REFLEXÃO
Banalização da “SEGURANÇA”
Dia desses transitava pela Av. Moreira Guimarães em São Paulo, e ao parar num posto de gasolina para abastecer minha moto, qual não foi a minha surpresa, foi surpreendida pelo frentista que me pediu para descer da moto para abastecer, falei que não desceria em hipótese alguma porque não há nenhuma legislação que me obrigue a fazê-lo.
O funcionário daquele recinto de maneira ríspida caminhou alguns passou em direção a um pilar e apontou para um adesivo que entre outros avisos, informava que o motociclista deveria descer da moto para abastecer.
A estas alturas já havia descido da moto, os frentistas que a princípio ignoraram a minha presença me deixando aguardar cerca de cinco minutos, apareceram juntamente com dois supostos gerentes, certamente para me intimidar.
Questionei a obrigatoriedade, eles me disseram que se tratava de um regulamento interno da empresa alegando “medida de segurança”.
Pedi então um cartão do posto de gasolina, o pedido foi negado, subi na moto e me dirigi ao posto ao lado, aliás, possuidor da mesma bandeira, e prontamente fui atendida e minha moto abastecida. Comentei o ocorrido com esse frentista, ele desconhecia essa norma e que apesar de serem da mesma bandeira os postos eram de proprietários diferentes.
Porque estou contanto isso, o fato é que em nome da “segurança” temos visto uma enxurrada de leis e punições aos motociclistas, que de maneira absurda nos penalizam, não obstante a atual cobrança de pedágios nas rodovias de São Paulo, há eminente tentativa de se aplicar multas para os motociclistas que utilizam o corredor, e agora a exigência de alguns postos de combustíveis onde o motociclista é obrigado a descer, para que a moto seja abastecida.
Pergunto: De que “SEGURANÇA” eles estão falando?
Segurança a integridade física do motociclista ou segurança patrimonial?
Outro detalhe. Será que os órgãos que estão decididos multar os motociclistas por andarem no corredor tem noção do que isso significa em termos de segurança para o motociclista?
Pois, sem o corredor seremos obrigados a andar atrás dos veículos, situação esta que nos deixa totalmente vulneráveis, sendo alvo fácil para acidentes, pois, atrás dos veículos ficamos com o campo de visão comprometido, impossibilitando-nos de visualizar buracos, manchas de óleo e obstáculos na pista, colocando-nos como “sanduíche” entre os veículos, mesmo porque as motocicletas não possuem pára-choques, isso sem falar que até os motoristas que já nos vêem como “intrusos” ficarão ainda mais preocupados com nossa presença em sua retaguarda.
Pense nisso.
Kátia Perugini
Psicóloga e Diretora de relacionamento.
Associação Brasileira de Motociclistas (ABRAM)
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Publicado também na Motoboy Magazine de Junho/07.