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Palavra do presidente

O Motociclista e a "ONDA"

Surf em duas rodas

03/08/10 - Rafael era mesmo um rapaz diferente de seus amigos, era obstinado e tinha um grande sonho, entrar no circuito mundial de Surf. Para isso trabalhou muito a fim de juntar a grana necessária que lhe permitisse morar, ainda que por pouco tempo, no arquipélago do Havaí, estado Americano onde os melhores surfistas do mundo treinam. Além de surfista, Rafael também tinha duas outras paixões, sua queridíssima namorada Amanda e sua inseparável motocicleta. Assim, sempre ao lado de sua gata, dividia o tempo sendo motociclista e surfista. Não foi fácil, mas, ele conseguiu criar um meio de levar sua prancha na moto e isso de longe parecia uma capota.

Segundo os seus amigos, o rapaz além de ser gente boa, realmente era bom nas manobras aquáticas. Rodava o país inteiro atrás de boas ondas, o que lhe rendeu reportagens nas revistas nacionais de surf. Mas, alguma coisa lhe dizia que no Havaí encontraria a onda perfeita e sua estrela brilharia. O fato é que ele correu atrás de seus sonhos e finalmente lá estava ele no Havaí. Entretanto, sua vida lá não era fácil, afinal não estava ali para “curtir” férias. Estava em busca de um sonho, a onda por meio da qual poderia mostrar sua tremenda habilidade para o surf, como ele sempre gostava de dizer: “a onda perfeita”.

É certo que ele fez grandes amizades, se entrosou rapidamente, mas o que chamava a atenção de todos era a sua determinação, ele acordava cedo, se alimentava, caminhava, corria e depois já estava nas águas do pacífico, treinando repetidas vezes manobras conhecidas, porém com algumas variações que somente ele ousava fazer. Enquanto alguns praticantes desse esporte radical seguiam a máxima de que “quanto maior a onda, maior o tombo”, Rafael até nisso se diferenciava, ficava ali esperando sempre pela maior onda e aí dava o seu show. Acreditava e torcia para que no momento da bateria de classificação viesse uma onda que lhe favorecesse para demonstrar seu potencial. E isso realmente aconteceu, ele foi tão bem que ficou entre os primeiros, estava muito bem cotado para consagrar-se campeão daquela etapa e certamente brigar pelo título do campeonato mundial, pois havia caído nas graças da galera. Fora do mar a cena se repetia em todos os lugares, sua linda namorada e sua bela e tunada motocicleta.

Finalmente o dia “D” chegou, os repórteres o assediavam, todos queriam falar com o prodígio das águas, ele de maneira simples e sempre bem humorada atendia a todos enquanto aguardava o início da competição. O dia estava lindo, o público compareceu em massa e Rafael só tinha uma coisa em mente: precisava da onda perfeita para dar o seu espetáculo. Finalmente chegou o momento, iniciaram as baterias, ele sabia que a qualquer instante seria a sua vez, beijou sua namorada, entregou as chaves da moto e entrou no mar preparando-se para a apresentação. O mar estava atípico, mas ele estava tranquilo com o que via dos outros competidores, confiando que poderia fazer melhor.

Agora era o momento, iniciava a contagem regressiva, ele teria duas ou três oportunidades, mas ficou esperando para protagonizar aquela onda perfeita com que sempre sonhou, desejando impressionar com uma única apresentação. Veio então uma onda muito boa e todos acreditavam que ele surfaria, entretanto, ele não foi, surgiu então outra daquelas que só aparece de vez em quando, tinha uns 60 pés, era a maior de todas, ele acreditou tratar-se da onda perfeita, respirou fundo e surfou a onda, dropou reto, fez a curva e a parede armou na frente, o único caminho era o tubo, não se intimidou, foi em frente. Ainda à vontade, confiante, dando um show no salão azul turquesa, não restava dúvida, ele havia nascido para aquilo.

Contudo, de repente foi engolido por aquela onda gigante bem no final de sua apresentação até então perfeita. Ele não venceu naquele dia, mas, não desistiu de seu sonho, tempos depois se sagrou campeão, tendo aprendido que possuía habilidade para realizar suas manobras, e dar um show independente da “onda”.

Aprendemos com essa lição que o ótimo é inimigo do bom. Valorizemos o nosso potencial e não superestimemos demasiadamente nada.

Pensemos nisso!

Lucas Pimentel , 41 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN.
Tel. (11) 3338-2872 ou 2771-5590
E-mail: pimentel@abrambrasil.org.br


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