Tarde de mais?
Quantos ainda vão sofrer?
06/04/2011 - Hoje, através de todo aparato das equipes do telejornalismo, muitas vezes somos surpreendidos como telespectadores, com situações reais que estão ainda acontecendo, um exemplo disso, é o caso das duas mulheres que lamentavelmente caíram com o automóvel no Córrego Aricanduva, na Zona Leste da cidade de São Paulo, onde foi possível assistir o valoroso trabalho do Corpo de Bombeiros, em exaustivas idas e vindas, até resgatar a primeira vítima, e angustiantes minutos depois o resgate da segunda vítima que infelizmente vieram a falecer.
Ali ficou muito claro que a simples colocação de defensas metálicas no local evitaria que tal tragédia tivesse acontecido. Em relação a essas vítimas é tarde de mais, entretanto, isso deve ser feito imediatamente. Talvez alguém dirá que há estudos técnicos que apontem para esta necessidade, mas a pergunta que eu faço é: se fizeram estudos para verificar a potencialidade de ocorrências deste gênero no local?
Recentemente participei de um evento sobre segurança viária e fiquei surpreso ou ouvir o representante do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), dizer que um estudo detectou cerca de 2.500 pontos de vulnerabilidade nas estradas brasileiras sobre concessão Federal.
Passou da hora de se pensar a segurança viária como algo premente, ou será que os cidadãos americanos, europeus ou japoneses, têm mais valor que o brasileiro?
Passou da hora dos deputados, senadores, se unirem de fato a frente parlamentar pelo trânsito seguro, para priorizar projetos voltados à educação e segurança no trânsito, sendo também imprescindível que dêem atenção especial a segurança do motociclista no trânsito.
Passou da hora da sociedade brasileira encarar de fato como propõe a Organização das Nações Unidas (ONU) que essa década seja um marco na mobilização pela segurança no trânsito. Poder público, iniciativa privada, terceiro setor, e a sociedade unida por um fim comum. Certamente que para milhares de famílias destruídas pela fatalidade viária ainda será tarde demais.
Quantas crianças poderiam ainda estar brincando em nossas praças e jardins? Quantos adolescentes poderiam estar se desenvolvendo irreverente, mas harmoniosamente em nossas escolas? Quantos jovens poderiam seguir passos largos rumo ao futuro que os esperava? Quantos pais poderiam ainda estar retornando para casa para a tranquilidade de sua prole?
Vamos todos em respeito a esses milhões de brasileiros, que não estão mais entre nós, assumir uma postura de segurança no trânsito. Vamos nos envolver com os processos de aprimoramento de nossa sociedade em busca de mais segurança viária, segurança veicular, segurança pessoal, e isso é urgente, antes que, também para um de nós, seja tarde de mais.
Pensemos sobre isso!
Lucas Pimentel , 42 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro do CONTRAN.
Tel. (11) 3338-2872
E-mail: pimentel@abrambrasil.org.br
www.abrambrasil.org.br
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