Profissão de homem, quê nada
Há quatro anos, a mecânica Sirlene trabalha consertando motocicletas na oficina que possui junto com o marido
15/08/2011 – As motos já foram associadas a adolescentes, irresponsáveis, sem perspectiva de vida e loucos por aventuras. Tudo por causa da sensação de liberdade que o veículo trás aos seus condutores e a forte influência exercida pelo cinema. Porém, enganam-se os que acham que apenas os jovens são atraídos para essa paixão sobre duas rodas.
Cada vez mais pessoas com família formada e carreira estabilizada aderem ao veículo nos momentos de lazer. O empresário Sérgio Francisco Marques, 45, pai de duas meninas e avô é um desses amantes das duas rodas, sua paixão pelasmotos era tão contagiante que até sua esposa acabou aderindo.
Sirlene de Fátima Marques, 43, trabalha há 8 na oficina, acabou gostando da ideia de arrumar motocicletas e de recepcionista acabou se tornou uma das únicas mulheres mecânicas da região. Isso mesmo, ela é mecânica e das boas. Sua única companheira na região é uma barra bonitense, que também é esposa de um mecânico.
Sirlene aprendeu a profissão sem fazer curso algum, sempre com a ajuda e o apoio incondicional do marido. “Começou assim, precisando trocar um óleo, uma peça aqui, outra ali, desmonta isso e assim foi. Com o tempo eu já estava mexendo em quase tudo”, relembra Sirlene que anteriormente trabalhava como doméstica. Embora, no começo, alguns homens que levavam suas motocicletas a oficina fossem contra, o preconceito quase não existe mais. “A maioria das pessoas acha legal. Muitas vezes, os moto taxischegamaqui e se o Sérgio não esta, eu mesma faço. Se precisar troco uma roda ou óleo. Eles até gostam”. O casal sempre vai aos encontros de moto juntos, porém as filhas não participam. “Os meus genros não gostam de moto. Eles adoram, mas só andam na garupa comigo”, explica Sérgio Fernando Marques. O amor pelas motos é tanto que superou até o sonho da casa própria, tão comumentre os casais. “Nós moramos de aluguel, por opção, não temos pressa para ter uma casa própria”, diz Sérgio que já teve um carro, mas voltou às motocicletas.
Infelizmente, nem tudo é fácil na vida desses amantes da moto velocidade. “A paz no trânsito é difícil”, comenta Sérgio, que diz já ter passado por alguns acidentes leves. O problema maior, segundo ele, é que os motoristas de outros veículos dificilmente respeitam as motocicletas.
“Se eles não andam de moto, eles não respeitam. Eles se sentem superiores. Parece que estão com uma armadura de metal e quem é o mais fraco que sofra”.
Agência Bom Dia
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