Reage, motociclismo
Força
01/06/10 - O ano de 2008 parecia ser o ano da motocicleta no Brasil, e de certa forma foi. Entretanto, a “crise mundial” chegou ao país em meados de setembro, jogando um balde de água fria nas previsões da indústria do setor de alcançar a marca de 2,5 milhões de unidades de motocicletas fabricadas no ano. Diante dos fatos, o número possível foi de 2,2 milhões, o que já representava um importante crescimento, se comparado aos números do ano anterior.
Durante todo o ano de 2009, os esforços para que o setor voltasse à sua força total e debelasse a já instalada crise não surtiram grandes efeitos. Inúmeros projetos foram postergados, empresas em plena fase de expansão simplesmente pararam de crescer, outras literalmente regrediram e algumas simplesmente deixaram de existir.
Então, veio o tão esperado ano de 2010, contudo, de início, não houve sinais de efetiva retomada do crescimento, restava-nos lançar nossas expectativas para o já conhecido pós-carnaval. Porém, mais uma vez nada. Finalmente estamos em maio, agora que vislumbramos a metade final do primeiro semestre do ano e as coisas começam de fato a andar. Lembrei-me então do conhecido pensamento: “Enquanto alguns choram, outros aproveitam para vender lenços”, o que não coaduna com o pensamento de um pessimista.
No seres humanos, observamos três tipos diferentes: o pessimista que diz “Esse vento não é sinal de coisas boas”; o realista que diz “Esse vento trará chuvas”; e o otimista que ajusta as velas e se lança ao mar. Assim cada um tem uma reação diferente diante das mesmas circunstâncias da vida.
Sei que não é fácil. A tendência natural é nos recolhermos e desanimarmos, mas esse não é o melhor caminho. Se fosse fácil todos fariam, mas vencedores são aqueles que em meio a dificuldades, guerras e crises vislumbraram algo que a maioria das pessoas não viu, daí serem chamadas de visionárias.
O sábio Salomão disse em um de seus escritos: “Tudo nesse mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião. Há tempo para todo o propósito debaixo do céu: Há tempo para nascer e para morrer; tempo para plantar e tempo de arrancar; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir; há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar; tempo de chorar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de juntá-las; tempo de abraçar e tempo de afastar; há tempo de procurar e tempo de perder; tempo de economizar e tempo de desperdiçar; tempo de rasgar e tempo de remendar; tempo de ficar calado e tempo de falar. Há tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz”.
Sinceramente, acredito que agora é tempo de retomar projetos, estabelecer novas fronteiras, sair do comodismo, ousar, reinventar. Assim como a nossa amada motocicleta que resistiu a crises econômicas, crise do petróleo, guerras, falências de seus inventores, diversas formas de preconceitos, ataques, investidas, passou por várias mudanças, incorporou inovações e tecnologias e continua sendo o nosso objeto de paixão.
Então, seja você é um motociclista usuário, profissional, militar, esportista ou estradeiro, seja você um profissional liberal, empresário, executivo, assalariado, aposentado ou desempregado, é tempo de reagir, avançar, planejar e executar. Foi o que inteligentemente fez um dos personagens da clássica história do livro “Quem mexeu no meu queijo”. Então vamos lá, antes que a “crise” que começa a se agravar na Europa se instale por aqui, dando início a um novo período de caos, movimente-se e vá ao encontro de novos desafios e realizações.
Pensemos então sobre isso!
Lucas Pimentel , 41 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN.
Tel. (11) 3338-2872 ou 2771-5590
E-mail: pimentel@abrambrasil.org.br