Velhotes MC
Uma turma que verdadeiramente tem histórias para contar e que merece o nosso respeito.
13/11/09 -
Sei que a rapaziada definitivamente faz parte do motociclismo nacional, é enorme a quantidade de motociclistas na faixa etária dos 20 a 30 anos, mas, hoje quero dedicar algumas linhas à geração dos veteranos. É isso aí, o pessoal da terceira idade, os “sessentões”, “setentões” e “oitentões” de plantão, uma turma que verdadeiramente tem histórias para contar e que merece o nosso respeito, é legal ver esses caras na estrada.
É legal encontrá-los nos eventos, é muito bacana ver a amizade dessa turma do “cabelo grisalho” e o respeito entre eles, mas o admirável mesmo é o amor pelo motociclismo.
Muitos deles estão tranqüilos financeiramente, trabalharam muito, se esforçaram bastante e agora podem usufruir, investem o que economizaram ao longo dos anos numa bela máquina: a motocicleta dos sonhos. Investem uma boa grana em equipamentos e acessórios, reservando é claro uma quantia significativa para alimentação saudável e conforto nas acomodações, no entanto, não vejo neles atitude snobe, são acessíveis, são motociclistas de verdade, no rosto as marcas do tempo, no peito uma enorme vontade de viver, na mente lembranças e planos, no dia a dia atitudes de quem sabe construir e valorizar uma boa amizade.
É comum observar a diversidade entre eles, alguns como garotões preferem as esportivas e outros ainda que por pura opção, as motocicletas custom, seja como for, tanto num grupo como no outro é possível ver motocicletas top e “antigonas” de respeito, se o assunto é tipo físico, vemos de tudo, desde os tradicionais baixinhos, barrigudos e carecas, como os que ostentam boa forma e os que estão justamente entre uma coisa e outra, uns estão sempre com a tradicional companheira e co-piloto, outros sempre acompanhados, há aqueles que por diferentes razões viajam na moto sozinhos, enquanto outros preferem o ambiente familiar, acolhendo no grupo filhos, noras, genros, sobrinhos e até netos.
Literalmente viajam o país inteiro e ainda cruzam fronteiras fortalecendo o motociclismo e o mototurismo mundial, muitos deles outrora oficiais de alta patente, profissionais liberais, empresários, agora são aventureiros do bem, da paz e da amizade, é justamente assim que quero ficar quando chegar à melhor idade, deixando a minha dama descansando na sombra, ter meus finos de cabelos brancos protegidos por uma bandana e abraçar cada um dos meus amigos ouvindo um bom rock and roll.
Esse é um quadro do motociclismo que eu curto e acredito, formado de pessoas de bem e bem intencionadas, fico preocupado cada vez que um velhote se vai, pois é um a menos a dar bons exemplos, é um a menos a ensinar o valor da amizade, é um a menos como referência do motociclismo de verdade e um a menos a nos lembrar de como tudo começou.
Sei que a nova geração é capaz de coisas incríveis e que de certa forma contribuirá para o desenvolvimento do motociclismo, basta ver o que Eric Granado, Estefany Serrão, Jorge Negretti, irmãos Bergaminho e Joaninha estão fazendo por aí, entretanto, há determinadas coisas que não podemos abrir mão, e nesse espírito lembro-me da frase: ”Se o velho pudesse e o jovem soubesse, não havia nada que eles não fizessem”.
Vamos unir a criatividade e força da nova geração com o conhecimento dos veteranos e aí certamente teremos um motociclismo ainda mais excepcional, então viva a galera que popularizou a motocicleta, a nova geração, mas, viva, viva, viva mesmo os velhotes que enfrentaram os preconceitos para que o motociclismo chegasse até nós.
Pensemos muito bem nisso!
Lucas Pimentel , 41 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN.
Tel. (11) 3338-2872 ou 2771-5590
E-mail: pimentel@abrambrasil.org.br