Habilitados de Fato
"Nós motociclistas estamos conquistando o nosso espaço e aos poucos as coisas vão se adequando a nossa realidade"
30/11/09 -
Em que pese à reclamação de alguns e o descontentamento de outros, após visitar o local de treino na cidade de Santo André, fiquei extremamente feliz ao constatar o novo percurso da “pista” usada para o exame prático de candidatos a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) categoria A que era uma antiga reivindicação, agora começa a mudar, ou seja, os futuros motociclistas estarão agora de fato mais preparados para transitar nas vias públicas; essa é a conclusão que cheguei após visitar o local, inclusive fiz questão percorrer o novo trajeto assim pude constatar mudanças que exigem maior habilidade do candidato e, portanto o prepara de maneira mais adequada.
Logo no início é exigido o uso da seta, há uma curva à esquerda e outra à direita, mais à frente a tão importante sinalização de parada obrigatória, dando seqüência ao trajeto há outra curva mais longa à esquerda, surge um cruzamento e logo após uma curva à direita obrigando o candidato a passar outra vez na sinalização de parada obrigatória, em razão é claro da sua relevância, ao completar essa primeira parte do trajeto o candidato a motociclista terá feito o “oito”; um pouco mais à frente tem o que podemos chamar de “S do Senna” com três curvas seqüenciais, logo em seguida vem um obstáculo que lembra uma ponte, outra curva à esquerda e mais a frente o slalow (ziz-zag com cones), imediatamente vem a prancha de madeira e encerra-se o trajeto no ponto de parada.
É provável que alguém diga que a “dificuldade” dará lucro a “indústria” da reprovação, entretanto, não sei se todos sabem, mas o Centro de Formação de Condutores (CPF) precisa justificar cada reprovação, pois se as reprovações ocorrerem em demasia o CFC pode até ser descredenciado pelo DETRAN, então a coisa não funciona como muitos pensam, seja como for, é melhor errar durante o exame e ter que fazê-lo novamente até que se tenha o domínio necessário, do que se habilitar de qualquer jeito e errar na via pública e como conseqüência ser vitima fatal em uma ocorrência de trânsito.
Uma coisa eu sei, nós motociclistas estamos conquistando o nosso espaço e aos poucos as coisas vão se adequando a nossa realidade, contudo não acho que o exame esteja mais difícil e sim que está mais adequado ao aprendizado necessário.
Pude constatar que a Resolução 285 do Contran, está em vigor de fato e sem dúvida, aumentará a segurança do motociclista no trânsito por meio de uma formação melhor através de uma melhor formação, mas é claro que temos um longo caminho pela frente, é nessas horas que me lembro de um relato que ouvi do Dr. Dílson um querido integrante do Denatran, ele contou que estava num país do continente Europeu e perguntou a uma autoridade de trânsito qual era a carga horária do curso para formação dos condutores, ao ouvir que não existia ali tal curso, disse com satisfação que no Brasil o curso de formação de condutores era disposto de 30 horas/aula (Resolução 168 do Contran) vivenciou então algo inesquecível, ver o agente em questão após uma espontânea risada dizer-lhe: “Aqui o tema trânsito é ensinado durante toda a vida escolar, quando o cidadão atinge a maior idade e deseja ter a Carteira de Habilitação ele simplesmente faz um teste e sendo aprovado se habilita”.
É claro que temos muito a aprender, mas também temos a ensinar, no entanto, é verdade também que cada país tem a sua realidade, assim podemos usar algumas idéias de fora para elaboramos um projeto que atenda as nossas especificidades, mas, voltando ao nosso assunto, estamos evoluindo, aos poucos as coisas estão mudando e erros históricos serão sendo corrigidos ao passo que novas leis e projetos vão surgindo, acredito que um dia a cidadania falará mais alto e teremos de fato a paz no trânsito, aí os lamentáveis fatos vistos diariamente nas vias públicas, serão águas passadas, mas para isso é imprescindível que a segurança vislumbrada em fatos seja um fator indispensável e incorporado, para isso é preciso que engenharia, sinalização, educação e fiscalização ocorram de fato, a fim de que a segurança no trânsito que é um direito nosso não seja apenas um boato.
Pensemos nisso!
Lucas Pimentel , 41 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN.
Tel. (11) 3338-2872 ou 2771-5590
E-mail: pimentel@abrambrasil.org.br