ida e volta. No caminho aproveite para conhecer as estações do caminho. Cada uma tem uma história e uma característica particular. Chegando na estação final você tem três opções: um enorme parque de diversões, um grande cassino ou, por sinal o meu preferido, fazer um passeio de catamarã de uma hora e meia pelo delta do rio, Custa apenas 20 pesos e de estiver um dia de sol garanto que você vai ficar enlouquecido. Depois do passeio caminhe pelo colorido mercado de frutas e artesanatos, escolhendo um dos vários restaurantes para almoçar. A noite, já que é sábado, opções não faltam para dançar. Escolha uma boa boate ou em espanhol “boliche” y se va a bailar.
"Barco quitanda" em Tigre
Dia 7 – Se ontem foi sábado, hoje é domingo certo? Então vá para a feira de San Telmo. É enorme e além das antiguidades, roupas alternativas e artistas nas ruas fazem desse o melhor passeio de domingo na capital. Almoce em um dos restaurantes do bairro, fechando assim a sua viagem com chave de ouro.
San Telmo aos Domingos - Um lugar imperdível
Gostou? Eu garanto que fazendo tudo isso sua viagem será inesquecível e que suas pernas irão agradecer quando você sentar no avião de volta para casa.
Durante julho, aproveitando que recebi a visita da Carol, aproveitei e fui com ela até Malargue, sul de Mendoza para ela conhecer a Caverna de Las Brujas e os Andes. Aproveitei para fazer um passeio que não tinha feito quando passei por lá de moto: A Reserva Natural da Payunia. Um parque com mais de 830 vulcões. O lugar é alucinante e o trekking inesquecível. Cheguei ao pico do meu segundo vulcão a 2400 metros. O primeiro foi em 2004, o Villa Rica no Chile a mais de 3100 metros.
Reserva Natural da Payunia (Malargue - Mendoza - Argentina)
Ontem, quinta-feira, deixei a capital e segui até Rosário. Fico uns dias por aqui e depois subo. Vou aproveitar agosto para conhecer o Paraguai e em setembro desço em direção a Ushuaia.
Por Expedições Solitárias no dia 29/06/2007 às 16h03
A neve em Bariloche aumentou de tal forma que até a estação de esqui foi fechada. Pra piorar a situação, o vento acabou com a luz da cidade além de causar outros estragos. Enquanto tudo isso acontecia eu continuava de olho na previsão do tempo de dois sites, um internacional e um argentino. Me alegrei a ver uma melhora de tempo no domingo, mas estava decidido a deixar a cidade assim que o sol reaparecesse. Isso aconteceu no sábado e arrisquei sair de Bariloche. Foi uma viagem com uma boa dose de gelo na pista. Mas, com a ajuda da minha princesa, consegui chegar a Piedra Del Aguila, uma cidade muito pequena que serve apenas como base para viajantes descansarem um pouco.
Saindo de perto dos Andes a temperatura muda bastante e o termômetro, a essa altura, já marcava 5 graus positivos. Pode parecer frio, mas pra quem vem de Bariloche, isso é quase verão, além disso o sol brilhava no céu e já estava longe de toda neve e gelo. No domingo cheguei a Neuquén, capital da província. A cidade não possui atrativos turísticos, apesar do esforço do governo local em divulgá-la através de cartazes espalhados por todo o estado. Passei apenas uma noite e segui para Bahia Blanca na província de Buenos Aires.
Entre Neuquén e Bahia Blanca
A cidade também não possui atrativos turísticos e, além do mais, é uma cidade cara para o orçamento da minha expedição. No dia que cheguei, andei pelo agradável centro da cidade e, ali mesmo, decidi que ficaria apenas por uma noite.
Centro de Bahia Blanca
Na terça-feira peguei a estrada em direção a Mar Del Plata, o balneário mais amado pelos argentinos. Encontrei uma cidade grande e muito bem estruturada para o turismo, principalmente o turismo de verão. Apesar de ser uma cidade turística, Mar Del Plata tem vida própria e pode ser visitada em qualquer estação do ano.
Pôr do sol em Mar Del Plata
Um passeio imperdível na cidade é percorrer a rodovia costaneira até a pequena e charmosa Miramar, outro balneário. O caminho beira o Atlântico e oferece belíssimas paisagens.
O deserto centro de Miramar
Hoje cheguei na pequena Mar de Ajo, outro balneário, onde visitarei um amigo que fiz ao longo da viagem. Daqui sigo dentro de um ou dois dias para Buenos Aires onde receberei a visita da minha mãe que passará uma semana por aqui me fazendo companhia. Nada como um carinho especial no dia do aniversário que está quase chegando.
Por Expedições Solitárias no dia 21/06/2007 às 12h58
Em Bariloche acabei conhecendo um simpático casal de cariocas em Lua de Mel e um colombiano muito louco, o Pablo. Nos juntamos e no sábado pegamos um ônibus para conhecer Villa La Angostura. Uma pequena cidade tipicamente de montanha com menos de 10 mil habitantes localizada a 80Km de Bariloche. A cidade é muito bonitinha e totalmente voltada para o turismo, vale conhecer.
Eu, Vicente e Vanessa em Villa La Angostura
No domingo resolvemos nos aventurar pelas pistas de esqui de Cerro Catedral em Bariloche. Nenhum dos quatro tinha esquiado antes e combinamos de fazer a aula juntos na mais bem estruturada estação de esqui da América do Sul, localizada a 19Km de Bariloche. Catedral, como é conhecido, oferece mais de 70Km de caminhos e pistas, sendo que, a mais alta, para os mais hábeis, está localizada a 2.100m de altitude. As pistas são divididas por cores que indicam os níveis de dificuldade, sendo verde as mais fáceis e preto as mais difíceis. Para os “marinheiros de primeira viagem” o mais indicado é contratar um instrutor particular ou fechar pacote, bem mais barato, que inclui: passe de um dia para montanha, equipamento completo e quatro horas de aula em grupo de até 12 pessoas, sendo duas horas pela manhã e duas a tarde. Para subir a montanha e se arriscar no nível mais básico de pista, o ideal é que o iniciante tenha pelo menos umas 12 horas de aula e alguns dias de prática na zona de principiantes, onde cair e atropelar os outros é bem aceito por todos. Eu que o diga!!! Só de crianças derrubei umas três. Ops...
Eu e Pablo descansando um pouco antes de uma nova descida em Cerro Catedral
Essa semana tirei pra me recuperar das dores musculares. Não sabia que esquiar causava tantas dores!!! Na verdade acho que não causa, o problema foi a quantidade de tombos que tomei. Andei pelas ruas da cidade e fui conhecer Cerro Vierro, um pequeno teleférico localizado a 1Km do centro da cidade.
Vista do alto do teleférico Cerro Viejo
A diferença dele é que a descida pode ser feita por um tobogã gigante, um carrinho de plástico que desce sobre os trilhos de cimento. Um passeio legal e, acima de tudo, bem barato!!!
Será que o freio funciona?
Já está na hora de começar minha subida em direção a Buenos Aires, mas o clima mudou drasticamente e as nevascas são constantes. O forte vento também impede qualquer tentativa de deslocamento, por isso fico por aqui mais uns dias até que o clima me permita seguir viagem.
Antes de me despedir aproveito para dizer que o meu primeiro livro "Na Rota do Vento" já está sendo vendido na Central de Relacionamento da ABRAM, e pelo site Submarino. Clique aqui e peça já o seu.
Por Expedições Solitárias, Baloriche no dia 14/06/2007 às 11h16
Contrariando todas as previsões o dia amanheceu sem neve e sem chuva. Um sol tímido ameaçava aparecer por trás das nuvens, porém ficou só na ameaça.
Rua principal de San Martin de Los Andes
Aproveitei o presente da mãe natureza e dei uma volta por um dos circuitos turísticos naturais de San Martin de Los Andes. A idéia era subir por uma estrada de terra até um mirante, depois seguir até chegar na estrada dos 7 lagos que me levaria ao Cerro Chapelco, centro de esqui da cidade. O início do passeio foi bem tranqüilo e admirarei o lindo visual do mirante.
Vista do lago de San Martin
Depois disso continuei a subir, me deparando com os primeiros sinais de neve que cobria as plantas da montanha. Logo a neve não cobria mais apenas as plantas, mas também a estrada. Diminui a velocidade, mantendo não mais que 12Km/h. Realmente era uma aventura. Pensei em voltar, mas a vontade de seguir não me deixou e lá fui eu andando sobre o gelo. Mesmo a essa velocidade um simples toque no freio é certeza de um belo tombo, por isso segui com todo cuidado pelas subidas e descidas do alto da montanha
Depois da aventura cheguei em uma estrada de asfalto perfeita, achando que dali pra frente seria tranqüilo. Engano meu. O asfalto estava coberto de gelo, principalmente nas curvas e, mais uma vez, todo cuidado era pouco. Avancei com precaução e logo cheguei a Cerro Chapelco, o paraíso de gelo. Eles ainda estavam se preparando para a temporada de inverno, mesmo assim a neve já estava alta e fazia a diversão de alguns turistas que se aventuravam a conhecer o lugar.
Cerro Chapelco
Passei o final de semana praticamente dentro do albergue, pois a chuva e a neve não deram trégua um minuto que fosse. Na segunda queria descer para Vila La Angostura, porém, por conta da neve, a estrada dos 7 lagos foi fechada e, sendo assim, teria que percorrer mais de 250Km para chegar a uma cidade que estava a apenas 100Km de San Martin. Decidi então descer direto para Bariloche e, caso o tempo melhore, volto um pouco até Angostura.
A viagem até Bariloche foi a mais perigosa até então. Sempre classifico o risco da viagem em uma escala de 0 a 5, levando em consideração fatores como distância, qualidade da estrada e clima. Esse, pela primeira vez, era um deslocamento nível 4 e tudo por conta da chuva, neve, gelo e vento. Características climáticas do inverno patagônico. Realmente foi uma aventura e tanto. Peguei duas fortes nevascas, uma quando saía de San Martin e outra quando estava ha uns 80Km de Bariloche. Não sentia nem os pés e nem as mãos que, a esse ponto, já estavam completamente molhados apesar de toda proteção impermeável. Tenho que confessar que foi um alívio entrar na cidade e sentir o pouco calor proveniente da agitação de Bariloche.
O frio está bem forte, mas aproveitei o dia seguinte à minha chegada para conhecer um dos pontos turísticos da cidade, o teleférico Cerro Oto. Saindo de 850m de altitude ele leva você a 1.405 metros, um lugar ideal para apreciar a cidade, suas montanhas nevadas e alguns lagos da região. No topo também tem um restaurante giratório, um lugar bem agradável para saborear um café ou um chocolate quente enquanto aprecia a vista.
Teleférico Cerro Oto com Bariloche ao fundo
Pelo que me informaram as pistas de esqui devem abrir esse final de semana. Quem sabe eu me aventuro em uma delas...
Malargue - Cavernas, Montanhas, Lagos e muitas descobertas
Por Expedições Solitárias no dia 08/06/2007 às 10h25
A "Caverna de Las Brujas" está localizada a 65Km da pequena Malargue, 65Km esses que são percorridos por um precário caminho de terra pela famosa rodovia 40, e sua entrada está a nada mais nada menos do que 1800m do nível do mar. Os números do turismo na caverna são impressionantes, chegando a receber mais de 15.000 turistas por ano, estando a maior parte concentrada no calor do verão argentino. A caverna foi descoberta em 1920, mas até os anos 50 não foi explorada, possivelmente devido às lendas locais. Na década de 70 foi construído o caminho que liga a “ruta 40” à caverna, porém somente em 1990 foi integrada a rede de áreas naturais protegidas de Mendoza, ou seja, por 20 anos sua exploração foi totalmente livre.
Quando cheguei a caverna estranhei, pois não tinha absolutamente ninguém. A cabana dos guarda-parques estava fechada e nenhum sinal de movimento. Parei a moto ao lado da placa que indicava estacionamento e corri para o pequeno vão de entrada da cabana, me abrigando assim do forte vento A saída estava marcada para as 10:15h, como tinha chegado com um pouco mais de meia hora de antecedência, concluí que os guardas ainda estavam por chegar. Enquanto esperava, entre o forte barulho do vento, ouvi um pequeno estrondo. Ao olhar vi a moto caída ao chão. Corri para levantá-la, colocando-a agora em uma posição corta-vento, mas de nada adiantou e em menos de 5 minutos estava outra vez ao chão. O jeito foi protegê-la ao lado da cabana, evitando assim que os fortes ventos a derrubassem novamente.
Por volta das 10:20h, para minha surpresa, a porta da cabana se abriu e um guarda-parque, com jeito de quem havia acabado de levantar fez sinal para que entrasse. Ainda com uma cara de poucos amigos me disse que aquele era o primeiro dia de greve e, sendo assim não poderia visitar a caverna. Começamos a conversar um pouco e o Guillermo, era esse seu nome, ficou encantado com a expedição, dizendo então que me levaria a caverna com o maior prazer e, ainda por cima, não me cobraria os 20 pesos de entrada.
Enquanto percorríamos suas estreitas galerias, o Guillermo me contava tudo sobre a caverna e sobre a região, transformando o passeio turístico em um agradável bate-papo sobre história, política, geologia.. Chegamos a uma das salas e o Guillermo me disse que os passeios guiados chegavam até aquela parte, mas se prometesse não contar para ninguém em Malargue, me levaria até a ultima sala, a Sala de las Flores. Tive a certeza de que estava no meu dia de sorte. A caverna é realmente impressionante. Com paciência você pode ver diversas formas esculpidas ao longo dos seus 3Km de galerias, dentes de tubarões, flores, bruxas e até mesmo o rosto de Jesus Cristo com uma perfeita formação.
No caminho de volta parei na “Cascada de Manqui-Malal”. Fui recebido pelo seu proprietário que, coincidentemente, também atendia pelo nome de Guillermo. O local é perfeito para os apaixonados por trekking e ainda melhor para os escaladores, pois oferece vias dos mais diversos níveis de dificuldade. Além de tudo isso é um paraíso paleontológico, abrigando um enorme museu de fósseis marinhos a céu aberto, já que, há milhões de anos, durante a era mesozóica, portanto antes da formação da Cordilheira dos Andes, toda essa região era coberta pelo mar.
Em Malargue, outro ponto de visita obrigatória, é o famoso Valle de Las Leñas, reconhecido como o maior centro internacional de esqui da América do Sul. A estrada deve ser percorrida com cuidado, pois nessa época do ano não é raro encontrar parte do asfalto coberto por lisas e traiçoeiras camadas de gelo. A espera da temporada de inverno que começa no próximo dia 16, a vila se prepara para receber os turistas, com operários trabalhando por suas pequenas ruas e prédios.
No caminho para Las Leñas existem dois pontos turísticos que também não podem deixar de ser visitados: “Pozo de Las Ánimas” e a “Laguna de La Niña Encantada”. O primeiro é uma singular formação geomorfológica que consiste em um grande poço de formação circular com uma incrível lagoa de água doce e cristalina no fundo.
Já o segundo, a "Laguna de la Niña Encantada", é um espelho de água cristalina rodeado por rochas vulcânicas que abriga grandes e belas trutas.
Ainda em Malargue aproveitei para fazer um passeio a cavalo até o dique Blas Brisoli, um belo lugar para admirar o entardecer.
Deixando Malargue me aventurei em 750Km de estrada, sendo 170Km de pura terra, até Junin de Los Andes em 09:30h de viagem. Junin não tem muito apelo turístico, mas mesmo assim fiz um dos seus circuitos turísticos, indo conhecer o lago Tromen dentro do Parque Nacional Lanín. Fui surpreendido por uma desagradável chuva que aliada ao frio, aos fortes ventos que superavam os 50Km/h e a lama do parque que quase me levou ao chão mais de cinco vezes me ajudaram a decidir levantar “acampamento” e baixar para San Martin de Los Andes.
Cheguei ontem a San Martin com muita chuva e a previsão para os próximos dias é de neve. Por enquanto a chuva constante não incentiva muitos passeios, mas assim que o tempo melhorar saio da “toca” para explorar a região. San Martin de Los Andes possui uma estrutura turística muito mais desenvolvida que Junín, sendo assim uma agradável cidade para esperar com calma uma melhora de clima.
Um grande abraço e boas estradas.
Rodrigo Ventura
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MOTO, VINHOS E CANIONS
Moto, Vinhos e Canions
Por Expedições Solitárias no dia 01/06/2007 às 17h55
Já tinha passado por São Luís, mas durante o encontro de motos pude perceber que realmente só tinha passado. As caravanas organizadas pelos Veteranos Del Camino M.C., responsáveis pelo encontro, mostrou um outro lado da cidade, o lado de lindas paisagens desenhadas por altas montanhas e grandes lagos.
Passeio de moto em San Luis
Foram três dias de confraternização com shows, jogos e muita conversa fora. Mais uma vez fui muito bem recebido por todos e posso dizer que me senti em casa.
Recebendo a placa do presidente do Veteranos Del Camiño
No domingo deixei San Luís em direção a San Rafael, 270 Km ao sul. A viagem foi complicada, pois, no mesmo dia, entrou uma frente polar com ventos fortes e temperatura bem reduzida, gerando uma sensação térmica bem abaixo de zero. Cheguei ao meu destino com as mãos enrijecidas e muito doloridas, mas nada que um bom banho quente e um capuccino não curasse. A previsão é que a temperatura se mantenha baixa até quarta-feira, voltando a cair no domingo com a chegada de outra frente polar, sendo assim decidi ficar na cidade até quinta e aproveitar a elevação dos graus para viajar.
Reservei a terça-feira para conhecer algumas vinícolas e uma produtora de azeite de oliva de San Rafael. Primeiro visitei a Suter, fundada em 1897 por um casal de suíços, tendo hoje uma produção de 7.500.000 litros do precioso líquido que é exportado para países como México, Canadá, Uruguai, Estados Unidos, Paraguai, Espanha e o nosso querido Brasil.
Seguindo pela estrada a próxima parada foi na primeira produtora de azeite de San Rafael, fundada em 1943, a Yancanelo. A fábrica conserva um interessante museu com os primeiros maquinários utilizados para produzir o azeite extra-virgem. Pude experimentar e realmente comprovar a fama do produto.
Antiga moedora de frutos para a fabricaçao de azeite
Ainda não tinha visitado uma produtora de espumante nessa viagem e por isso segui até chegar na bodega Bianchi, fundada em 1931 por um imigrante italiano. Entre vinhos e espumantes, concentra uma produção anual de 15.000.000 de litros e recebe em média 90 mil turistas interessados em conhecer suas instalações. Tive acesso a lugares abertos apenas ao pessoal interno e pude comprovar a seriedade do trabalho dessa imensa vinícola.
Entrada da Bianchi
Deixando um pouco o vinho de lado, ou acabo sendo tachado de “aventureiro borracho”, na quarta tirei o dia para fazer o principal circuito turístico natural da cidade, o Vale Grande via Cânion Del Atuel, um belíssimo passeio de 160Km. Uma estrada estreita e muito pouco movimentada beirando um rio de água esverdeada acompanhado por imensas paredes de pedra. Que lugar lindo!!! Logo o asfalto deu lugar a terra, entrei então em um caracol que me permitiu observar um dos grandes diques, rodeado por enormes montanhas, de cima. Que paisagem linda... Seguindo caminho entrei de fato no cânion. Estava sozinho no meio do nada em uma estrada de terra que beira um lindo rio de águas geladas e cercado de imensas paredes de pedra. Simplesmente fantástico!!! O Cânion Del Atuel é um dos poucos no mundo que oferecem ao visitante a oportunidade de passar literalmente por dentro e ainda beirar o rio, ou seja, um lugar imperdível.
Primeiro dique do Valle Grande
Ontem deixei San Rafael e a tarde cheguei em Malargue, 180Km ao sul No caminho, descendo pela famosa “ruta 40”, senti um calafrio ao avistar as montanhas cobertas de neve e zonas nebulosas que indicavam nevasca em grande parte dos picos. Conforme avançava torcia apenas para que a nevasca ficasse apenas nas montanhas e felizmente assim foi. Em Malargue a temperatura estava em agradáveis 4 graus e aproveitei para dar uma volta pela cidade para conhecê-la.
Hoje fui visitar a caverna das bruxas e outros pontos turísticos da região, mas isso eu conto na próxima semana.
Um grande abraço e boas estradas,
Rodrigo Ventura
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ESQUENTANDO OS MOTORES
Esquentando os Motores
Por Expedições Solitárias no dia 24/05/2007 às 15h18
Livre da infecção de garganta pude ter uma semana digna da expedição, com caminhadas, passeios e bons vinhos. Na última sexta-feira fui até Maipú para conhecer algumas vinícolas. Visitei as duas mais famosas da região, as centenárias Lopes e La Rural, onde pude degustar bons vinhos e conhecer de perto o processo de fabricação desse líquido sagrado. As duas são muito grandes, porém a La Rural sempre teve um foco maior em exportação e por isso produz, até hoje, vinhos de excelente qualidade, além de oferecer um inesquecível passeio em seu museu do vinho, uma verdadeira viagem no tempo.
Bodega La Rural, excelentes vinhos
A Lopes também produz vinhos excelentes, mas diferente da La Rural, possui linhas para consumo interno, com mais baixa qualidade e linhas para exportação de alta qualidade. Para o meu aniversário, em julho, comprei um da safra de 1987, um vinho de guarda com preço bem convidativo. Mal posso esperar a hora de degustá-lo...
Bodega Lopez, essas garrafas sao da guarda especial de 20 anos. Comprei uma, mas só abrirei em uma da especial...
No final de semana resolvi curtir um programa tipicamente mendozino: passar a tarde no parque General San Martin, sentado na grama na companhia de um bom livro, um vinho e um mate. No domingo, quando tem sol, o parque fica cheio de pessoas caminhando, correndo, jogando futebol, ou simplesmente sentadas da grama aproveitando o final do calor que em pouco tempo dará espaço ao frio.
Domingo no parque General San Martin
No sábado também fui ao show de uma banda de rock uruguaio que está em turnê e passou por Mendoza, La Vela Puerca. Gostei muito da música quando escutei pela primeira vez em Atlântida e tive a sorte de poder conferir o show, foi muito bom.
Na terça fui dar uma "voltinha"... Fui até a alta montanha, bem próximo a fronteira com o Chile, a 3200 metros de altitude. A paisagem é de cair o queixo. Não sabia se olhava para a estrada ou se olhava para as montanhas. Uma estrada entre a cordilheira com uma estonteante combinação de cores. O verde claro de uma vegetação que ainda resiste ao frio, o marrom avermelhado da terra, o marrom claro das folhas secas do outono, o azul do céu e o branco da neve cobrindo os picos das montanhas a oeste. Por mais que tente descrever, jamais conseguirei colocar em palavras a emoção que estava sentindo, emoção essa que era capaz de me distanciar do frio que a esse ponto já fazia parte do cenário. Nas mãos tinha a sensação de estar segurando cubos de gelo, mas isso não importava, realmente não importava...
Parei primeiro em Penitentes, local de trabalho do meu amigo Darío, porta de entrada do parque do Aconcágua e uma importante estação de esqui que se prepara para receber os turistas que chegam a partir de 15 de junho, quando começa a temporada.
Penitentes, a espera dos turistas e da temporada de inverno
Seguindo adiante parei na ponte Inca, uma maravilha construída pela natureza e utilizada pelos povos antigos para cruzar o rio com suas mercadorias em direção ao Chile. Fiquei admirado com a perfeição da obra.
Ponte Inca, dá uma olhada nas cores...
Um pouco mais a frente chegamos a um ponto de visualização do Aconcágua, mais próximo do que o outro que tinha passado com o Dario. Olhando de onde estava a impressão é que não passa de mais uma montanha a ser conquistada facilmente, mas todos sabem que não é assim. O Aconcágua, por trás de sua rara beleza, tem vida e guarda também muitas outras vidas de aventureiros que o desafiaram.
Aconcágua, simplesmente fascinante!!!
Nesse passeio cheguei a 3200m de altitude, o recorde na expedição até agora e vi como será importante deixar minha princesa mais leve para poder seguir viagem com segurança. Deixo algumas coisas na casa do Darío para pegar depois e amanhã sigo para San Luiz onde terá um grande encontro de motos. Possivelmente no domingo começo a descer em direção a Bariloche e que venha o frio...
Um grande abraço e boas estradas,
Rodrigo Ventura
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CALMARIA EM MENDOZA
Calmaria em Mendoza
Por Expedições Solitárias no dia 18/05/2007 às 11h27
A semana que passou posso considerar como uma semana de calmaria. Não que eu quisesse, muito pelo contrário, mas minha saúde ficou abalada por conta do vento frio na moto. Aquele gelo todo da serra não me fez bem!!! Quinta e sexta não fiz nada, a não ser curtir um pouco da noite de Mendoza, no sábado já acordei com uma dor de garganta forte que piorou no domingo, depois de uma breve aventura. No domingo a noite fiz o primeiro episódio de febre, durante a madrugada veio o segundo, na noite de segunda o terceiro e na madrugada o quarto. Não tive outra opção a não ser entrar no antibiótico e reforçar as vitaminas, pois não conseguia engolir nenhum tipo de alimento sólido. Ontem já amanheci bem melhor, com uma dor muito ao longe e sem episódios de febre. Parei minha Princesa e decidi andar só quando estiver bem, pois não estou com a mínima vontade de fazer um tour pelos hospitais mendozinos.
Rodrigo Ventura
Mas vamos a última aventura antes da minha "licença médica"!!! No domingo, por volta das 13:00, o Darío, o amigo argentino que conheci em Córdoba, passou no albergue para darmos uma volta de moto, aproveitando o dia de sol. A idéia era rodar 65Km e ir até Villavicencio, um antigo balneário termal que hoje encontra-se desativado, mas mantém uma paisagem digna dos melhores cartões postais, voltando bem antes do anoitecer.
Já na ida bem na nossa frente, um carro vindo em sentido contrário quebrou o eixo e por sorte estava muito devagar, não causando um acidente. Paramos no meio do nada para ajudar a família que estava no carro e só saímos quando conseguimos parar um carro que tivesse um bendito celular que pegasse naquele lugar. O caminho era realmente lindo, principalme