O MOTOCICLISTA E O JOGO DE INTERESSES - Parte 1
09/09/2011 - Sempre que participo de uma discussão em torno do assunto: “Segurança do motociclista no trânsito”, percebo que sutilmente o que norteia as manifestações em torno do tema é o que chamo de “jogo de interesses”.
Então vejamos: A disputa do espaço das vias públicas, que em linhas gerais se dá entre condutores dos mais variados veículos e pedestres, na verdade é uma “batalha campal” travada dia a dia por setores econômicos poderosíssimos. Eles usam, por exemplo, as ocorrências de trânsito envolvendo motociclistas como base de seus discursos colocados propositalmente nas bocas de pessoas muito bem remuneradas por eles, para se posicionarem enfaticamente na defesa de um basta para essas ocorrências, a todo custo e doa a quem doer, mas, não porque estejam preocupados com a vida dos motociclistas ou porque queira de fato melhorar a segurança dos motociclistas no trânsito.
O que de fato estão fazendo é defender determinados setores econômicos que vêem seus interesses ameaçados pelo crescimento do uso da motocicleta em nosso País.
Um bom exemplo disso é a defesa que se faz do transporte coletivo de passageiro, como se o mesmo fossa a oitava maravilha do mundo. Não que sejamos contrários ao uso desse transporte, mas não se pode defendê-lo cegamente ignorando a realidade dos fatos.
O valor individual cobrado no transporte coletivo é muito caro, o serviço prestado é ineficiente, e se o pessoal que tanto defende o uso transporte coletivo fizesse uso no seu dia a dia tudo bem, mas não fazem, ganham para defender tacitamente o que não usam.
Faço uso de motocicleta para lazer e no meu deslocamento casa / trabalho, um dia desses em razão do frio e chuva, resolvi deslocar-me usando o tão defendido transporte coletivo. Pois bem, gastei muito mais tempo, e gastei três vezes mais do que gasto diariamente de gasolina, isso sem falar no desconforto absurdo.
Alegam os defensores do transporte coletivo, que enquanto uma moto leva duas pessoas e ocupa um determinado espaço da via pública, um coletivo usa um espaço maior, mas leva muito mais pessoas.
Até aí tudo bem, o problema é que o valor cobrado pelos empresários deste setor é muito elevado e somado a ineficiência do serviço, leva cada vez mais pessoas adotarem a motocicleta como o seu veiculo de locomoção principalmente casa / trabalho cerca de 45% das pessoas que compra moto é para esta finalidade, mesmo porque o que qualquer trabalhador brasileiro gasta de transporte coletivo por mês.
Ele paga a prestação de uma moto com a qual se deslocará mais rápido e isso sem fazer loucuras, e ainda tem um veículo para outros deslocamentos, por exemplo, no final de semana e ainda tem um pequeno patrimônio. Então se querem estimular o uso do transporte coletivo, melhorem a qualidade dos mesmos e diminuam o valor dos bilhetes antes de pretender execrar o uso da motocicleta.
Pensemos nisso!
Lucas Pimentel , 42 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro do CONTRAN - Conselho Nacional de Trânsito.
Tel. (11) 3338-2872
E-mail: pimentel@abrambrasil.org.br
www.abrambrasil.org.br
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