O motociclista e a cultura do caos
No começo era o caos...
14/04/10 - Sem nos dar conta, somos todos os dias arrastados por uma avalanche sensacionalista que preconiza o caos. Chegamos em casa cansados após um árduo dia de trabalho, ligamos a televisão para nos distrair e nos informar, então, deparamo-nos com o que já está se tornando habitual. Não importa o canal de televisão, a tônica é exatamente a mesma: matou, estuprou, atropelou, roubou, sequestrou e por aí vai. Com toda essa carga negativa, pergunto: Qual é o objetivo, que tipo de sociedade a mídia pretende criar? Uma repleta de pessoas perplexas, retraídas, apavoradas, descrentes na humanidade?
Nós, motociclistas, não podemos entrar nessa pilha. Diariamente recebo e-mails de motociclistas reclamando da fiscalização, da legislação, dos governos e da Constituição; alguns já chegaram a dizer que estão perdendo o prazer de andar de moto. Vamos com calma, uma coisa nada tem a ver com a outra. Realmente, há casos em que a fiscalização “pisa feio na bola”, há sim várias incongruências na legislação de trânsito, há também ações eleitoreiras que os governos realizam, mas também há muito desinteresse do cidadão de se informar sobre o que é correto, e existe uma enorme quantidade de condutores cometendo os mais variados tipos de infrações de trânsito. Então, uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
Do jeito que estamos sendo bombardeados, pela mídia sensacionalista, para a qual quanto pior melhor, estamos sendo levados a acreditar que não há mais cidadãos de bem, mas isso definitivamente não é verdade. Há um ensinamento bíblico que diz: “Tudo é puro para os puros e impuro para os impuros”. Se agirmos com pureza, ternura, gentileza, é certo que encontraremos quem nos retribua. Se agirmos com brutalidade e indiferença, é muito provável que também nos tratarão assim.
Não importa o que digam, pensem ou façam, não permita que tirem o seu prazer de conduzir uma motocicleta, sentir o vento no rosto e vivenciar a indescritível sensação de liberdade. É notório que não estamos nos anos rebeldes, estamos no século XXI e graças a Deus por isso. São novos tempos, novos valores, mesmo porque o desenvolvimento tem seu custo e nos impõe o dever da responsabilidade compartilhada. A via pública é cada vez mais disputada, daí a necessidade de se estabelecer limites e regras. Quem sabe veremos um dia no Brasil a criação de determinadas rodovias, faixas onde não haverá limites máximos de velocidade, como ocorre em alguns países. Já estamos vendo disputas de rachas de automóveis sendo realizadas em autódromos, justamente para que se possa extravasar a adrenalina e impedir que isso ocorra nas vias públicas. Existem competições nas quais vence quem destruir o maior número de veículos ou escapar das batidas e continuar rodando. Tudo é possível, desde que não percamos o prazer de viver e a esperança de ver dias melhores. As vias públicas são lugares de se conduzir com responsabilidade. Em áreas fechadas podemos, se for o caso, liberar a adrenalina, porém, jamais abrir mão da segurança e do respeito.
Não desanime, não perca a esperança, ainda havemos de ver os corruptos na cadeia; os crimes de trânsito sendo punidos com rigor; uma legislação pautada pela ética; a ordem pública; a preservação da vida estabelecida; uma fiscalização preparada para orientar ou mesmo aplicar as penalidades no momento apropriado; e vias adequadas e bem sinalizadas. Acredite na vida! Acredite na justiça! Acredite nos poderes constituídos! Creia em Deus e faça a sua parte. Seja semeador de boas notícias e propagador de esperanças, vamos vencer o mal, fazendo o bem. Pensemos nisso!
Lucas Pimentel , 41 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN.
Tel. (11) 3338-2872 ou 2771-5590
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