Motociclistas e a política – Parte II
Eleições vêm aí, cuidado...
22/09/10 - É fato que estamos na reta final das eleições deste ano. Dia 3 de outubro deveremos comparecer às urnas para manifestarmos nossa decisão quanto aos candidatos que escolheremos para nos representarem na Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, no Palácio dos Bandeirantes, Senado Federal e Palácio da Alvorada. Infelizmente, percebo que muita gente acaba escolhendo seus candidatos como quem preenche um caça-palavra, para depois correr o risco de viver um tremendo quebra-cabeça.
Já há bastante tempo tenho dito que precisamos ter consciência política, precisamos discutir de maneira séria os assuntos relacionados aos Poderes Executivo e Legislativo; que é importante trocarmos ideias, respeitando, é claro, às diferentes manifestações e opiniões, desde que proferidas por quem é motociclista e busca, de fato, a melhoria do motociclismo e não os oportunistas que nem andam de moto, mas, veem nesse momento político uma oportunidade de ganhar uma grana extra como cabo eleitoral, ou como assessor parlamentar, em caso, de vitória de seu candidato.
Mas, pergunto: o que os motociclistas ganham com isso? Absolutamente nada! O pior é que perdem seu tempo, expondo despreparo, falta de visão e a desorganização do setor, ao apresentarem, como representantes, pessoas que não tem a mínima condição de serem candidatos, quanto mais de serem eleitos. Fala sério!
A política partidária não é nada fácil, ela exige preparo. Quem quer ser, de fato, representante de um setor, precisa conhecê-lo bem e quem tem que atestar isso é o setor e não o próprio pretenso candidato. Toda vez que apoiamos alguém que não está preparado para a disputa, atrasamos a melhoria de nosso setor em mais quatro anos.
Há duas situações que precisamos analisar: a primeira é que entre um candidato à eleição e um candidato à reeleição, o segundo nos oferece o seu primeiro mandato como exemplo, para que possamos verificar o seu trabalho. Já o candidato à eleição nos apresenta suas promessas, sendo que alguns nem isso fazem. Por outro lado, quando o mandato do candidato à reeleição não nos inspira confiança, podemos avalizar a vida pregressa do candidato à eleição. Assim, há situações em que é inteligente votar em alguém que está buscando a reeleição, em razão do trabalho já realizado, e há situações em que é mais inteligente votar em alguém que busca se eleger, mas, que tem um bom currículo de realizações antes do período eleitoral. Cada caso é um caso, mesmo porque, há candidatos que, mesmo não sendo motociclistas, merecem o nosso respeito e voto por iniciativas realizadas em prol do motociclismo; e há quem até é motociclista, mas, não tendo realizado nada de concreto, definitivamente não merece o nosso voto, simplesmente pelo fato de possuir uma motocicleta.
É claro que cada um tem o direito de dar seu voto a quem quiser. Pelo que diz o levantamento do Ibope, o comediante Tiririca se elegerá deputado federal por São Paulo com uma votação recorde, e tem muita gente achando engraçado. O recém-eleito vereador Netinho de Paula deve eleger-se Senador da República pelo estado de São Paulo, e tem gente comemorando. Entretanto, o que considero lamentável é que com tantos Projetos de Leis com propostas prejudiciais aos motociclistas tramitando nas câmaras, Assembleias, Congresso Nacional e Senado Federal, percamos a rica oportunidade de ter nessas casas gente preparada e disposta a nos representar nas votações relativas ao motociclismo e com isso coibir os abusos como o DPVAT dos proprietários de motocicletas, cobrança de pedágio para motos, proibição da passagem de motocicletas pela Marginal e outros absurdos. Assim, antes que seja tarde e, ao invés de rir, choremos depois, pensemos seriamente sobre isso.
Pensemos nisso!
Lucas Pimentel , 41 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN.
Tel. (11) 3338-2872 ou 2771-5590
E-mail: pimentel@abrambrasil.org.br