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Relatório aponta mais de 2,5 mil casos de acidente de moto em AL

Fabyane Almeida – Estagiária*

Alagoas (AL) – Maior mobilidade, fugir de engarrafamentos, preço mais baixo e economia nos gastos com manutenção e combustível são alguns dos atrativos para quem compra uma motocicleta. O que muitos esquecem é do risco que esse veículo trás, atrelado com à imprudência. Com o aumento da frota, a moto se tornou a segunda maior causa de acidentes de trânsito em Alagoas. Poucos são os casos onde as vítimas conseguem se recuperar e sair sem nenhuma sequela.




Este motociclista avançou o sinal vermelho numa rua de Maceió e foi atingido por um veículo (Foto: Larissa Fontes)

De acordo com dados divulgados pelo Hospital Geral do Estado (HGE) no ano de 2010 aconteceram 2.513 acidentes envolvendo motos, superior aos 2.435 que ocorreram no ano passado. O maior número de ocorrências acontece no domingo, com homens de 25 a 34 anos de idade no horário das 18 h às 21h, quando aumenta o fluxo de veículos nas ruas de Maceió.

Para o diretor geral e Cirurgião do HGE, Carlos Gomes, moto é significado de insegurança. “Hoje só existe dois tipos de motoqueiro o que caiu e o que ainda vai cair. Andar de moto é muito inseguro. A motoneta, que anda abaixo de 50 cilindradas, é vendida a qualquer um, não é necessário ter conhecimento das leis de trânsito, nem usar equipamentos de segurança, o que acaba sendo uma das grandes vilãs desse alto índice. Algumas pessoas ainda usam como meio de transporte para a família de três, até quatro pessoas colocando a vida em risco”, disse Carlos Gomes.

Primeiros cuidados após o acidente

Na maioria das vezes vítimas desse tipo de acidente chegam ao hospital com politraumatismo, múltiplas lesões pelo corpo, fratura no ante braço, bacia, membros inferiores, principalmente no femo e tíbia. “Os pacientes passam primeiro pela área vermelha para ser examinado pelo cirurgião, em seguida é encaminhado ao ortopedista, onde é examinado fisicamente, para depois tirar um raio–X. Se for identificado fratura exposta é encaminhado ao centro cirúrgico para que seja feito o primeiro atendimento e afixados os fixadores externos”, relatou o ortopedista e diretor médico do HGE, Rogério Barboza. “Após os procedimentos legais o paciente espera para ser transferido para algum hospital da rede”.

Segundo o ortopedista trauma é algo sofrido pelos jovens que são mais atirados. ”Os jovens por terem a ‘necessidade’ da adrenalina acabam excedendo o limite de velocidade e após o acidente acabam ficando com trauma. Primeiro nós tentamos salvar a vida do paciente, depois salvar o membro afetado, o que nem sempre é possível fazer”, explicou o médico Rogério Barboza.

Superação faz parte da mudança

Estar certo no trânsito não significa estar imune de se tornar uma vítima de acidente. Assim aconteceu com o jovem Tiago Alexandre Gomes, de 27 anos, o acidente teve uma consequência grave. Na manhã do dia 13 de julho de 2008 o jovem seguia para o médico no momento em que foi surpreendido por um veículo na sua frente, por não ter como desviar acabou batendo e teve uma fratrura na vértebra C3 com pressão na medula e isso o deixou tetraplégico.

Segundo Alexandre o acidente aconteceu muito rápido sem dar tempo para frear a moto. “Foi o tempo de virar a cabeça e quando olhei o carro já estava na minha frente e não tive como evitar. Tentei me levantar mais não sentia o corpo o tempo foi passando e a sensação foi piorando. O socorro demorou cerca de 15 minutos para chegar e se eu não tivesse sido bem atendido as sequelas poderiam ser ainda piores”, relatou o jovem.

EPI pode salvar vidas

Com o aumento da frota de motos, há também um aumento do número de acidentes. Segundo o sargento Oseas Néri, do Corpo de Bombeiros, a pressa é o que tem gerado a maioria dos acidentes. “A maioria das ocorrências acontecem com os entregadores e motoboys, porque sempre andam com muita pressa para sair dos engarrafamentos. Alguns são imprensados entre os carros ou avançam o sinal vermelho”, disse o sargento.

De acordo com o diretor geral do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Maceió, José Cleber Santana, o maior número de acidentes no ano de 2010 ocorreu entre carro e moto. “Ano passado ocorreram cerca de 694 acidentes entre carro e moto. O SAMU realiza cerca de 4 atendimentos diários a motoqueiros, que caem, batem em bicicleta, em outra moto e na maioria das vezes em carro”, explicou.

O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) é necessário aos que andam de moto.”Ainda tem pessoas que insistem em transportar crianças em cima do tanque de combustível e sem o mínimo de segurança e sem capacete”, afirmou José Cleber.

*Sob a supervisão da Editoria de Cidades

FONTE: http://www.ojornalweb.com/2011/01/09/2010-relatorio-aponta-mais-de-25-mil-casos-de-acidente-de-moto-em-al/

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