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Motociclistas prometem acionar Ministério Público por motofaixa

Associação Brasileira de Motociclistas quer obrigar Prefeitura de São Paulo a adotar medidas para reduzir o número de acidentes envolvendo motos na cidade. Sindicato da categoria tem proposta para a criação de uma rede de pistas exclusivas

Por Ivo Patarra - Diário SP

São Paulo (SP) – O presidente da Associação Brasileira de Motocicletas, Lucas Pimentel, anunciou nesta quarta-feira que a entidade está elaborando estudos técnicos para entrar com ação no Ministério Público, com o objetivo de obrigar a Prefeitura a tomar medidas que diminuam o número de acidentes envolvendo motocicletas na Capital paulista. "É um massacre dos inocentes", resumiu Pimentel.



De acordo com dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), morreram 428 motociclistas em 2009. Os números de 2010 não foram divulgados, mas, além dos mortos, muitos jovens ficam com sequelas permanentes em consequência de acidentes. De qualquer forma, a CET garante que as estatísticas registram também aqueles que vieram a morrer após a internação em hospitais. Há envolvimento de motocicletas em três de cada cinco colisões com mortos na cidade.

Especialistas apontam a criação de motofaixas como solução para acabar com a disputa por espaço entre automóveis e motocicletas. A Prefeitura, porém, não previu recursos no orçamento de 2011 para a implantação de novas vias exclusivas para motos. Em sete anos, a administração municipal entregou apenas duas motofaixas, com um total de 12,8 quilômetros - a da avenida Sumaré, na Zona Oeste, com 6 quilômetros, e a da Vergueiro/Liberdade, na Zona Sul/Centro, com 6,8 quilômetros. A cidade tem 15 mil quilômetros de vias.

Para Pimentel, o poder público obtém recursos de impostos como IPVA, DPVAT e da gasolina, dispõe da receita das multas e precisa melhorar a segurança dos motociclistas. "Quem paga a conta da falta de motofaixas, da ausência de segurança no trânsito, sinalização, policiamento e ruas esburacadas?", pergunta Pimentel. "Somos nós, motociclistas, com a própria vida, ou com sequelas permanentes", responde ele.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas na Cidade de São Paulo, Aldemir Martins, também defende as faixas exclusivas. "A motovia é nossa bandeira. Há os recursos do Funset, Fundo Nacional de Segurança de Trânsito, que também podem ser usados para implementar uma rede, como a que nós apresentamos".

A proposta de Martins foi levada à Prefeitura, mas não avançou. Pimentel também reclama da falta de diálogo com autoridades municipais. Para Martins, a rede de motofaixas poderia ser aproveitada como rede de ciclovias nos fins de semana, incentivando o uso de bicicletas para lazer. "Falta vontade política", diz ele. "Mas tem gente morrendo todos os dias e alguém tem de tomar providências".

Segundo a assessoria da Secretaria Municipal de Transportes, a Prefeitura analisa a viabilidade das sugestões recebidas de entidades e mantém estudos para a implantação de motofaixas, dentro de uma visão que proporcione segurança e priorize o transporte público.

Moto-faixa da avenida Sumaré, a primeira de São Paulo

Fabricantes apoiam faixas exclusivas

O presidente da Abraciclo (Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas), Jaime Matsui, reconhece que "as motofaixas são uma medida eficaz de segurança" . Ele diz que "quer contribuir com novas soluções viárias que tragam maior segurança ao motociclista", mas descarta investimentos dos fabricantes na criação de motofaixas, conforme propõe a Associação Brasileira de Motociclistas.

428 Motociclistas mortos em SP em 2009, segundo a Prefeitura

Em 2011, serão 2 milhões de motos

Pela primeira vez, a produção nacional vai ultrapassar 2 milhões de motocicletas. É o equivalente a 5.479 novas motos por dia, ou quase 4 por minuto. Em 2010, a cidade de São Paulo ganhou 100 mil motos, mais de 280 por dia.

O perfil do usuário brasileiro
Ele é em sua maioria homem (75%), de 21 a 35 anos (40%), possui uma moto de até 150 cilindradas (89%) e a usa para substituir o transporte coletivo (40%). Em dez anos, a frota geral do país dobrou de 29,7 milhões para 59,3 milhões. Já a de motos quadruplicou, de 4 milhões para 15,8 milhões.

FONTE: Diário de São Paulo (13/01/2011)

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