Se eles podem... Sim, nós podemos.
17/03/2011 - Às vezes reclamam que sou duro de mais nos meus discursos, é que não dá para brincar com a segurança. Estou me referindo, é claro, a segurança do motociclista no trânsito, o que sem dúvida reflete também na segurança dos demais usuários da via pública.
Não há outro caminho, temos que nos mobilizar e enfrentar certos interesses, grupos organizados que ignoram os muitos riscos que corremos enquanto motociclistas, pois afinal eles só querem lucros.
Há cerca de um mês estamos semanalmente apresentando o programa Segurança em Duas Rodas pela web, é um trabalho árduo, definir pauta, filmar, editar, exibir, mas tem sido gratificante. Quem desejar conferir é só entrar no site www.uptv.com.br. O programa tem uma hora de duração, é exibido todas as quintas-feiras das 16hs às 17hs, com reprise do último programa exibido durante uma semana.
Em meios a filmagens e entrevistas, recebemos esta semana uma notícia que muito nos alegrou. Ao tornar público que a norma Americana ASTM, que norteia a construção de vias em todo mundo, não incluiu em seus técnicos e ensaios a análise do comportamento da motocicleta na via, em razão de que na época a frota era pequena.
Recebemos muitas manifestações, uma delas diz que em razão do movimento de mobilização dos motociclistas pela segurança do trânsito na Espanha, a norma européia, que será atualizada este ano, deve conter um capítulo com estudos técnicos realizados com motocicletas, e isso deve influenciar alterações nas demais normas, entre elas a americana.
Vejam o que a mobilização de um grupo de motociclistas conscientes, organizados e embasados tecnicamente pode fazer. É claro que estamos falando de um país de primeiro mundo, mas nosso país tem sua importância e grandeza. Então podemos sim fazer acontecer as mudanças de que necessitamos, tanto em ralação a segurança viária, como em relação a segurança veicular e pessoal.
Somos seguramente mais de 20 milhões de habilitados na categoria “A”, a frota de motocicleta circulante já representa cerca de 25% da frota total de veículos. Através dos impostos que pagamos contribuímos com o crescimento da nação. Então não podemos ser ignorados ou tratados como marginais. Isso é inaceitável.
Coloquem polícia nas ruas e verão quantos motociclistas estão devidamente habilitados com suas motocicletas devidamente registradas, licenciadas e emplacadas e em bom estado de funcionamento. Verão profissionais liberais, empresários, prestadores de serviços, artistas, profissionais dos mais variados ramos de atividade que efetuam o seu deslocamento dentro das normas estabelecidas.
Mas independente de como o poder público ou a sociedade nos trata, nós é que temos que nos impor, não com desordem e desrespeito, mas como cidadãos de bem. Sim nós podemos fazer uma verdadeira revolução, podemos cuidar da nossa segurança no trânsito e contribuir com a segurança no trânsito de um modo geral. Podemos conquistar o respeito, se é claro respeitamos. Se cumprirmos nossos deveres, estaremos aptos para cobrar os nossos direitos, mas temos que fazer isso de maneira organizada e planejada, se os motociclistas da Espanha conseguiram, nós também podemos.
Pensemos sobre isso!
Lucas Pimentel , 42 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro do CONTRAN.
Tel. (11) 3338-2872
E-mail: pimentel@abrambrasil.org.br
www.abrambrasil.org.br
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