O Motociclista e a honra
Caráter acima de tudo
11/08/10 - Ao falar desse assunto, lembro-me imediatamente da frase proferida repetidas vezes pelo saudoso jornalista Paulo Francis: “O trabalho enobrece o homem, o problema é que depois que o homem se sente enobrecido não quer mais trabalhar”. Assim, muitas vezes, uma determinada pessoa trabalha sério até conseguir chegar ao patamar pretendido, entretanto, depois que chega lá, vai aos poucos esmorecendo e se entregando ao jeito da maioria das pessoas de fazer as coisas, e isso não é nada bom. Pois, mesmo que se esteja em um patamar “seguro” em termos de estabilidade, não é incomum ver grandes conglomerados, grupos, ou castelos ruírem.
Eu sei que pra muitos, dizer que sim e depois dizer não é algo até corriqueiro no relacionamento profissional, mas, definitivamente não é essa a postura que se espera de pessoas que representam grandes grupos ou empresas. Pelo menos dessas pessoas esperamos sempre algo mais, pois se não honram a palavra proferida será que honram compromissos assumidos? Sem dúvida alguma é preciso ter ética no trato com as pessoas e ter honra para se sobressair em um mundo capitalista como o nosso.
Nas escrituras sagradas, precisamente no livro de Salmos, encontramos uma expressão que coloca determinadas pessoas tidas como ilustres em situação muito ruim: “Sete vezes feliz é aquele que empenhando a sua palavra mesmo com prejuízo não volta atrás”. Retrógrado alguém diria. Será? Se coloque no lugar daquele para quem você esta dizendo sim, mas, decididamente depois dirá não. Chame isso do que quiser chamar, mas, jogo sujo é o nome mais apropriado para essa canalhice.
Às vezes fico com a seguinte dúvida: essas atitudes imorais, praticadas por determinados executivos, é algo individual? Ou trata-se, na verdade, de uma política da empresa? Pergunto isso porque considero repugnante a campanha de marketing que algumas empresas fazem para construir uma imagem de empresa idônea perante o público, mas, na prática, no dia a dia, ao empregar sua política de mercado, são implacáveis e muitas vezes desleais com seus clientes preocupando-se tão somente em vender-lhe um produto e depois na pós-venda, ele é que procure os seus direitos.
É por isso que precisamos sempre de mais pessoas corajosas para denunciar a trama suja dessa gente que quer ser honrada por seu tamanho, pelo seu tom de voz, pelo poderio econômico, mas, não tem de fato honra. Em muitos casos se a pessoa que iniciou o negócio fosse viva, certamente se envergonharia da atitude desses que hoje dão continuidade ao império construído com muito suor, empenho, lágrimas e honra.
Que isso nos sirva de lição, embora muitas vezes pareça clichê: “Sou pobre, mas, sou limpinho”. Entretanto, no fundo, isso quer dizer que não é demérito nenhum não ter tanto dinheiro como determinadas pessoas fazem questão de demonstrar que tem. Demérito é ter dinheiro de maneira fraudulenta e desonrosa. Pode ser, sim, mais difícil e penoso, mas, de fato o trabalho realizado ao longo dos anos com seriedade, honestidade, empenho e dedicação enobrece o homem. Muitos que decidiram encurtar esse caminho, até conseguiram destaque por um período de tempo, mas um dia sua sujeira vem à tona e são desmoralizados, por isso é melhor ser persistente e jamais abrir mão da honra.
Pensemos seriamente nisso.
Lucas Pimentel , 41 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN.
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