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EXPEDIÇÕES SOLITÁRIAS

Rodrigo Ventura, escritor, aventureiro e filiado da ABRAM, esta percorrendo os 13 países da América do Sul no prazo de 12 meses acompanhado apenas da motocicleta em mais uma Expedição Solitária.

"Você está convidado a embarcar comigo nessa aventura através do nosso BLOG. Aqui no BLOG você encontrará relatos, fotos da expedição e poderá viver cada momento dessa aventura sem sair de casa. Boa viagem... "


Mudando de Hemisfério!!!

Por Expedições Solitárias no dia 11/03/2008 às 22h54

Dia de comemorar: Em 11 de março de 2007 deixava o Rio de Janeiro para iniciar a Expedição Solitária "Pelas Curvas da América". Aprendi muito ao longo desse um ano, não só sobre nosso continente, sobre nossa cultura, mas também sobre meus limites e a capacidade que o ser humano tem de vencer desafios. Obrigado pela sua companhia!!!

Banõs é completamente diferente de qualquer cidade equatoriana. É definitivamente uma cidade turística e a oferta de hotéis, restaurantes e agências de turismo chega a assustar. A cidade oferece tantos atrativos que qualquer um fica perdido. Escalada nos vulcões, expedições na selva equatoriana, fazer pêndulo numa ponte, passar uma tarde relaxante em uma piscina de água termal, são só algumas das opções que o turista tem na cidade. Eu tirei um dia para alugar um quadriciclo e sair para conhecer La Ruta de Las Cascadas. Um passeio interessante é atravessar o cânion em uma plataforma suspensa por cabos de aço. A vista é fascinante e do outro lado a mata é praticamente virgem.


Um lindo e emocionante passeio


O ponto alto da estrada definitivamente é o Pailon Del Diablo. Uma cachoeira impressionantemente bonita escondida no meio da selva. Para chegar, nada mais do que 15 minutos de uma linda trilha.


El Pailon Del Diablo


A cidade de Baños em si também é muito agradável e caminhar pelas suas ruas a noite é um relaxante passeio.


Catedral de Baños a Noite


Saindo da serra desci em direção a Amazônia equatoriana. Passando por Puyo cheguei a Tena de onde fui conhecer a pequena Puerto Misagualli. A cidade tem uma pequena estrutura hoteleira, mas suficiente para quem quer explorar um pouco da selva. Fiz um passeio de barco pelo Rio Napo, um dos afluentes do Rio Amazonas. Nada como navegar no meio da selva primária.


Passeio pelo Rio Napo


No meu passeio fui conhecer um zoológico a céu aberto de uma comunidade indígena. Os animais ficam soltos e me diverti com as peripécias dos macacos que não paravam quietos.


Um macaco nada folgado


De volta a civilização subi a serra e cheguei a Quito, a surpreendente capital do Equador. Quito é uma cidade organizada e muito agradável, sem falar no povo equatoriano que é um dos mais amáveis que conheci em toda expedição. O centro histórico da cidade foi um dos primeiros a ser considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco e caminhar pelas suas ruas é uma verdadeira viagem ao passado.


Palácio presidencial de Quito visto por outro ângulo


De Quito, antes de seguir para Otavalo, minha última parada em solo equatoriano, passei no principal ponto geográfico do nosso continente, a Metade do Mundo. O lugar por onde passa a Linha do Equador e divide o planeta em dois hemisférios.


Foto clássica: Um pé em cada hemisfério


Ao lado do monumento encontrei um museu particular onde os guias realizam várias experiências interessantes. Uma delas demonstra como é fácil colocar um ovo cru em pé sobre um prego, desde, é claro, que você esteja exatamente sobra a Linha do Equador.


Só na Linha do Equador fazer isso é tão simples


A entrada de Otavalo é mais bonita do que a cidade em si, reconhecida mundialmente pela qualidade e pelo tamanho do seu mercado indígena.


Magnífica chegada em Otavalo


Cruzei a fronteira e agora estou em Medellín, Colômbia, mas isso eu conto no próximo post.

Um grande abraço e boas estradas.

Rodrigo Ventura

Visite meu site e veja mais fotos, vídeos e outros relatos: www.expedicoessolitarias.com.br

Do deserto peruano ao inverno equatoriano em poucos dias!!!

Por Expedições Solitárias no dia 21/02/2008 às 17h22

Com a proximidade do carnaval e uma bela promoção no preço das passagens aéreas, não resisti e tomei uma decisão inusitada: passar 20 dias na Cidade Maravilhosa. Fiz uma surpresa para todos e foram 20 agradáveis dias. Estava precisando!!! Apesar da chuva o carnaval carioca, como sempre, foi maravilhoso e me diverti muito. No último dia 09 voltei para Lima e segui com a expedição. Minha primeira parada foi na pequena Huanchaco, cidade praiana que fica ao lado de Trujillo, a maior cidade do norte peruano. Huanchaco é procurada por turistas de todo o mundo que chegam em busca das ondas perfeitas da costa peruana. A cidade também é marcada pelos seus pescadores que ainda utilizam os centenários “cavalos” de totora para pescar.


Pier de Huanchaco com um "cavalo" de totora na praia


Uma bela pedida na cidade é comer um bom cebiche (peixe cru marinado ao limão e pimenta) e apreciar o pôr do sol a beira do Pacífico.


Por do sol em Huanchaco


Entre Huanchaco e Trujillo estão localizadas as ruínas de Chan Chan que representam o maior conjunto de ruínas feitas de barro de todo o mundo. O complexo de Chan Chan, formado por 15 cidadelas independentes, foi construído pela cultura Chimu por volta do século 13d.c. mas, infelizmente, grande parte foi destruído principalmente pelos plantadores de cana da região que desconheciam seu valor histórico. Foi encantador caminhar pelas ruínas e analisar cada detalhe. Salas de cerimônia, grandes praças, sala funerária e até um lago fazem parte do espaço aberto à visitação.


Ruínas de Chan Chan e o belo trabalho decorativo


O interessante é que os Chimus, por trabalharem bem com o barro, faziam questão de dar formas que representavam principalmente a pesca, maior fonte de subsídio da comunidade. Além do barro, também trabalhavam muito bem com madeira e assim construíam sentinelas que ficavam espalhadas pela fortaleza.


Sentinela esculpido em madeira


Das ruínas segui para o museu onde está exposta uma parede decorada a moda Chimu.


Parede Chimu, desenhos no barro


Aproveitando que estava próximo a Trujillo, aproveitei para conhecer a cidade. As ruas são apertadas e o trafego é confuso. Parei na praça principal no centro histórico e fiquei apreciando a arquitetura antiga, único atrativo da cidade.


Minha princesa na praça de Trujillo


De Huanchaco segui para Mâncora, minha penúltima parada em solo peruano. Os peruanos fazem tanta propaganda do balneário que achei que fosse encontrar um paraíso, mas me decepcionei. Uma cidade com pouca estrutura e às beiras da rodovia Panamericana, que, pelo menos para mim, tem como único atrativo as águas quentes do mar, já que não sofre influência da gélida corrente de Humboldt. Por lá conheci dois colombianos que estavam viajando para o sul em suas BMW’s. Estavam completamente sem roteiro e aproveitamos para fazer um pequeno planejamento para eles.


Alejandro, Juan Pablo e eu em Mâncora


De Mâncora segui para Zorritos, uma praia bem mais bonita e localizada a apenas 80Km ao norte. Passei uma noite por lá e finalmente entrei em território equatoriano. Da fronteira segui direto para a bela Cuenca na região serrana, uma das cidades mais bonitas do Equador. O problema é que esse ano o tal do inverno equatoriano que normalmente começa em março resolveu começar mais cedo e com chuvas muito mais fortes do que o previsto. Caminhei pela cidade, mas devido a chuva constante foi impossível fotografá-la. Na última terça, depois que a estrada foi reaberta, deixei Cuenca e cheguei a Riobamba onde pretendia fazer o famoso passeio de trem por “La Nariz Del Diablo”. Pretendia porque devido aos desabamentos na linha do trem os passeios foram temporariamente suspensos. Hoje pela manhã segui Baños outra charmosa cidade equatoriana famosa por seus banhos termais e pelo fácil acesso a esportes de aventura. A cidade é realmente linda e mal vejo a hora de começar a explorá-la.

Um grande abraço e boas estradas.

Rodrigo Ventura.


As maravilhas peruanas ajudam na comemoração dos 10 meses de expedição



Por Expedições Solitárias no dia 17/01/2008 às 20h40

A primeira parada em solo peruano foi na cidade de Puno, também a beira do Titicaca, mas nem de longe charmosa como Copacabana. Puno é a base ideal para conhecer o lado peruano do lago. A primeira parada da excursão que fiz foi nas ilhas flutuantes de Uros. As ilhas são feitas de uma planta chamada totora, também utilizada na construção das casas, barcos e brinquedos, além do artesanato, é claro.


Ilhas de Uros


As ilhas são habitadas por índios que ainda praticam a antiga técnica do escambo para sobreviver, trocando peixes por demais coisas que necessitam na cidade. Fora isso também pedem contribuições aos turistas que visitam o lugar e vendem artesanato.


Velha india moradora de uma das ilhas de Uros


Quem quiser pode pagar 5 soles, menos de 2 dólares, para dar uma volta em um barco feito de totora.


Barco feito de totora, navegando pelo Titicaca
A maioria das ilhas é bem pobre e a única que tem alguma estrutura é a que é considerada capital das ilhas flutuantes. Por lá você consegue encontrar restaurante, hotel e até um telefone publico flutuante.


Cabine telefônica na capital das ilhas de Uros
De lá o barco seguiu para Amantani onde fiquei hospedado na casa de uma família de moradores. Uma rica experiência, ainda mais levando-se em conta a amabilidade das pessoas que vivem por lá. No dia seguinte fomos a ilha de Tequile. Uma ilha muito diferente da anterior, não só nos costumes como também na estrutura. Hotéis, restaurantes, mercado de artesanato e até um pequeno centro de exposição fotográfica.


O Titicaca com a cordilheira ao fundo, visto de Tequile


A ilha é dividida em várias comunidades e o espaço de cada uma delas é demarcado por um portal como esse que fotografei abaixo.


Um dos muitos portais da ilha de Tequile


A cor da água do Titicaca perto da ilha de Tequile também me chamou muita atenção. Se não fosse pela temperatura gelada seria difícil resistir a vontade de mergulhar no lago.


A tranparente água do Titicaca na ilha de Tequile


Depois de Puno fui para a simpática Arequipa. Uma cidade rica na arquitetura colonial onde passei meu Natal antes de seguir para Chivay. Chivay é uma cidade bem pequena, mas recebe milhares de turistas todos os anos, interessados em conhecer o Cânion Del Colca, um dos maiores do mundo. Andei de moto pela borda do cânion e pude apreciar, com toda liberdade, mais essa maravilha natural do nosso continente.


As profundezas do Cânion Del Colca, um dos maiores do mundo


Em Chivay, caso tenha tempo, também vale conhecer as piscinas de águas termais que ficam bem pertinho da cidade. Um ótimo lugar para relaxar!!!

Peguei uma estrada secundaria para Cusco, pois, caso contrário teria que dar uma volta imensa. A estrada era terrível. Precipícios, pedras soltas, muitos buracos, um sobe e desce a toda hora e ainda cruzava alguns rios de água gelada. Ponte é algo que ainda não existe na região e terminei a viagem bastante molhado. Mas valeu pelas belezas da estrada.

Em Cusco aproveitei tudo que podia na cidade. Museus, passeios e, é claro, a sonhada visita a Machu Picchu.


A famosa pedra dos 12 ângulos em Cusco. Um trabalho feito pelos Incas.



A pequena cidade de Ollantaytambo vista da conservada fortaleza Inca


Foto clássica de Machu Picchu com a montanha Wayna Picchu ao fundo


As ruínas da cidade sagrada de Machu Picchu


Depois de passar o ano novo na cidade, retomei a viagem e mais uma vez atravessei a cordilheira para poder chegar em Nazca. Por lá fui conhecer as famosas linhas feitas pelos antigos moradores da região. O passeio de avião é muito interessante, mas exige que o turista tenha um estômago de ferro para agüentar as manobras feitas pelo piloto para que todos possam observar as linhas.

Agora estava de volta ao nível do mar, de volta ao calor e de volta ao deserto. Para me refrescar um pouco fui conhecer Paracas e sua reserva natural marinha. Paracas fica no caminho de Lima e é uma cidade muito agradável. Infelizmente boa parte da cidade foi destruída com o terremoto de 7,9 graus de Pisco, cidade vizinha, em 15 de agosto de 2007, mas mesmo assim vale conhecer.


O trapézio, uma das figuras das intrigantes linhas de Nazca


Por lá fiz um passeio de barco para conhecer a reserva e pude ver uma infinidade de pássaros, lobos marinhos e os simpáticos pingüins de Humboldt.


Reserva Natural Marinha de Paracas


De Paracas segui para Lima, a capital peruana. Chegar na cidade foi um sacrifício, pois a moto estava com problemas e além de apagar o motor toda hora tinha que me sacrificar para fazê-la pegar outra vez. Em Lima deixei a moto numa oficina de confiança e aproveitei para esticar as pernas e conhecer a cidade. Fiquei hospedado no gostoso distrito de Miraflores, um lugar seguro, bonito e com um bom movimento noturno. Tirei um dos dias para ir ao centro de Lima e conhecer um pouco da arquitetura da cidade. Aproveitei para visitar o curioso museu da inquisição, um passeio que vale ser feito.

Obrigado pela sua companhia ao longo desses 10 meses da Expedição Solitária Pelas Curvas da América.

Um grande abraço e boas estradas.

Visite meu site e veja mais fotos, vídeos e outros relatos: www.expedicoessolitarias.com.br


Do Chile ao Peru, passando pela Bolívia - Muita emoção e adrenalina!!!



Por Expedições Solitárias no dia 24/12/2007 às 14h38

Desculpe pelo tempo de espera entre a última postagem e essa, mas como você poderá ver, os últimos tempos foram bem corridos...

A ilha de Chiloé é mesmo encantadora, não é a toa que no verão fica lotada de turistas, principalmente chilenos vindos da capital Santiago. Um lugar tranqüilo e de cores intensas.


Uma estrada na Ilha de Chiloé


O melhor lugar para ficar na ilha é Castro, sua capital. Localizada bem no centro do enorme pedaço de terra, a cidade, bem estruturada para o turismo, serve de base para visitar as pequenas cidades ao redor, as dezenas de Igrejas consideradas Patrimônio da Humanidade e o belo Parque Nacional de Chiloé à beira do Pacífico.


Uma das muitas Igrejas consideradas Patrimônio da Humanidade


Depois de Chiloé peguei um verdadeiro temporal na estrada e durante as duas noites que fiquei em Pucón não parou de chover. A cidade é linda e já tinha ido em uma viagem em 2005. Estava louco para rever o Villarica, o primeiro vulcão em que “logrei la cumbre”, mas as nuvens não permitiram. Para me livrar do mau tempo tomei uma decisão radical. Como já conhecia essa região decidi subir direto de Pucón a Mendoza, na Argentina, em um dia. Uma arriscada viagem de mais de 1.200Km onde teria que atravessar os Andes a noite pelo perigoso “Paso Del Cristo Redentor” na altura de Santiago. A viagem foi cansativa, porém, ao descer os Andes, ganhei uma bela lua cheia de presente ao meu lado direito. Do meu lado esquerdo o “Sentinela de Pedra”, o Aconcágua, refletia no seu pico nevado a luz da lua. Parei a moto várias vezes no acostamento para apreciar aquela maravilha. Simplesmente fantástico!!!

Passei apenas duas noites em Mendoza para me despedir do meu amigo Dario e pegar minhas coisas que estavam em sua casa. Num domingo atravessei novamente a fronteira para o Chile e fui para La Serena. A cidade é bem agradável, mas a melhor maravilha da região fica por conta do Valle Del Elqui, 70Km a leste.


A bela paisagem do Valle Del Elqui


A região é a maior produtora de pisco do Chile e os pequenos povoados são ótimos lugares para descansar no meio da cordilheira.


A frente da Igreja da pequena Elqui


Seguindo para o norte minha próxima parada foi na pequena Caldera, ponto estratégico para visitar Bahia Inglesa, a praia mais fotografada de todo o Chile. A água transparente do Pacífico em contraste com a branca areia da praia, forma uma paisagem paradisíaca. O lugar também é bem tranqüilo e oferece opções de hospedagens, porém mais caras do que em Caldera.


Bahia Inglesa, o paraíso em forma de praia


Para o norte, já na região do imenso Desero de Atacama, o deserto mais seco e mais alto do mundo, saí da boa Ruta Panamericana para me aventurar pelas estradas de terra do Parque Nacional Pão de Açúcar, beirando o Pacífico. A paisagem é deslumbrante e faz com que o lugar realmente mereça ser considerado uma Reserva Natural do Chile.


Parque Nacional Pão de Açucar - Deserto de Atacama


Mais ao norte, antes de entrar para leste e ir para San Pedro de Atacama, uma parada em Antofagasta, a maior cidade do norte chileno. O maior, ou melhor, o único atrativo da cidade fica a 18Km para o norte e é conhecido como “La Portada”. Um impressionante portal de pedra no meio do mar. Mal podia imaginar que 10 dias depois de minha passagem pela cidade, Antofagasta seria sacudida por um grande terremoto. Foi por pouco!!!


La Portada - Viva a "naturaleza"!!!


No caminho para San Pedro de Atacama minha companheira de viagem começou a sentir os efeitos da altitude, mas conseguimos chegar bem. Acho que posso considerar San Pedro como a cidade mais turística de todo o Chile. Pelas pequenas ruas de terra pode-se ouvir praticamente todos os idiomas e, as vezes, com sorte, até mesmo um pouco de espanhol. São turistas vindos de toda parte do mundo buscando se aventurar pelas maravilhas do deserto. Um belo passeio é o tour para conhecer os Gêiseres Del Tatio, apesar da necessidade de acordar as 03:30 da manhã. O caminho até lá é complicado e demora um pouco, por isso a necessidade de sair cedo, já que o espetáculo natural fica mais bonito com os primeiros raios de sol, por volta das 06 da manhã.


Geiseres Del Tatio ao amanhecer


Visitar as pequenas cidades próximas também pode ser um agradável passeio, principalmente se uma dessas cidades for a simpática Tocanao.

Tocanao fica ao lado de um dos mais belos oásis do Deserto de Atacama, a Quebrada do Jerê. Para conhecer o vale, nada melhor do que caminhar por dentro do rio e explorar a bela e fértil vegetação, coisa bastante rara no deserto.


Quebrada do Jerê - Um belo oásis!!!


O Salar do Atacama também é um belo lugar para ser visitado. Nem tanto pelo salar, pois confesso que achei Salina Grande na Argentina muito mais interessante, isso sem falar no Salar de Uyuni que ainda estava por vir, mas vale para apreciar os interessantes flamingos que desfilam de um lado para o outro.


Flamingos no Salar do Atacama


Outro programa que vale é ir ver o pôr do sol no Vale de La Luna chileno. O vale fica bem próximo da cidade e a tarde enche de turistas que querem apreciar o espetáculo. Para chegar no melhor lugar tive que caminhar pela crista de uma enorme duna e a sensação foi muito interessante, algo parecido com caminhar pela crista de uma onda, se fosse possível, é claro!!!


Vale de La Luna chileno


San Pedro também oferece uma grande variedade de restaurantes e alojamentos para todos os gostos e bolsos. Eu, para economizar, fiquei em um camping e senti na pele a amplitude térmica do deserto, com forte calor ao longo do dia e bastante frio a noite. O que também não falta são agências de turismos oferecendo passeios e pacotes aos turistas. Fechei com uma das agências que faz a travessia San Pedro de Atacama (Chile) – Uyuni (Bolívia) para levar minhas mochilas e minha gasolina extra ao longo dos 3 dias de aventura. Dentro do preço estava incluído também duas noites em alojamento, as refeições e dois carros de apoio durante todo o tempo. Quase tudo funcionou, menos os dois carros de apoio que me deixaram para traz e praticamente fiz a travessia sozinho. Para me guiar contei com a ajuda do sol, já que, na maior parte do tempo, estrada, placas, ou gente, são coisas que não existem por lá. Foram dias difíceis e de muito risco, onde o que me ajudava a relaxar era a linda paisagem ao meu redor. Ah, e ao longo da travessia cheguei a 4.930m do nível do mar, um recorde para mim e para a minha companheira de viagem. Separei algumas fotos para você desses três emocionantes dias:


Entrando na Bolívia com a Laguna Verde ao fundo


Piscina de água termal no meio do deserto


Minha moto e os carros que "deveriam" me acompanhar


Uma das muitas lagoas que aparecem ao longo da travessia


Vulcão Ollague em atividade


Sentado no imenso Salar de Uyuni


Chegando na pequena Uyuni, depois de descobrir as maravilhas do seu gigantesco salar, a briga foi para conseguir gasolina, artigo em falta na cidade. Passei um dia correndo de um lado para o outro até conseguir encher o tanque e seguir para Potosí. A estrada para Potosí não é asfaltada e tem grandes subidas e descidas a beira de enormes penhascos. A paisagem é fascinante e muitas vezes parei a moto para poder curtir um pouco o visual.

Em Potosí, além de andar pelas ruas e apreciar a arquitetura de uma cidade que já foi a mais rica da Bolívia graças as minas de prata, um passeio interessante é justamente passar um dia dentro das minas acompanhando o trabalho dos mineiros. Várias agências na cidade organizam o tour e caso você tenha interesse eu indico a Greengo’s. Lá, peça para ir com um guia conhecido como Chasqui, pois ele já trabalhou nas minas durante três anos e além disso é um cara bastante culto.


O duro trabalho nas minas de Potosí


A próxima parada era a explosiva Sucre. A arquitetura da cidade também chama atenção e aos domingos vale esticar 60Km até Tarabuco, onde se realiza uma grande feira de produtos locais. A feira fica lotada de turistas que aproveitam o câmbio boliviano para encher as sacolas gastando muito pouco.


A bela arquitetura de Sucre


Artigos da feira de Tarabuco


Deixei a moto em Sucre e fui de ônibus para Santa Cruz de La Sierra onde peguei um avião para São Paulo em meados de novembro. Fui competir no 5º Campeonato Brasileiro de Trekking e aproveitei para passar 10 dias no Rio matando as saudades. Enquanto estava no Brasil, Sucre quase entrou em guerra civil e, em uma manifestação na praça ao lado do meu hotel, 3 pessoas morreram e 300 ficaram feridas. Quando voltei tudo já estava mais calmo, mas a tensão era grande já que a província onde fica Sucre em conjunto com a província de Santa Cruz estava preparando tudo para decretar autonomia em relação a La Paz. Tive a oportunidade de acompanhar uma manifestação de perto. Por sorte foi bem tranqüila.


Manifestação pela autonomia em Sucre


Com o conturbado momento político no país resolvi apressar as coisas e segui para Cochabamba. A cidade não oferece muitas opções turísticas e é muito fácil encontrar com brasileiros que foram estudar na Bolívia. De Cocha, como é conhecida, fui para La Paz e confesso que fiquei chocado com o conturbado trânsito quando entrei. La Paz é uma cidade interessante, mas que de paz não tem nada, afinal é uma cidade grande. Por lá fui conhecer a famosa “Estrada da Morte”. Desci de bicicleta em um alucinante "Down Hill" que vale muito ser feito. Mas segue a dica: pague um pouco mais caro, mas escolha uma agência que tenha uma boa bicicleta e equipamentos de proteção. Freio a disco nas duas rodas, suspensão dianteira e traseira, são itens indispensáveis para segurança e conforto respectivamente.


Estrada da Morte na Bólívia


Antes de seguir para o Peru, minha última parada na Bolívia, Copacabana, a pequena cidade na margem do grandioso Titicaca. Uma cidade pequena, uma cidade hippie, onde a tranqüilidade emana por todos os lados. Caminhar na beira do lago depois de se deliciar com uma bela e fresca truta em uma das barracas da costa é ótimo.


Copacabana, às margens do Titicaca


Um belo pôr do sol às margens do Titicaca


Não resisti em ir conhecer a Ilha do Sol, a famosa ilha sagrada dos Incas. Caminhei do sul até o norte da ilha, onde pude apreciar a secular mesa de sacrifícios e as ruínas de seus templos. Os filhos do sol, como se autodenominavam, ofereciam os corações das suas mais belas virgens ao deus Sol. Uma viagem ao passado ainda presente.


Mesa de sacrifício utilizada pelos Incas na Ilha do Sol


Na última semana deixei a Bolívia e entrei em território peruano. Muitas descobertas pela frente em mais um país a ser atravessado pela Expedição Solitária "Pelas Curvas da América". Aproveito para desejar um Feliz Natal para você, sonhando que o espírito de amor natalino esteja presente ao longo não só de 2008, mas de todos os anos de sua vida.


Nas ruínas dos Incas na Ilha do Sol


Um grande abraço e boas estradas!!!

Visite: www.expedicoessolitarias.com.br


Ruta 40 x Carretera Austral - Uma batalha de quilômetros!!!

Por Expedições Solitárias no dia 23/10/2007 às 19h58

Demorei um pouco a postar, pois tive uns contratempos nos últimos dias. A Patagônia não é fácil e reserva surpresas. Mas agora já está tudo bem e estou na ilha de Chiloé, no sul do Chile. Chega de enrolação e vamos ao relato... Ushuaia!!! Como sonhei em chegar nessa pequena cidade de moto. Cheguei com muito frio e debaixo de chuva, mas como valeu. A cidade tem uma boa estrutura turística com restaurantes, hotéis, pousadas e albergues. Fora isso, o turista também encontra uma grande diversidade de passeios. A caminhada pelo Glaciar Martial é um dos pontos imperdíveis. Do alto da montanha você pode ter uma vista sensacional do Canal de Beagle e da própria cidade.


Apreciando o Canal de Beagle do alto do Glaciar Martial


Outro passeio muito procurado pelos turistas mas que, a meu ver, não vale o alto valor pago, é o passeio de barco pelo Canal de Beagle. O passeio dura em torno de três horas e a paisagem não muda, podendo, inclusive, ser vista da própria cidade. O ponto alto, se é que se pode chamar assim, é a aproximação do farol da baía. Muitos turistas pensam que é o farol do fim do mundo, mas nem isso é.


Farol do Canal de Beagle


Outro passeio que não pode deixar de ser feito é a ida até o Parque Nacional Terra do Fogo. O parque é imenso e muito bem conservado oferecendo várias opções de trilhas aos mais dispostos. Para quem não é de caminhar, o circuito de carro já vale a visita.


Parque Nacional Terra do Fogo


Dentro do parque fica também o final da “Ruta 3”, estrada que começa em Buenos Aires e que chega ao ponto mais austral do planeta, estando a mais de 17.000Km do Alaska.


E agora??? Acabou a estrada... Fim da "Ruta 3"


Quando estava saindo de Ushuaia aproveitei o dia de sol para fazer a famosa foto de chegada na cidade. Tudo bem que estava saindo, mas o que vale é a intenção.


Foto padrão: "Chegada a Ushuaia". Feita na saída, mas ninguém precisa saber!!!


Do fim do mundo, comecei a subir e depois de boas horas de estrada cheguei a Puerto Varas no Chile. A cidade não é nada turística, a não ser pelos belos preços da Zona Franca. Subindo, passei na pequena Puerto Natales e fui para o Parque Nacional Torres Del Paine. O parque é absurdamente bonito, com lagos de todas as cores e belas montanhas, além do Glaciar Grey, tornando-se assim o paraíso do trekking de qualquer aventureiro.


Torres Del Paine


A trilha mais conhecida no parque é o W e pode ser feito em um tempo de 3 a 5 dias, dependendo da disposição da pessoa. Como estava com a moto e outras coisas mais, preferi fazer apenas uma das pernas do W em uma caminhada de 7 horas, sendo 4 para chegar até a base das Torres Del Paine, que dão nome ao parque, e 3 horas para voltar ao acampamento.


Base das Torres depois de 4 horas de trekking


Deixando o parque, segui para El Calafate, de volta a Argentina. A cidade é uma graça e recebe turistas praticamente durante todo o ano. O grande atrativo fica por conta do majestoso Glaciar Perito Moreno. O glaciar é uma verdadeira montanha de gelo e sua parede chega a medir 60 metros de altura.


Glaciar Perito Moreno visto das passarelas de observação


Já caminhando pelas passarelas de observação é possível ouvir os estrondos dos blocos de gelo se partindo e caindo na água. Mas, caso você faça o passeio de barco, aí sim poderá não só ouvir melhor, como também ver bem de perto esse espetáculo da natureza. Esse sim é um passeio que vale cada centavo.


Glaciar Perito Moreno visto de baixo, do barco. Foto tirada no momento exato da queda de um enorme bloco de gelo ao fundo.


Quando estava deixando a cidade em direção a El Chaltén, tive um grave problema com a moto. Ao passar em um grande buraco da “Rita 40” a corrente se soltou e deformou a tampa do motor. Com isso fiquei apenas com a 1ª e a 2ª marcha na moto. Voltei para El Calafate e consegui encontrar o único mecânico da cidade. Com calor, habilidade e sorte, ele conseguiu desempená-la e pude seguir viagem.

El Chaitén é outro paraíso do trekking sul-americano. Muitos montanhistas chegam na cidade para se aventurar no colossal Fitz Roy. Eu queria pelo menos apreciá-lo de longe e fotografá-lo, mas o mau tempo não deixou. Ao chegar fui surpreendido por uma grande nevasca acompanhada de rajadas de vento muito fortes. O dia seguinte amanheceu igual ou pior, por isso resolvi partir para finalmente encarar o que seria o trecho mais perigoso da expedição até agora. Esse trecho patagônico da “Ruta 40” é famoso pelo rípio solto e pelos fortes ventos com rajadas que podem superar os 150km/h principalmente na primavera.

Realmente nesse dia o vento estava muito forte e, mesmo tomando todo cuidado, não tive como passar ileso. O vento forte era constante e me sacudia de um lado para o outro até que três rajadas fortíssimas me atiraram ao chão. Por sorte a roupa me protegeu na queda. A moto, por sua vez, terminou com uma seta destruída, o pára-brisa solto e um empenamento no guidão. Mas por sorte foi só isso. Poderia ter sido bem pior.

Depois de vencer a 40 entrei novamente no Chile pelo passo Los Antíguos, chegando na pequena Chile Chico. A cidade é a principal porta de entrada ou saída para quem pretende se aventurar pela mística Carreteira Austral, sonho de qualquer motociclista e de apaixonados por veículos 4 x 4. Em Chile Chico você tem a opção de cruzar de balsa e economizar mais de 400Km, mas fazer isso pode ser considerado uma loucura, pois você perderá uma das partes mais bonitas da estrada.


Chegando na Carreteira Austral


De Chile Chico a Coyaque são quase 500Km e a paisagem é de tirar o fôlego. Não resisti em parar milhares de vezes para fotografar, filmar, ou simplesmente ficar apreciando. Lagos enormes, montanhas coloridas, vales indescritíveis. Finalmente estava na Carreteira Austral. Foram três dias de viagem pela Carreteira e tenho que confessar que se tivesse o poder de parar o tempo, assim teria feito. Cada Km é fascinante. Cada segundo é surpreendente. Essa estrada tem magia!!! Pode parecer que estou exagerando, pois é apenas uma estrada, mas não é uma estrada qualquer. Não é mesmo!!! Só passando por ela para entender o que estou dizendo.


Carreteira Austral, muito mais do que uma estrada...


Nessa época do ano existem apenas duas formas de sair da Carreteira Austral pelo norte. Via Argentina, pelo passo de Futalefú, saindo na altura de Esquel ou de balsa de Chaitén até Puerto Mont em uma desconfortável viagem de 11 horas. Como depois iria para a ilha de Chiloé, escolhi a balsa e sofri na noite do último domingo em intermináveis horas. A balsa saiu as 21:00 e durante toda noite todos os passageiros se apertaram em uma pequena e desconfortável sala na parte superior da balsa. Que noite...


Maldita Balsa Chaitén - Puerto Mont (11h)


Na última segunda, depois de desembarcar em Puerto Mont, segui para o sul rumo a ilha de Chiloé. Meu amigo argentino, o Dario, se despediu e seguiu para o norte, pois tem que retornar rápido para Mendoza. Depois de 60Km e mais meia hora de balsa, cheguei na colorida ilha. A ilha tem uma vegetação peculiar onde predomina o verde e o amarelo intenso. Mas eu conto mais sobre esse pedaço de paraíso no próximo relato. Não perca!!!

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

Co-patrocínio:
ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas

Apoio:
Grupo Viagem - www.grupoviagem.com.br
Trilha Carioca - Trilhas e treinamento empresarial.
FRG Cultural - www.leandrofregonesi.com.br - A revelação do samba!!!
Erê Bancos - Bancos sob medida para a sua moto!!!
Deuter - www.deuter.com.br - Equipamentos de aventura!!!
Johnny Bordados - www.johnnycomercial.com.br - Bordados especiais.
Trilhas e Aventuras - www.trilhaseaventuras.com.br
Comunicativa - www.clicknoticia.com.br - Ass. e Consultoria Jornalística
Núcleo Ivana de Souza Fraga - www.vidaurgentegaropaba.com.br


De volta ao mar com Lobos Marinhos, Baleias e Pinguins

Por Expedições Solitárias no dia 01/10/2007 às 14h57

Em El Bolson ouvi várias vezes que não tinha nada para conhecer em Esquel. Ainda bem que não acreditei e fui conferir. O passeio no Expresso Patagônico, um antigo trem a vapor que hoje é utilizado, e bem utilizado diga-se de passagem, para o turismo já faz valer a visita a cidade O trem atravessa uma paisagem de “cair o queixo” levando os turistas até uma pequena comunidade Mapuche onde se pode visitar um museu, ver um pouco do artesanato local e ainda comer as deliciosas tartas fritas.


La Tronchita - Expresso Patagônico


Estando na cidade não se pode deixar de fazer o circuito dos lagos. Um passeio por uma estrada de terra que corta o Parque Nacional Los Alerces levando o turista a conhecer lagos de água transparente completamente escondidos no meio das montanhas nevadas. Sem sombra de dúvidas o Lago Verde é o mais bonito de todos. Toda região é muito visitada no verão quando turistas e moradores de Esquel aproveitam as “praias” dos lagos para se refrescar.


Lago Verde


Saindo dos Andes cruzei mais uma vez a Argentina em uma viagem de 700Km para voltar ao Atlântico chegando em Puerto Madryn. Já estava com saudades do cheiro do mar. Já na chegada fui recebido por um grupo de baleias que descansava na costa da cidade a poucos quilômetros da praia. Puerto Madryn é muito bem preparada para o turismo e normalmente é a base de excursionistas que querem visitar a paradisíaca Península Valdes e Punta Tombo, a maior reserva de Pingüins Magalhães da América do Sul. Em Puerto Madryn fui conhecer uma reserva de lobos marinhos e foi muito bom poder observar o comportamento desses curiosos animais e ver as fêmeas amamentando seus filhotes enquanto os machos cuidavam de proteger o seu harém.


Lobos marinhos - O macho ao centro cuida das suas fêmeas


Passei duas noites em Madryn e depois fui para a Península para passar a noite em Puerto Pirâmide, um pequeno povoado de aproximadamente 400 habitantes. De lá pude sair em um passeio de barco que chega bem próximo as baleias. Uma experiência inesquecível. A baleia Franca Austral é extremamente dócil e curiosa, por isso sempre se aproxima dos barcos de turistas. Exatamente por esse comportamento, na época quando eram permitidas as brutais caçadas, elas eram consideradas as baleias perfeitas para serem abatidas. Infelizmente alguns países, como o Japão, ainda brigam pelo direito de poder reabrir a caça.


Baleias em Península Valdes


Para conhecer melhor a península saí com a moto no final da tarde e fui explorar os principais pontos, de onde pude ver elefantes marinhos, pingüins e, obviamente, um lindo pôr do sol. Deixando a Península Valdes comecei minha descida rumo a Ushuaia e não resisti aos encantos de Punta Tombo. Fiquei fascinado com os pingüins e com a facilidade que tive de chegar bem perto dessas lindas criaturinhas.


Um simpático pinguim em Punta Tombo


Dali pra frente sabia que não veria mais nada de interessante até chegar a Terra do Fogo e realmente a paisagem dessa parte da Patagônia é um tanto quanto entediante. Isso sem falar nos fortes ventos que facilmente atingiam a marca de 100Km/h e quase me jogavam longe com moto e tudo Foi difícil!!! Cruzar a Patagônia na primavera, época de ventos fortes, realmente não é pra qualquer um. Mas o pior de tudo acho que não foi nem o vento, e sim passar por 4 aduanas em um dia. Para chegar na Terra do Fogo, tive que fazer a saída da Argentina, o que demorou 3 horas, fazer a entrada no Chile, o que demorou 1 hora e depois novamente fazer a saída do Chile e fazer a entrada na Argentina, já que não tem outra forma de chegar ao fim do mundo. A única coisa interessante foi atravessar o Estreito de Magalhães em uma grande balsa que era jogada de um lado para o outro graças ao forte vento que não deu descanso.

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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Do calor de La Rioja ao frio da Patagônia

Por Expedições Solitárias no dia 19/09/2007 às 18h18

O Parque Nacional da Talampaya em La Rioja, assim como o Vale de La Luna em San Juan, é considerado patrimônio da humanidade pela Unesco, porém, depois de conhecer a Quebrada das Conchas em Salta e suas formações naturais como os Castelos de Pedra e a “Garganta Del Diablo”, fiquei um pouco decepcionado ao ter que pagar quase 60 pesos para conhecer o parque e suas imensas paredes de pedra. Pelo menos pude tirar umas fotos legais e tive a sorte de contar com um guia que também é fotógrafo, sendo assim me presenteou com essa.


Parque Nacional da Talampaya


O próximo parque visitado foi o do Valle de La Luna. Foram três horas de um passeio inesquecível, onde percorri os 40Km do parque com a sensação de realmente estar andando na superfície lunar. Que lugar impressionante!!! Um passeio muito mais interessante e que me custou apenas 20 pesos.


No Valle de La Luna


Do Valle de La Luna desci direto, cruzando a província de San Juan, até chegar novamente em Mendoza onde reencontrei meu amigo Dario. Chegar em Mendoza foi um pouco difícil, pois no caminho encontrei o desagradável vento sonda, muito comum na região. O vento levanta toda a terra e torna praticamente impossível passar de moto. Pra piorar estava com um sério problema na corrente e não podia passar de 60 Km/h. Não foi fácil, mas cheguei.

Depois de uma boa revisão com direito a troca de pneus, corrente, coroa e muitas outras coisas, podemos seguir para Malargue. Podemos, pois, a partir de agora, o Dario passa fazer parte da expedição. Devemos viajar juntos por um mês e meio aproximadamente, descendo até Ushuaia e depois subindo pelo Chile até Santiago quando ele retorna para casa e eu sigo com a expedição.

Passamos apenas uma noite em Malargue e fomos para Caviahue, limite com Chile. A idéia era chegar na pequena cidade no início da noite de domingo, 09/09, mas tivemos problemas. Optamos por uma estrada de rípio que nos levaria por entre as montanhas até Caviahue, passando por belos lugares. Os lugares realmente eram fantásticos, porém, a apenas 4Km da cidade, as motos ficaram completamente presas no gelo que fechava a estrada e, já sendo 19h30, tivemos que dormir por ali mesmo. Armamos acampamento literalmente no meio da estrada e às 21hs o relógio já marcava 4 graus negativos. Foi uma noite longa. Muito longa. No dia seguinte fomos presenteados por um belo dia de sol e por um lugar paradisíaco, a pequena Caviahue. A grande atração da cidade é o seu centro de esqui e o seu lago que espelha com impressionante clareza, o vulcão Copahue.




Acampamento pronto para passar a noite. Acredite ou não, mas estou no meio da estrada.


Depois da gélida noite, um belo amanhecer.





Nada como andar na neve com motos feitas para isso. Eu e Dario relaxando em Caviahue.

Passamos um dia relaxante na cidade e logo seguimos para San Martin de Los Andes. Em San Martin tive a oportunidade de fazer um passeio que não tinha feito na minha primeira passagem pela cidade e fui conhecer a cachoeira do Chachim, já quase na fronteira com o Chile. Uma magnífica queda d’água no meio de uma imensa área verde.


Cachoeira do Chachim, impressionantemente linda


Seguimos sem direção ao sul, passando por Bariloche e parando na alternativa El Bolson. A cidade foi ocupada por hippies na década de 70 e até os dias de hoje mantém a “onda alternativa”. As terças, quintas e sábados, a grande pedida é visitar a feira de artesãos na praça principal. Nos outros dias da semana explorar suas riquezas naturais é o indicado, já que a região oferece diversas opções de trilhas a serem percorridas. Outro passeio interessante é ir até o pequeno povoado de Lago Puelo, a 20Km, e ao parque que recebe o mesmo nome. Sentar em um dos mirantes e ficar apreciando o lago é uma ótima forma de relaxar.


La Puelo visto do mirante do parque


Depois de El Bolson percorremos 170Km para chegar em Esquel, já na província de Chubut. Esquel também está muito bem preparada para o turismo e, além do seu centro de esqui, oferece outros belos passeios, como o passeio de maria-fumaça pela bela região patagônica. Mas isso eu deixo pra próxima.

Ah, e não deixe de passar no meu site para ver ainda mais detalhes dessa aventura: www.expedicoessolitarias.com.br

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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O imenso deserto de sal no norte da Argentina



Por Expedições Solitárias no dia 28/08/2007 às 17h30

Esse relato está um “pouquinho” grande, porém cheio de aventuras e três recordes da expedição: 890Km em um dia, 4.170m de altitude e 3 países em menos de uma semana. Prepare-se...


Salar Grande - O imenso deserto de sal no norte da Argentina

Conforme combinado, no domingo, eu Denis e Karina, fomos até as cataratas pelo lado argentino. Para chegar, diferente do lado brasileiro que vamos de ônibus, temos a opção de caminhar ou ir de trem. Como o dia estava frio e com um pouco de chuva optamos por seguir de trem bala.




Muitos insistem em discutir qual lado é mais bonito, o brasileiro ou o argentino, mas posso afirmar que são passeios completamente diferentes. No lado brasileiro você consegue ter uma visão melhor dessa grandiosa obra da natureza, porém, pelo lado argentino, você chega bem próximo da queda d’água, podendo vê-la de cima e se impressionar com sua força.



Como combinado, na segunda levantei acampamento e parti em direção a capital paraguaia. Foi difícil me despedir de amigos tão queridos, mas a expedição tem que continuar. Foram tranqüilos 360Km por uma boa estrada. Estava muito receoso com a minha visita a essa cidade devido ao risco de roubo e violência, por isso já cheguei com todo cuidado. Assim que chego nas cidades, antes de ir ao hotel, procuro dar uma volta de reconhecimento, mas em Assunção fiz questão de ir direto para o lugar onde dormiria. A cidade não possui albergues, já que não é um destino turístico muito comum, por isso a melhor opção foi um hotel barato do centro. Os donos, um casal de senhores, eram muito simpáticos e logo que cheguei fizeram questão de me alertar quanto ao perigo na cidade.

1 - O primeiro conselho foi para guardar a moto em um estacionamento e dar preferência em caminhar pela cidade.

2 - Táxi, apenas chamando por telefone, pois as ligações são gravadas.

3- Não caminhar pela cidade a noite, pois os moradores das vilas, ou favelas, normalmente vão para as ruas, se aproveitando do fraco policiamento noturno para praticar assaltos.

4 – Câmeras fotográficas e filmadoras, nem pensar.

Quando fui colocar a moto no estacionamento, o dono do lugar fez questão de esconder a moto atrás dos carros, pois disse que se vissem que ali tinha uma moto de um viajante, certamente invadiriam o lugar para roubá-la. Não preciso nem dizer como já estava me sentindo... Senti falta do colete a prova de balas, uma roupa camuflada e a faixa do Rambo para amarrar da testa. Mas queria dar uma chance a cidade e mesmo assim saí para conhecer um pouco do centro que, durante o dia, é fortemente policiado. Já próximo ao hotel, em uma das principais praças da cidade, encontrei um grande acampamento. Descobri depois que são pessoas que se autodenominam “Sem Terra” e pressionam o governo até conseguirem alguma. Quando conseguem, vendem as terras e voltam a acampar na cidade, alegando que as terras eram improdutivas. Os donos do hotel me disseram também que não deveria de forma alguma atravessar a praça, pois são constantes os roubos aos turistas desavisados.

Assunção, apesar de ser uma capital, nem de perto lembra uma. Com apenas 600.000 habitantes, poucos prédios e poucos carros, a não ser nas horas de rush, poderia até ser uma cidade linda e tranqüila se não fosse por conta da grande diversidade social. Prova disso são os dois vídeos que você pode assistir a seguir. O primeiro é da principal praça do centro da cidade...



Mesmo com toda tensão da cidade, uma agência de viagens oferece dois passeios de barco muito interessantes, um de dois dias e três noites pela região do Chaco e outro de seis dias e sete noites pelo Pantanal. Os passeios são bem caros, mas a gerente da agência me convidou a escolher um e tentar assim tirar a má impressão do país. Cada passeio acontece apenas uma vez por mês, por isso deixei a possibilidade de talvez voltar a cidade em outubro para conhecer melhor essa região pouco explorada turisticamente.

Na noite de terça fiquei até tarde debruçado sobre mapas para decidir o que faria. Já estava decidido a deixar a cidade na quarta, mas não sabia se entraria pela Argentina ou se iria pelo noroeste paraguaio, entrando na argentina já na altura da província de Salta, perto da fronteira com a Bolívia. Como tenho que estar em Mendoza no início de setembro para começar minha descida para Ushuaia com o Dario, optei por entrar logo pela Argentina e depois, caso realmente volte a Assunção, entrar pela Bolívia, passando assim pelo noroeste paraguaio para chegar a capital. Com essa minha decisão sabia que teria uma quarta-feira difícil, já que teria que percorrer mais de 1.200 Km em um único dia até a cidade de Jujuy na Argentina. O pior é que a estrada não está toda asfaltada e certamente isso me faria perder um bom tempo, mas já que aventura pouca é bobagem, tomei a decisão de arriscar. Na terça, antes de deixar Assunção, fiz esse vídeo do centro, já que, em cima da moto, seria mais difícil levarem a câmera.. rsrsrs

Deixei o hotel às 09:00h da manhã, 08:00h pelo horário local, pois, para economizar energia, a cidade adota o horário de inverno. Para cruzar a ponte pelo rio Paraguay, tive que subir 30Km para norte, sentido contrário para o qual queria ir, e depois descer para sul, cruzando assim a fronteira com a Argentina. Já no início da viagem, em terras argentinas, fui parado pela polícia e, mais uma vez, segui viagem sem mostrar qualquer documento, apenas contando histórias da expedição. Recebi dos policiais a boa notícia de que a estrada estava praticamente toda asfaltada e ao todo deveria encontrar nada mais que uns 30Km de terra e areia em todo o trajeto. Pra quem tinha previsto quase 200Km de terra, até que a notícia foi muito bem vinda.

Na primeira parada para colocar combustível me dei conta de uma grande besteira que tinha feito. Tinha esquecido de trocar dinheiro. Tinha apenas 60 pesos. Por sorte o posto aceitava cartão, mas comecei a pensar que poderia ter problemas. Mal sabia o que me esperava...

O dia estava bonito e as dificuldades ficaram apenas pelas partes de terra e de areia. A previsão é de que até outubro todo o trecho esteja com asfalto, por isso, devido as obras, os trechos sem asfalto estavam em terrível estado, me fazendo perder muito tempo. Saí de Assunção com a estimativa de chegar em Jujuy por volta das 20:00, mas com o passar do dia, a estimativa já chegava a 01:00 da manhã. Pra piorar a situação, nenhum posto aceitava o maldito do cartão de crédito e, por volta das 18:00, abasteci com os últimos 24 pesos que tinha na cidade Coronel Juan Solá, se é que se pode chamar aquilo de cidade.

Será que podia piorar? Claro que podia... A corrente da moto começou a ficar frouxa e vi que não chegaria a Jujuy sem apertá-la. Em Juan Solá me disseram que em Embarcacion, uma cidade há 170Km, conseguiria lugares que aceitassem cartão e poderia finalmente abastecer e comer, pois a essa altura, tendo comido apenas um mísero sanduíche de pão com queijo, estava morto de fome.

Passei em Embarcacion e, para meu desespero, não encontrei nenhum lugar que aceitasse cartão. Já passava das sete e meia da noite e a escuridão na estrada era total. Me aconselharam a seguir até Pinchanal, 30Km depois. Pelas minhas contas até que teria combustível para mais uns 150Km, mas o problema é que depois dessas cidades não teria praticamente mais nenhuma com alguma estrutura até chegar a Jujuy e, além disso, tinha que apertar imediatamente a corrente. Decidi que, em Pinchanal, aceitando ou não cartão, pararia para apertá-la. E...... Não aceitava cartão.

Desci da moto e fiquei mais de uma hora tentando soltar aquela tal porca do eixo, a mesma que perdi indo para Esteros Del Ibera, mas a bichinha não soltava por nada. Já estava tonto devido ao esforço e, revirando os bolsos, consegui achar 2,50 pesos, o suficiente para comprar UMA medialuna e um refrigerante de 250ml.

Já passava das 21:00 quando decretei “vitória da porca” e resolvi dormir em Pinchanal. O problema é que Pinchanal só tem um hotel que, obviamente, não aceitava cartão. Ainda no posto, um simpático morador me aconselhou desviar do meu caminho e ir para Oran, uma cidade mais estruturada há 30Km a oeste. Restava saber se conseguiria chegar lá com a corrente do jeito que estava. Mas tinha que arriscar. Fui bem devagar e cheguei a Oran por volta das 22:00. A cidade foi a última fundada pelos espanhóis e realmente tinha muito mais estrutura que suas vizinhas. Abasteci, saquei dinheiro, consegui um hotel com bom preço e um restaurante de comidas regionais onde tratei de comer bastante e tomar uma cerveja bem gelada. Foi um dia lindo, porém com uma noite difícil. Ao todo foram 890Km em mais de 13 horas, o novo recorde da expedição.

No dia seguinte consegui um mecânico que me ajudou a resolver o problema e finalmente pude seguir viagem para Jujuy. A cidade, capital da província, é pequena e bem aconchegante. Na região, pode-se dizer que é a melhor base para conhecer lugares como: a Quebrada de Humahuaca, considerada patrimônio histórico da humanidade pela UNESCO; Salina Grande, o maior deserto de sal da Argentina; Tilcara e Pulmamarca, dois pequenos povoados esquecidos no meio das montanhas, o primeiro com uma antiga fortaleza construída pelo povo local, os Tilcaras e o segundo com seu “Cerro de Las Siete Colores”. Primeiro vamos então por um passeio pela Quebrada de Humauaca.

Para conhecer Salina Grande tive que atravessar uma estrada que chega a 4.170 metros de altitude. Não foi fácil passar de moto, pois devido a falta de ar, minha princesa sentiu muita dificuldade e tive que subir alternado em 1ª e 2ª marcha em uma velocidade entre 25 e 40Km/h.

Depois disso, muito feliz por não estar me sentindo mal, desci até 3.500 metros e cheguei ao Salar Grande. Parei a moto e fiquei admirando mais essa maravilha argentina. A grandiosidade do lugar era realmente de tirar o fôlego, ainda mais ao imaginar que, no passado, tudo aquilo tinha sido uma imensa lagoa e agora era um grande deserto de sal.

Não resisti e fui dar uma volta de moto pelo deserto. A sensação foi de arrepiar. Na volta, parei na estrada da “Cuesta de Lipán”, o sinuoso caminho que me levou aos 4.170 metros. A força do vento quase chegou a me derrubar da moto enquanto filmava.

Em Tilcara, outro povoado da região, fui visitar a tal fortaleza que os antigos habitantes construíram para se proteger de possíveis invasões, chamada Pucará de Tilcara. Em queshua, língua dos Tilcaras, a palavra pulcará quer dizer fortaleza. Mais uma vez, devido a altitude, o vento estava muito forte.

Por último, mas não menos importante, Pulmamarca. Interessante observar como o povo da região apresenta traços bem bolivianos, assim como alguns costumes, como o forte colorido dos artesanatos.

E no pequeno povoado pude ainda apreciar o cerro de sete cores. Em um dos dias que estava em Jujuy, quando saía para conhecer algumas dessas maravilhas naturais, encontrei uma pequena procissão. Um senhor me explicou que era uma festa tipicamente boliviana e que a santa em questão não era reconhecida pela igreja católica, porém, em respeito a cultura local, era reconhecida pela igreja da região. Disse ainda que os carros coloridos, cheios de coisas penduradas como talheres de prata, dinheiro, e bichos de pelúcia representam os escravos da santa que oferecem a ela suas riquezas. Os bichos representam então seus animais.

Ontem, domingo, antes de deixar a cidade me aventurei um pouco mais para conhecer as piscinas de águas termais e umas lagoas cercadas de montanhas, mas isso eu conto no próximo relato. Adianto que agora estou na cidade de Salta e, depois de visitar ontem a secretaria de turismo, posso garantir que não faltará aventura essa semana. Prepare-se!!!

Obrigado pela sua companhia. Não deixe de conferir as últimas fotos e ver pelo Google Map o roteiro dessa semana. Depois passe pelo “Troca de Idéia” e deixe seu comentário. Pode ter certeza de que será muito bom lê-lo.

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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Um Pantanal a Ser Descoberto em Pleno Solo Argentino



Por Expedições Solitárias no dia 16/08/2007 às 17h20

Rosário é uma excelente cidade para se passar um final de semana, contanto que tenha sol, é claro. É comum ver a cidade encher nos finais de semana, principalmente de jovens que vêm de Buenos Aires atrás das belas noites “rosarinas”. No dia que cheguei e no dia seguinte o tempo não ajudou muito e por isso preferi apenas caminhar pelas ruas do centro para entender um pouco sobre a cidade. Por sorte o tempo melhorou e o sol voltou a brilhar. Caminhar pela beira do rio...


Passear pela beira do rio é um ótimo passeio em Rosário
...visitar o monumento da bandeira...



Monumento a bandeira em Rosário
...e o museu de arte são programas indispensáveis.


Entardecer visto do observatório no alto do museu de arte de Rosário


Aos domingos a cidade fica cheia de feiras e caminhar por elas é um passeio bem interessante. No verão os turistas argentinos lotam a cidade em busca dos seus balneários e dos esportes náuticos.

Saindo de Rosário cruzei a província de Entre Rios e cheguei, depois de ser parado 4 vezes pela polícia rodoviária, ao Parque Nacional El Palmar. A entrada do parque fica em plena “ruta 14”, indo para o norte, está pouco depois da cidade pequena cidade de Colón. Para entrar paguei 12 pesos e como gostei muito do parque paguei mais 30 para alugar um pequeno trailer e dormir na área de camping do parque que fica bem na beira do rio. Caminhando, cruzei com tatus e outros bichos que vivem no parque Apreciei um belo pôr-do-sol e matei as saudades do verde e da natureza. Um lindo lugar para se visitar.


Últimos raios de sol no Parque Nacional El Palmar


No dia seguinte subi pela “ruta 14” até a “ruta provincial 119” e parei na pequena Mercedes. A cidade não tem muitos encantos, mas é a base para quem quer visitar o pantanal argentino que recebe o nome de Esteros Del Ibera (esteros = região de pântano e I + Berá = Água Brilhante). Esteros Del Ibera é muito pouco conhecido até mesmo pelos argentinos, principalmente pela dificuldade de acesso. Indo por Mercedes são 120Km de estrada de terra até Colônia Carlos Pellegrini, uma pequena vila com alguns hotéis, restaurantes, comércio e casas de moradores. Um lugar bem simples, porém muito acolhedor. Caso você venha de Posadas, ao Norte, o caminho é ainda pior, pois são aproximadamente 100Km de muita areia e uns 30Km de terra. Com chuva fica impossível chegar ou sair de lá, mas todo esforço é muito bem recompensado.


Esteros Del Iberá durante o passeio de lancha


Três são os principais passeios: a volta de lancha pela Lagoa Ibera, a caminhada pelo parque e a cavalgada. Em todos você pode observar a vegetação da região e se aproximar bastante de animais como: veados, jacarés, capivaras, gatos selvagens e macacos.



Assim é Esteros Del Iberá


Um verdadeiro zoológico a céu aberto


De Carlos Pellegrino subi em direção a Posadas e sofri bastante com a areia. A moto chegou a cair no chão, mas por sorte não aconteceu nada. De Posadas continuei em direção a Foz do Iguaçu e parei para conhecer as ruínas jesuítas de San Ignácio, consideradas pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.


Nas ruínas jesuítas de San Ignácio


Na sexta passada cheguei em Foz do Iguaçú onde estou visitando uns amigos. Aproveitei para consertar uma das minhas câmeras e comprar um GPS novo no “mercado paraguaio”. Isso sim que é aventura!!! Em Foz também fui convidado por professores do colégio Monjolo a fazer duas palestras para 6 turmas de sexta série ao terceiro ano. A idéia era abordar temas como diversidade cultural, aspectos geográficos e aspectos históricos. A experiência foi inesquecível!!!


Com alguns alunos do colégio Monjolo de Foz do Iguaçú


Fico aqui até segunda matando a saudade dos amigos e depois entro para o Paraguai rumo a Assunção.

Ta gostando da viagem? Então não deixe de conferir meu site: www.expedicoessolitarias.com.br. Lá você poderá ver mais fotos, vídeos, mapas e relatos exclusivos. Espero você lá!!!

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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Buenos Aires é uma cidade simplesmente incrível



Por Expedições Solitárias no dia 03/08/2007 às 13h31

Acho que acabei entrando no ritmo de férias de julho… rsrsrs Desculpe pela demora na atualização do blog, mas recebi visitas e aproveitei para descansar um pouco, mas agora volto com força total. Ah, antes que me esqueça: Adoro ler os comentários deixados. Obrigado pelas palavras de incentivo!!!


A bordo do Trem de La Costa em Buenos Aires


Buenos Aires é uma cidade simplesmente incrível. Por mais tempo que você fique por lá dificilmente conseguirá conhecer tudo. Depois de ficar quase um mês na cidade já me sinto a vontade para montar uma dica de roteiro para uma semana na capital:

Dia 1 – Caminhar pelo centro nas ruas 9 de Julho, Mayo, Lavalle e Florida, com direito a passar pelo teatro Colon, pelo belo shopping Galeria Pacífico, Casa Rosada e Catedral Metropolitana. A noite curtir um bom restaurante ou um bar em Palermo é uma ótima pedida.


Frente da Catedral Metropolitana de Buenos Aires - 12 pilastras representam os 12 Apóstolos


Dia 2 – Começar o dia caminhando por Retiro e de lá seguir para a charmosa Recoleta. Escolher um belo restaurante e almoçar nesse bairro inesquecível. Não deixe de ir no centro cultural que fica na praça principal do bairro, pois sempre tem exposições interessantes. De lá siga até La Boca para conhecer esse antigo bairro, o estádio do Boca Juniors, La Bombonera e o famoso Caminito, o lugar mais colorido da cidade. A noite, o que você acha de um bom Tango? Opções não faltam.


Caminito, uma explosão de cores


Dia 3 – Compras? O shopping Abasto na Calle Corrientes é uma ótima pedida. Caso queira pechinchar não deixe de ir para a Calle Bartolomeu Mitre na Plaza Once. Tudo é muito barato, é só procurar. Feliz com as compras? Então vá almoçar no Porto Madero e depois caminhe pelo porto em um agradável passeio. Aproveite que está por lá e faça uma reserva em algum bom restaurante para jantar a noite com direito a uma bela música ao vivo.


Eu e Carol na Ponte da Mulher em Porto Madero


Dia 4 – O zôo de Buenos Aires, perto da Plaza Itália, é um passeio imperdível. De lá siga para o Planetário da cidade e para Jardim Japonês. Um é praticamente ao lado do outro. Depois da parada para o almoço, a pedida é uma visita ao MALBA, Museu de Artes Latino Americanas de Buenos Aires. A noite, caso você ainda esteja inteiro, um bom programa é assistir um dos inúmeros espetáculos em cartaz nos teatros da Calle Corrientes.


Jardim Japonês de Buenos Aires


Dia 5 – Dando um descanso de Buenos Aires, que tal conhecer Colônia Del Sacramiento no Uruguai? Comprando antecipadamente a passagem de bukebus, você pode pegar a promoção de 100 pesos ida e volta no barco de uma hora. Não esqueça de levar seus documentos e o papel de entrada no país, pois essa é uma viagem internacional. Chegando em Colônia após atravessar o imenso Rio da Prata, uma boa opção é alugar na própria estação do barco uma scooter ou um carrinho de golfe para passear com tranqüilidade pela cidade. Comece pelo centro histórico, subindo no farol, de onde você pode visualizar Buenos Aires. Se estiver um dia de sol, compre um bom vinho e uns frios para acompanhar, sente então no gramado e fique apreciando o rio. Depois siga com seu meio de transporte até a Plaza de Los Toros, lugar em ruínas onde eram realizadas as touradas em tempos passados. Voltando pela costaneira pare na feira de artesanatos e almoce na praça principal do centro histórico.


Plaza de Los Toros em Colônia Del Sacramiento - Uruguai


Dia 6 – Considerando que seja um sábado, o melhor passeio é ir a Tigre. Uma pequena província próxima a Buenos Aires. O passeio é lindo. Primeiro pegue a linha C do metrô até Retiro. Lá pegue o trem comum e vá até a estação Bartolomeu Mitre (a última). Lá você pega dentro da própria estação o Trem Turístico de La Costa por apenas 16 pesos ida e volta. No caminho aproveite para conhecer as estações do caminho. Cada uma tem uma história e uma característica particular. Chegando na estação final você tem três opções: um enorme parque de diversões, um grande cassino ou, por sinal o meu preferido, fazer um passeio de catamarã de uma hora e meia pelo delta do rio, Custa apenas 20 pesos e de estiver um dia de sol garanto que você vai ficar enlouquecido. Depois do passeio caminhe pelo colorido mercado de frutas e artesanatos, escolhendo um dos vários restaurantes para almoçar. A noite, já que é sábado, opções não faltam para dançar. Escolha uma boa boate ou em espanhol “boliche” y se va a bailar.


"Barco quitanda" em Tigre


Dia 7 – Se ontem foi sábado, hoje é domingo certo? Então vá para a feira de San Telmo. É enorme e além das antiguidades, roupas alternativas e artistas nas ruas fazem desse o melhor passeio de domingo na capital. Almoce em um dos restaurantes do bairro, fechando assim a sua viagem com chave de ouro.


San Telmo aos Domingos - Um lugar imperdível


Gostou? Eu garanto que fazendo tudo isso sua viagem será inesquecível e que suas pernas irão agradecer quando você sentar no avião de volta para casa.

Durante julho, aproveitando que recebi a visita da Carol, aproveitei e fui com ela até Malargue, sul de Mendoza para ela conhecer a Caverna de Las Brujas e os Andes. Aproveitei para fazer um passeio que não tinha feito quando passei por lá de moto: A Reserva Natural da Payunia. Um parque com mais de 830 vulcões. O lugar é alucinante e o trekking inesquecível. Cheguei ao pico do meu segundo vulcão a 2400 metros. O primeiro foi em 2004, o Villa Rica no Chile a mais de 3100 metros.


Reserva Natural da Payunia (Malargue - Mendoza - Argentina)


Ontem, quinta-feira, deixei a capital e segui até Rosário. Fico uns dias por aqui e depois subo. Vou aproveitar agosto para conhecer o Paraguai e em setembro desço em direção a Ushuaia.

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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DOS ANDES AO ATLÂNTICO


Dos Andes ao Atlântico

Por Expedições Solitárias no dia 29/06/2007 às 16h03

A neve em Bariloche aumentou de tal forma que até a estação de esqui foi fechada. Pra piorar a situação, o vento acabou com a luz da cidade além de causar outros estragos. Enquanto tudo isso acontecia eu continuava de olho na previsão do tempo de dois sites, um internacional e um argentino. Me alegrei a ver uma melhora de tempo no domingo, mas estava decidido a deixar a cidade assim que o sol reaparecesse. Isso aconteceu no sábado e arrisquei sair de Bariloche. Foi uma viagem com uma boa dose de gelo na pista. Mas, com a ajuda da minha princesa, consegui chegar a Piedra Del Aguila, uma cidade muito pequena que serve apenas como base para viajantes descansarem um pouco.

Saindo de perto dos Andes a temperatura muda bastante e o termômetro, a essa altura, já marcava 5 graus positivos. Pode parecer frio, mas pra quem vem de Bariloche, isso é quase verão, além disso o sol brilhava no céu e já estava longe de toda neve e gelo. No domingo cheguei a Neuquén, capital da província. A cidade não possui atrativos turísticos, apesar do esforço do governo local em divulgá-la através de cartazes espalhados por todo o estado. Passei apenas uma noite e segui para Bahia Blanca na província de Buenos Aires.


Entre Neuquén e Bahia Blanca


A cidade também não possui atrativos turísticos e, além do mais, é uma cidade cara para o orçamento da minha expedição. No dia que cheguei, andei pelo agradável centro da cidade e, ali mesmo, decidi que ficaria apenas por uma noite.


Centro de Bahia Blanca


Na terça-feira peguei a estrada em direção a Mar Del Plata, o balneário mais amado pelos argentinos. Encontrei uma cidade grande e muito bem estruturada para o turismo, principalmente o turismo de verão. Apesar de ser uma cidade turística, Mar Del Plata tem vida própria e pode ser visitada em qualquer estação do ano.


Pôr do sol em Mar Del Plata


Um passeio imperdível na cidade é percorrer a rodovia costaneira até a pequena e charmosa Miramar, outro balneário. O caminho beira o Atlântico e oferece belíssimas paisagens.


O deserto centro de Miramar


Hoje cheguei na pequena Mar de Ajo, outro balneário, onde visitarei um amigo que fiz ao longo da viagem. Daqui sigo dentro de um ou dois dias para Buenos Aires onde receberei a visita da minha mãe que passará uma semana por aqui me fazendo companhia. Nada como um carinho especial no dia do aniversário que está quase chegando.

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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BARILOCHE - 100 DIAS LONGE DE CASA


Bariloche - 100 dias longe de casa

Por Expedições Solitárias no dia 21/06/2007 às 12h58

Em Bariloche acabei conhecendo um simpático casal de cariocas em Lua de Mel e um colombiano muito louco, o Pablo. Nos juntamos e no sábado pegamos um ônibus para conhecer Villa La Angostura. Uma pequena cidade tipicamente de montanha com menos de 10 mil habitantes localizada a 80Km de Bariloche. A cidade é muito bonitinha e totalmente voltada para o turismo, vale conhecer.



Eu, Vicente e Vanessa em Villa La Angostura


No domingo resolvemos nos aventurar pelas pistas de esqui de Cerro Catedral em Bariloche. Nenhum dos quatro tinha esquiado antes e combinamos de fazer a aula juntos na mais bem estruturada estação de esqui da América do Sul, localizada a 19Km de Bariloche. Catedral, como é conhecido, oferece mais de 70Km de caminhos e pistas, sendo que, a mais alta, para os mais hábeis, está localizada a 2.100m de altitude. As pistas são divididas por cores que indicam os níveis de dificuldade, sendo verde as mais fáceis e preto as mais difíceis. Para os “marinheiros de primeira viagem” o mais indicado é contratar um instrutor particular ou fechar pacote, bem mais barato, que inclui: passe de um dia para montanha, equipamento completo e quatro horas de aula em grupo de até 12 pessoas, sendo duas horas pela manhã e duas a tarde. Para subir a montanha e se arriscar no nível mais básico de pista, o ideal é que o iniciante tenha pelo menos umas 12 horas de aula e alguns dias de prática na zona de principiantes, onde cair e atropelar os outros é bem aceito por todos. Eu que o diga!!! Só de crianças derrubei umas três. Ops...



Eu e Pablo descansando um pouco antes de uma nova descida em Cerro Catedral


Essa semana tirei pra me recuperar das dores musculares. Não sabia que esquiar causava tantas dores!!! Na verdade acho que não causa, o problema foi a quantidade de tombos que tomei. Andei pelas ruas da cidade e fui conhecer Cerro Vierro, um pequeno teleférico localizado a 1Km do centro da cidade.



Vista do alto do teleférico Cerro Viejo


A diferença dele é que a descida pode ser feita por um tobogã gigante, um carrinho de plástico que desce sobre os trilhos de cimento. Um passeio legal e, acima de tudo, bem barato!!!



Será que o freio funciona?


Já está na hora de começar minha subida em direção a Buenos Aires, mas o clima mudou drasticamente e as nevascas são constantes. O forte vento também impede qualquer tentativa de deslocamento, por isso fico por aqui mais uns dias até que o clima me permita seguir viagem.

Antes de me despedir aproveito para dizer que o meu primeiro livro "Na Rota do Vento" já está sendo vendido na Central de Relacionamento da ABRAM, e pelo site Submarino. Clique aqui e peça já o seu.

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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FRIO, CHUVA, NEVE E BELAS PAISAGENS


Frio, chuva, neve e belas paisagens

Por Expedições Solitárias, Baloriche no dia 14/06/2007 às 11h16

Contrariando todas as previsões o dia amanheceu sem neve e sem chuva. Um sol tímido ameaçava aparecer por trás das nuvens, porém ficou só na ameaça.



Rua principal de San Martin de Los Andes


Aproveitei o presente da mãe natureza e dei uma volta por um dos circuitos turísticos naturais de San Martin de Los Andes. A idéia era subir por uma estrada de terra até um mirante, depois seguir até chegar na estrada dos 7 lagos que me levaria ao Cerro Chapelco, centro de esqui da cidade. O início do passeio foi bem tranqüilo e admirarei o lindo visual do mirante.



Vista do lago de San Martin


Depois disso continuei a subir, me deparando com os primeiros sinais de neve que cobria as plantas da montanha. Logo a neve não cobria mais apenas as plantas, mas também a estrada. Diminui a velocidade, mantendo não mais que 12Km/h. Realmente era uma aventura. Pensei em voltar, mas a vontade de seguir não me deixou e lá fui eu andando sobre o gelo. Mesmo a essa velocidade um simples toque no freio é certeza de um belo tombo, por isso segui com todo cuidado pelas subidas e descidas do alto da montanha

Depois da aventura cheguei em uma estrada de asfalto perfeita, achando que dali pra frente seria tranqüilo. Engano meu. O asfalto estava coberto de gelo, principalmente nas curvas e, mais uma vez, todo cuidado era pouco. Avancei com precaução e logo cheguei a Cerro Chapelco, o paraíso de gelo. Eles ainda estavam se preparando para a temporada de inverno, mesmo assim a neve já estava alta e fazia a diversão de alguns turistas que se aventuravam a conhecer o lugar.



Cerro Chapelco


Passei o final de semana praticamente dentro do albergue, pois a chuva e a neve não deram trégua um minuto que fosse. Na segunda queria descer para Vila La Angostura, porém, por conta da neve, a estrada dos 7 lagos foi fechada e, sendo assim, teria que percorrer mais de 250Km para chegar a uma cidade que estava a apenas 100Km de San Martin. Decidi então descer direto para Bariloche e, caso o tempo melhore, volto um pouco até Angostura.




A viagem até Bariloche foi a mais perigosa até então. Sempre classifico o risco da viagem em uma escala de 0 a 5, levando em consideração fatores como distância, qualidade da estrada e clima. Esse, pela primeira vez, era um deslocamento nível 4 e tudo por conta da chuva, neve, gelo e vento. Características climáticas do inverno patagônico. Realmente foi uma aventura e tanto. Peguei duas fortes nevascas, uma quando saía de San Martin e outra quando estava ha uns 80Km de Bariloche. Não sentia nem os pés e nem as mãos que, a esse ponto, já estavam completamente molhados apesar de toda proteção impermeável. Tenho que confessar que foi um alívio entrar na cidade e sentir o pouco calor proveniente da agitação de Bariloche.

O frio está bem forte, mas aproveitei o dia seguinte à minha chegada para conhecer um dos pontos turísticos da cidade, o teleférico Cerro Oto. Saindo de 850m de altitude ele leva você a 1.405 metros, um lugar ideal para apreciar a cidade, suas montanhas nevadas e alguns lagos da região. No topo também tem um restaurante giratório, um lugar bem agradável para saborear um café ou um chocolate quente enquanto aprecia a vista.



Teleférico Cerro Oto com Bariloche ao fundo


Pelo que me informaram as pistas de esqui devem abrir esse final de semana. Quem sabe eu me aventuro em uma delas...

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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MALARGUE - CAVERNAS, MONTANHAS, LAGOS...


Malargue - Cavernas, Montanhas, Lagos e muitas descobertas

Por Expedições Solitárias no dia 08/06/2007 às 10h25

A "Caverna de Las Brujas" está localizada a 65Km da pequena Malargue, 65Km esses que são percorridos por um precário caminho de terra pela famosa rodovia 40, e sua entrada está a nada mais nada menos do que 1800m do nível do mar. Os números do turismo na caverna são impressionantes, chegando a receber mais de 15.000 turistas por ano, estando a maior parte concentrada no calor do verão argentino. A caverna foi descoberta em 1920, mas até os anos 50 não foi explorada, possivelmente devido às lendas locais. Na década de 70 foi construído o caminho que liga a “ruta 40” à caverna, porém somente em 1990 foi integrada a rede de áreas naturais protegidas de Mendoza, ou seja, por 20 anos sua exploração foi totalmente livre.

Quando cheguei a caverna estranhei, pois não tinha absolutamente ninguém. A cabana dos guarda-parques estava fechada e nenhum sinal de movimento. Parei a moto ao lado da placa que indicava estacionamento e corri para o pequeno vão de entrada da cabana, me abrigando assim do forte vento A saída estava marcada para as 10:15h, como tinha chegado com um pouco mais de meia hora de antecedência, concluí que os guardas ainda estavam por chegar. Enquanto esperava, entre o forte barulho do vento, ouvi um pequeno estrondo. Ao olhar vi a moto caída ao chão. Corri para levantá-la, colocando-a agora em uma posição corta-vento, mas de nada adiantou e em menos de 5 minutos estava outra vez ao chão. O jeito foi protegê-la ao lado da cabana, evitando assim que os fortes ventos a derrubassem novamente.




Por volta das 10:20h, para minha surpresa, a porta da cabana se abriu e um guarda-parque, com jeito de quem havia acabado de levantar fez sinal para que entrasse. Ainda com uma cara de poucos amigos me disse que aquele era o primeiro dia de greve e, sendo assim não poderia visitar a caverna. Começamos a conversar um pouco e o Guillermo, era esse seu nome, ficou encantado com a expedição, dizendo então que me levaria a caverna com o maior prazer e, ainda por cima, não me cobraria os 20 pesos de entrada.




Enquanto percorríamos suas estreitas galerias, o Guillermo me contava tudo sobre a caverna e sobre a região, transformando o passeio turístico em um agradável bate-papo sobre história, política, geologia.. Chegamos a uma das salas e o Guillermo me disse que os passeios guiados chegavam até aquela parte, mas se prometesse não contar para ninguém em Malargue, me levaria até a ultima sala, a Sala de las Flores. Tive a certeza de que estava no meu dia de sorte. A caverna é realmente impressionante. Com paciência você pode ver diversas formas esculpidas ao longo dos seus 3Km de galerias, dentes de tubarões, flores, bruxas e até mesmo o rosto de Jesus Cristo com uma perfeita formação.




No caminho de volta parei na “Cascada de Manqui-Malal”. Fui recebido pelo seu proprietário que, coincidentemente, também atendia pelo nome de Guillermo. O local é perfeito para os apaixonados por trekking e ainda melhor para os escaladores, pois oferece vias dos mais diversos níveis de dificuldade. Além de tudo isso é um paraíso paleontológico, abrigando um enorme museu de fósseis marinhos a céu aberto, já que, há milhões de anos, durante a era mesozóica, portanto antes da formação da Cordilheira dos Andes, toda essa região era coberta pelo mar.



Em Malargue, outro ponto de visita obrigatória, é o famoso Valle de Las Leñas, reconhecido como o maior centro internacional de esqui da América do Sul. A estrada deve ser percorrida com cuidado, pois nessa época do ano não é raro encontrar parte do asfalto coberto por lisas e traiçoeiras camadas de gelo. A espera da temporada de inverno que começa no próximo dia 16, a vila se prepara para receber os turistas, com operários trabalhando por suas pequenas ruas e prédios.



No caminho para Las Leñas existem dois pontos turísticos que também não podem deixar de ser visitados: “Pozo de Las Ánimas” e a “Laguna de La Niña Encantada”. O primeiro é uma singular formação geomorfológica que consiste em um grande poço de formação circular com uma incrível lagoa de água doce e cristalina no fundo.


Já o segundo, a "Laguna de la Niña Encantada", é um espelho de água cristalina rodeado por rochas vulcânicas que abriga grandes e belas trutas.


Ainda em Malargue aproveitei para fazer um passeio a cavalo até o dique Blas Brisoli, um belo lugar para admirar o entardecer.



Deixando Malargue me aventurei em 750Km de estrada, sendo 170Km de pura terra, até Junin de Los Andes em 09:30h de viagem. Junin não tem muito apelo turístico, mas mesmo assim fiz um dos seus circuitos turísticos, indo conhecer o lago Tromen dentro do Parque Nacional Lanín. Fui surpreendido por uma desagradável chuva que aliada ao frio, aos fortes ventos que superavam os 50Km/h e a lama do parque que quase me levou ao chão mais de cinco vezes me ajudaram a decidir levantar “acampamento” e baixar para San Martin de Los Andes. Cheguei ontem a San Martin com muita chuva e a previsão para os próximos dias é de neve. Por enquanto a chuva constante não incentiva muitos passeios, mas assim que o tempo melhorar saio da “toca” para explorar a região. San Martin de Los Andes possui uma estrutura turística muito mais desenvolvida que Junín, sendo assim uma agradável cidade para esperar com calma uma melhora de clima.

Um grande abraço e boas estradas.

Rodrigo Ventura

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MOTO, VINHOS E CANIONS


Moto, Vinhos e Canions

Por Expedições Solitárias no dia 01/06/2007 às 17h55

Já tinha passado por São Luís, mas durante o encontro de motos pude perceber que realmente só tinha passado. As caravanas organizadas pelos Veteranos Del Camino M.C., responsáveis pelo encontro, mostrou um outro lado da cidade, o lado de lindas paisagens desenhadas por altas montanhas e grandes lagos.


Passeio de moto em San Luis


Foram três dias de confraternização com shows, jogos e muita conversa fora. Mais uma vez fui muito bem recebido por todos e posso dizer que me senti em casa.


Recebendo a placa do presidente do Veteranos Del Camiño


No domingo deixei San Luís em direção a San Rafael, 270 Km ao sul. A viagem foi complicada, pois, no mesmo dia, entrou uma frente polar com ventos fortes e temperatura bem reduzida, gerando uma sensação térmica bem abaixo de zero. Cheguei ao meu destino com as mãos enrijecidas e muito doloridas, mas nada que um bom banho quente e um capuccino não curasse. A previsão é que a temperatura se mantenha baixa até quarta-feira, voltando a cair no domingo com a chegada de outra frente polar, sendo assim decidi ficar na cidade até quinta e aproveitar a elevação dos graus para viajar.

Reservei a terça-feira para conhecer algumas vinícolas e uma produtora de azeite de oliva de San Rafael. Primeiro visitei a Suter, fundada em 1897 por um casal de suíços, tendo hoje uma produção de 7.500.000 litros do precioso líquido que é exportado para países como México, Canadá, Uruguai, Estados Unidos, Paraguai, Espanha e o nosso querido Brasil.

Seguindo pela estrada a próxima parada foi na primeira produtora de azeite de San Rafael, fundada em 1943, a Yancanelo. A fábrica conserva um interessante museu com os primeiros maquinários utilizados para produzir o azeite extra-virgem. Pude experimentar e realmente comprovar a fama do produto.


Antiga moedora de frutos para a fabricaçao de azeite


Ainda não tinha visitado uma produtora de espumante nessa viagem e por isso segui até chegar na bodega Bianchi, fundada em 1931 por um imigrante italiano. Entre vinhos e espumantes, concentra uma produção anual de 15.000.000 de litros e recebe em média 90 mil turistas interessados em conhecer suas instalações. Tive acesso a lugares abertos apenas ao pessoal interno e pude comprovar a seriedade do trabalho dessa imensa vinícola.


Entrada da Bianchi


Deixando um pouco o vinho de lado, ou acabo sendo tachado de “aventureiro borracho”, na quarta tirei o dia para fazer o principal circuito turístico natural da cidade, o Vale Grande via Cânion Del Atuel, um belíssimo passeio de 160Km. Uma estrada estreita e muito pouco movimentada beirando um rio de água esverdeada acompanhado por imensas paredes de pedra. Que lugar lindo!!! Logo o asfalto deu lugar a terra, entrei então em um caracol que me permitiu observar um dos grandes diques, rodeado por enormes montanhas, de cima. Que paisagem linda... Seguindo caminho entrei de fato no cânion. Estava sozinho no meio do nada em uma estrada de terra que beira um lindo rio de águas geladas e cercado de imensas paredes de pedra. Simplesmente fantástico!!! O Cânion Del Atuel é um dos poucos no mundo que oferecem ao visitante a oportunidade de passar literalmente por dentro e ainda beirar o rio, ou seja, um lugar imperdível.


Primeiro dique do Valle Grande


Ontem deixei San Rafael e a tarde cheguei em Malargue, 180Km ao sul No caminho, descendo pela famosa “ruta 40”, senti um calafrio ao avistar as montanhas cobertas de neve e zonas nebulosas que indicavam nevasca em grande parte dos picos. Conforme avançava torcia apenas para que a nevasca ficasse apenas nas montanhas e felizmente assim foi. Em Malargue a temperatura estava em agradáveis 4 graus e aproveitei para dar uma volta pela cidade para conhecê-la.

Hoje fui visitar a caverna das bruxas e outros pontos turísticos da região, mas isso eu conto na próxima semana.

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ESQUENTANDO OS MOTORES


Esquentando os Motores

Por Expedições Solitárias no dia 24/05/2007 às 15h18

Livre da infecção de garganta pude ter uma semana digna da expedição, com caminhadas, passeios e bons vinhos. Na última sexta-feira fui até Maipú para conhecer algumas vinícolas. Visitei as duas mais famosas da região, as centenárias Lopes e La Rural, onde pude degustar bons vinhos e conhecer de perto o processo de fabricação desse líquido sagrado. As duas são muito grandes, porém a La Rural sempre teve um foco maior em exportação e por isso produz, até hoje, vinhos de excelente qualidade, além de oferecer um inesquecível passeio em seu museu do vinho, uma verdadeira viagem no tempo.


Bodega La Rural, excelentes vinhos


A Lopes também produz vinhos excelentes, mas diferente da La Rural, possui linhas para consumo interno, com mais baixa qualidade e linhas para exportação de alta qualidade. Para o meu aniversário, em julho, comprei um da safra de 1987, um vinho de guarda com preço bem convidativo. Mal posso esperar a hora de degustá-lo...



Bodega Lopez, essas garrafas sao da guarda especial de 20 anos. Comprei uma, mas só abrirei em uma da especial...


No final de semana resolvi curtir um programa tipicamente mendozino: passar a tarde no parque General San Martin, sentado na grama na companhia de um bom livro, um vinho e um mate. No domingo, quando tem sol, o parque fica cheio de pessoas caminhando, correndo, jogando futebol, ou simplesmente sentadas da grama aproveitando o final do calor que em pouco tempo dará espaço ao frio.


Domingo no parque General San Martin


No sábado também fui ao show de uma banda de rock uruguaio que está em turnê e passou por Mendoza, La Vela Puerca. Gostei muito da música quando escutei pela primeira vez em Atlântida e tive a sorte de poder conferir o show, foi muito bom.

Na terça fui dar uma "voltinha"... Fui até a alta montanha, bem próximo a fronteira com o Chile, a 3200 metros de altitude. A paisagem é de cair o queixo. Não sabia se olhava para a estrada ou se olhava para as montanhas. Uma estrada entre a cordilheira com uma estonteante combinação de cores. O verde claro de uma vegetação que ainda resiste ao frio, o marrom avermelhado da terra, o marrom claro das folhas secas do outono, o azul do céu e o branco da neve cobrindo os picos das montanhas a oeste. Por mais que tente descrever, jamais conseguirei colocar em palavras a emoção que estava sentindo, emoção essa que era capaz de me distanciar do frio que a esse ponto já fazia parte do cenário. Nas mãos tinha a sensação de estar segurando cubos de gelo, mas isso não importava, realmente não importava...

Parei primeiro em Penitentes, local de trabalho do meu amigo Darío, porta de entrada do parque do Aconcágua e uma importante estação de esqui que se prepara para receber os turistas que chegam a partir de 15 de junho, quando começa a temporada.


Penitentes, a espera dos turistas e da temporada de inverno


Seguindo adiante parei na ponte Inca, uma maravilha construída pela natureza e utilizada pelos povos antigos para cruzar o rio com suas mercadorias em direção ao Chile. Fiquei admirado com a perfeição da obra.


Ponte Inca, dá uma olhada nas cores...


Um pouco mais a frente chegamos a um ponto de visualização do Aconcágua, mais próximo do que o outro que tinha passado com o Dario. Olhando de onde estava a impressão é que não passa de mais uma montanha a ser conquistada facilmente, mas todos sabem que não é assim. O Aconcágua, por trás de sua rara beleza, tem vida e guarda também muitas outras vidas de aventureiros que o desafiaram.


Aconcágua, simplesmente fascinante!!!


Nesse passeio cheguei a 3200m de altitude, o recorde na expedição até agora e vi como será importante deixar minha princesa mais leve para poder seguir viagem com segurança. Deixo algumas coisas na casa do Darío para pegar depois e amanhã sigo para San Luiz onde terá um grande encontro de motos. Possivelmente no domingo começo a descer em direção a Bariloche e que venha o frio...

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CALMARIA EM MENDOZA


Calmaria em Mendoza

Por Expedições Solitárias no dia 18/05/2007 às 11h27

A semana que passou posso considerar como uma semana de calmaria. Não que eu quisesse, muito pelo contrário, mas minha saúde ficou abalada por conta do vento frio na moto. Aquele gelo todo da serra não me fez bem!!! Quinta e sexta não fiz nada, a não ser curtir um pouco da noite de Mendoza, no sábado já acordei com uma dor de garganta forte que piorou no domingo, depois de uma breve aventura. No domingo a noite fiz o primeiro episódio de febre, durante a madrugada veio o segundo, na noite de segunda o terceiro e na madrugada o quarto. Não tive outra opção a não ser entrar no antibiótico e reforçar as vitaminas, pois não conseguia engolir nenhum tipo de alimento sólido. Ontem já amanheci bem melhor, com uma dor muito ao longe e sem episódios de febre. Parei minha Princesa e decidi andar só quando estiver bem, pois não estou com a mínima vontade de fazer um tour pelos hospitais mendozinos.


Rodrigo Ventura


Mas vamos a última aventura antes da minha "licença médica"!!! No domingo, por volta das 13:00, o Darío, o amigo argentino que conheci em Córdoba, passou no albergue para darmos uma volta de moto, aproveitando o dia de sol. A idéia era rodar 65Km e ir até Villavicencio, um antigo balneário termal que hoje encontra-se desativado, mas mantém uma paisagem digna dos melhores cartões postais, voltando bem antes do anoitecer.

Já na ida bem na nossa frente, um carro vindo em sentido contrário quebrou o eixo e por sorte estava muito devagar, não causando um acidente. Paramos no meio do nada para ajudar a família que estava no carro e só saímos quando conseguimos parar um carro que tivesse um bendito celular que pegasse naquele lugar. O caminho era realmente lindo, principalmente quando a estrada fica entre várias montanhas e você se sente do tamanho de uma formiga. Essas montanhas recebem o nome de pré-cordilheira, pois ficam bem coladas a Cordilheira dos Andes. O caminho que estávamos fazendo era utilizado antigamente para se chegar ao Chile, mas, por ser muito perigoso, construíram uma nova estrada utilizada hoje por todos que querem cruzar a fronteira.


Assim é a estrada!!! Ajudando sempre que possível...

Optamos por subir em direção ao Chile e contornar Mendoza, voltando por uma outra estrada. Subimos por uma estrada de terra que beira precipícios intermináveis, conhecida como a estrada do ano, graças as suas 365 curvas. Dá pra imaginar?


Curvas, terra, pedras, ribanceira e um lugar inesquecível


Chegamos a 3100m de altitude em plena pré-cordilheira e me emocionei ao ver, pela primeira vez, o Aconcágua a olho nu. Um sonho antigo...


Tentei fazer uma foto da montanha, mas nao ficou boa...

Começamos a descer e nessa parte as curvas desaparecem, deixando assim que aumentássemos a velocidade. No final da descida, ao passarmos pela polícia rodoviária, fomos informados que a estrada estava fechada devido a um acidente grave com um caminhão em um dos túneis. Conseguimos passar dando a desculpa que iríamos parar no posto de gasolina para comer e depois voltaríamos pelo mesmo caminho de ida. Paramos para comer e decidimos continuar para tentar a sorte.


Pela beleza eu voltaria pelo mesmo caminha numa boa, mas a noite e com temperatura abaixo de zero, penso que nao seria muito agradável...


O túnel realmente estava fechado e sem previsão de reabrir, pois o acidente, apesar de não ter vítimas graves, foi grande. O policial disse que poderíamos passar bem devagar e com muito cuidado para não cair, pois o chão estava coberto de comida para cachorro e facilmente derraparíamos. Já tinha andado sobre o asfalto, terra, chuva, neve, mas em cima de ração foi a primeira vez. O caminhão perdeu o controle ao entrar no túnel que é em curva e com isso a carreta virou se partindo em vários pedaços.


O paraíso pra qualquer cachorro!!!

Estava morrendo de frio ao chegar em Mendoza, frio que não tinha sentido nem sob neve. Só depois de colocar o termômetro entendo o motivo, era o primeiro episódio de febre começando.

Fico em Mendoza até me restabelecer e sigo viagem. Acredito que isso deva demorar mais uma semana e meia aproximadamente, mas logo começo a sair com minha Princesa para explorar os arredores dessa linda cidade e prometo contar tudo.

Um grande abraço e boas estradas.

Rodrigo Ventura

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A COSTA OESTE DO URUGUAI


A Costa Oeste do Uruguai

Por Expedições Solitárias no dia 03/05/2007 às 16h51

Na quarta-feira passada cheguei em Mercedes, uma cidade sem muitos atrativos turísticos, porém que está passando por um momento de transformação, devido a construção da fábrica de celulose em Fray Bentos. A fábrica é um assunto delicado que está causando uma grande discussão entre os governos da Argentina e do Uruguai. A Argentina alega que, devido a um tratado assinado na década de 70, antes de construir a fábrica, o Uruguai deveria ter pedido sua autorização e o Uruguai por sua vez alega que nada pode impedi-lo de conceder licença de construção de qualquer coisa em seu próprio território. Por conta disso, faz cinco meses que manifestantes argentinos fecharam a estrada que liga os dois países e não pretendem desbloqueá-la até que um acordo seja feito.

Tive a oportunidade de conhecer de perto os quatro lados da polêmica: a fábrica; os manifestantes, chamados de piqueteiros pelos uruguaios; um comerciante da fronteira que está passando necessidades por conta do bloqueio feito por seus compatriotas; e os uruguaios moradores das cidades de Mercedes e Fray Bentos.

A fábrica, projetada para ser uma das maiores, se não a maior do mundo, está com 90% das suas instalações concluídas e afirma que estão utilizando os melhores materiais para que o impacto ambiental seja o menor possível. Passei um dia inteiro andando pela obra e acompanhando o ritmo frenético de sua construção graças ao Beto, um brasileiro responsável por uma parte da obra que me conheceu pelo site, fazendo um convite para ficar em sua casa.


A "Fantástica Fábrica de Celulose" em Fray Bentos


Os manifestantes, muito pacíficos por sinal, alegam que a fábrica destruirá suas vidas, acabando, com a poluição que irá gerar, com suas fontes de renda, como a pesca, a agricultura e a pecuária. Fui muito bem recebido por eles e passamos a tarde juntos tomando mate e conversando. Ganhei até passe livre para atravessar quando quisesse, o que, segundo eles é privilégio de poucos.


O acampamento dos manifestantes argentinos


O comerciante diz que não está do lado da fábrica e muito menos dos manifestantes e deseja apenas trabalhar, pois devido ao bloqueio da estrada, teve que fechar seu restaurante e está trabalhando no restaurante de um amigo para poder sustentar sua família. Disse ainda que teve mercadoria saqueada e equipamentos roubados do seu estabelecimento.


O restaurante, fechado at‚ que a estrada seja desbloqueada


Os moradores de Mercedes e Fray Bentos dizem que os pobres manifestantes estão sendo manipulados e financiados pelo governo argentino que ainda tem, na verdade, interesse de levar a fábrica para o seu país. Isso que eu chamo de esperança...




A ponte, por enquanto deserta


Fui gentilmente recebido por todos e por isso não assumo posição alguma, deixo apenas o desejo de que a solução seja encontrada rapidamente e que seja boa para todos.

Se por algum motivo você passar por Mercedes, não deixe de jantar num restaurante chamado Ovelha Negra. O ambiente, os pratos, os vinhos, o atendimento dos garçons e a simpatia dos donos são mais do que convidativos. Isso sem falar no preço, que, como tudo no Uruguai, é ótimo, ainda mais para um restaurante desse nível.

No sábado peguei a estrada e com um belo dia de sol cheguei a Salto, a região de águas termais do país irmão. Por indicação do filho do Beto fiquei nas termas de Daymán, que fica há 8Km antes de Salto. O camping fica ao lado do parque que conta com oito piscinas de água quente com diferentes temperaturas. O dia no parque custa R$ 4,60 e você pode entrar e sair quantas vezes quiser, das 07 da manhã as 11 da noite. O camping que fiquei também conta com uma ótima estrutura: campo de futebol, uma ótima área verde, diversas churrasqueiras para a parrilla uruguaia, água quente em todas as torneiras, energia elétrica para a barraca e ainda duas piscinas de água quente, tudo isso por uma diária de coincidentes R$ 4,60 por pessoa. Devido ao feriado prolongado de primeiro de maio, Daymán estava com um movimento um pouco maior do que o esperado, mas nada que incomodasse.


Piscina das quentes termas de Daymán


Ontem fui a Uruguaiana para resolver uns problemas burocráticos e voltei para o Uruguai para conhecer as termas de Arapey. A área verde é muito maior do que a de Daymán e o camping fica dentro do parque junto com as piscinas que funcionam 24 horas, porém, apesar de relaxantes, não são tão quentes.

Me preparo agora para entrar para a Argentina onde pretendo convencer aos argentinos que o melhor jogador do mundo definitivamente não é o “Maladona”. Será que consigo???

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura.

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DO LESTE AO OESTE URUGUAIO


Do Leste ao Oeste Uruguaio

Por Expedições Solitárias no dia 25/04/2007 às 15h48

Isso que eu chamo de planejamento, assim como mencionei na última mensagem, estou exatamente em Colônia. A semana foi bem tranqüila e cheia de coisas pra fazer. Deixei La Paloma na quarta e segui viagem. Em Punta Del Este fiquei impressionado com o boom imobiliário da cidade que está crescendo em uma velocidade assustadora. A Miami dos sul-americanos, como alguns chamam, oferece bons restaurantes, hotéis luxuosos e grandes cassinos, caso você goste de jogar. Mas prepare-se, pois é a cidade mais cara do Uruguai e facilmente você encontrará os preços na moeda americana.


A mão do gigante. Uma famosa escultura em Punta Del Este.


Segui pela rota 10 que recebe o nome de Rota Interbalneária e cheguei a Piriápolis. Essa pequena e encantadora cidade estava deserta por conta da baixa temporada e a maioria dos estabelecimentos comerciais tinha uma placa dizendo: “Até o próximo verão”. Passei rapidamente pelas suas ruas arborizadas, tranqüilas e segui até Atlântida.


A pequena e charmosa Piriápolis


Atlântida é tão pequena quanto Piriápolis, porem conta com a vantagem de estar há apenas 45 Km da capital do país, Montevidéu. Alguns uruguaios optam por morar em Atlântida e trabalhar na capital, mantendo assim sua qualidade de vida nessa cidade que parece ter saído de um livro de conto de fadas. Outros marcam presença em suas praias nos finais de semana ensolarados e por isso sua estrutura diária é um pouco melhor. Fui muito bem recebido na casa de uma família de uruguaios que conheci em Garopaba e passei três dias maravilhosos com eles. Atlântida não tem muito o que fazer, mas andar pelas ruas do centro e pela praia no final da tarde enquanto o sol se esconde já são ótimos passeios. Fora isso as pessoas da cidade são muito simpáticas e não fique admirado se, ao ser apresentado a alguém, essa pessoa lhe cumprimente com um beijo no rosto. O beijo é um costume dos uruguaios, mesmo entre homens. Mas não se preocupe, você não vai virar “boiola” por retribuir, afinal cultura é cultura e deve ser respeitada em qualquer parte do mundo.



Pôr do sol em Atlântida


Depois de ser muito mimado pelos Lanza, segui para Montevidéu e logo senti a diferença. A última cidade grande que passei foi São Paulo, de onde saí no dia 31/03, ou seja, mais de 20 dias em lugares tranqüilos. Cruzei a cidade em direção a Cidade Velha, o bairro histórico de Montevidéu, onde fiquei hospedado em um albergue por 270 pesos uruguaios, algo em torno de R$ 25,00. Um pouco salgado para o orçamento, mas era isso ou dormir embaixo do cavalo do General Artigas na Praça da Independência e torcer para não ser preso, pois o cara no Uruguai é mais importante que santo. Fiquei no albergue!!!

O albergue é muito bem localizado, pois fica na entrada da cidade velha, limite entre a zona perigosa da cidade e a noite na agitada Bartolomeu Mitre, rua que abriga a maioria dos bares e boites de Montevidéu. Outra coisa... Caso um uruguaio lhe faça um convite para ir a um boliche, não pense que passará a noite derrubando aqueles pininhos, pois boliche por aqui são as boas e velhas boites que, por sinal, só começam pra valer por volta das duas da manhã. Êta povinho pra gostar da noite...

O domingo é um ótimo dia para o turismo na capital. O primeiro programa foi re-visitar a feira Christan Navajo, uma das mais tradicionais não só de Montevidéu, mas de todo o Uruguai. Lá você pode encontrar de tudo, mas também pode perder, perder sua bolsa, sua carteira, seu celular, por isso é bom ficar de olhos bem abertos.


A tumultuada feira Christan Navajo em Montevidéu
Peguei um ônibus até o Mercado do Porto para me deliciar em um de seus belos restaurantes. Um programa imperdível para quem gosta de apreciar bom pratos a preços justos. O difícil é escolher o restaurante, são várias as opções, mas não se preocupe, você não vai se decepcionar.



O autêntico assado uruguaio sendo preparado em um dos restaurantes do Mercado do Porto em Montevidéu


Continuando o dia turístico peguei outro ônibus e fui para o famoso estádio Centenário, pois hoje era dia de clássico no campeonato uruguaio: Nacional x Liverpool.

Mas é claro que o aventureiro trapalhão não poderia deixar essa passar em branco. Chegando no estádio, comprei o ingresso, R$ 3,60, na primeira bilheteria que vi e entrei. Só na arquibancada é que me dei conta que estava na torcida do Liverpool, mas até aí tudo bem. Uns dez minutos antes do jogo começar notei que alguns torcedores olhavam pra mim e comentavam alguma coisa. Mas estava tudo tão tranqüilo que não dei muita atenção. Só descobri o motivo quando os torcedores do Nacional, em número bem maior por sinal, levantaram suas bandeiras nas cores azul e vermelha, exatamente a cor da camisa que eu estava vestindo. Na hora não sabia se ria ou se chorava, mas tratei foi de colocar o casaco e fechar até a gola para não correr o risco de ser linchado em pleno estádio Centenário.


Estádio Centenário


O Nacional acabou ganhando por 2 x 1 e de lá peguei um ônibus para ir até o Montevidéu Shopping, para o último programa do dia. Dei uma volta pelos apertados corredores e fui direto para o cinema assistir a um filme. Cheguei morto no albergue as onze da noite, mas feliz por ter feito um belo dia turístico na capital.

Na segunda aproveitei antes de partir para andar pela 18 de julho, a rua mais movimentada de Montevidéu, com um grande número de lojas e de gente andando pelas calçadas, e assim me despedir dessa grande cidade.


Praça da Independência com a Av. 18 de julho ao fundo


Entrei na estrada e contei com a companhia da chuva e do vento gelado em todo o percurso, mas fui recompensado pelas belezas da cidade de Colônia Del Sacramento, a oeste do Uruguai, a beira do Rio da Prata e há apenas 50 quilômetros de Buenos Aires, uma travessia que deve ser feita de barco.

Em Colônia os melhores passeios são andar pelas agradáveis ruas do centro histórico, subir no farol, andar de bicicleta pela “rambla” que margeia o Rio da Prata, visitar a pequena feira de artesanato e assistir ao pôr do sol na beira do rio. Tendo feito isso você pode dizer que conheceu Colônia. Para apreciar a boa culinária, a pequena cidade também oferece bons restaurantes e para ficar por aqui você pode contar com uma boa estrutura de hotéis a todos os custos.


Uma, apenas uma das belas ruas do centro histórico de Colônia Del Sacramento


Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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AS MARAVILHAS DA COSTA LESTE DO URUGUAI



Por Expedições Solitárias no dia 18/04/2007 às 19h32

O Parque Nacional de Santa Teresa é simplesmente fantástico, um passeio imperdível para quem entra no Uruguai pelo Chuí. Fiquei seis dias acampado por lá e foram mais do que suficientes para conhecer tudo. Caso você não goste de acampar, não se preocupe, o parque oferece a opção de locação de cabanas, algo muito comum aqui no Uruguai. Na baixa temporada uma cabana para 3 pessoas pode chegar a custar 150 pesos por dia, pouco menos de R$ 15,00, uma opção barata e confortável. Mas caso queira vir no verão, reserve com bastante antecedência e esteja pronto para pagar um preço bem mais salgado e encontrar um parque completamente entulhado de gente. No último verão até uma festa Rave aconteceu!!!


Praia Grande, a maior praia do Parque Nacional de Santa Teresa


As cinco praias são praticamente juntas, separadas apenas por algumas pedras ou pequenas dunas de areia, por isso, caso você esteja com disposição, pode tirar um dia e caminhar por todas elas e caso tenha sorte, poderá ver as toninhas se divertindo na água gelada. Para os adeptos ao surf, não esqueçam suas pranchas e roupas de borracha, pois a formação das ondas nas praias do parque é muito boa também. Foras as praias e a bela natureza, existem três rápidos passeios que podem ser feitos em uma manhã: visita ao mini zôo, ao invernáculo (jardim de inverno) e ao sombráculo (jardim de verão). Mas e a Fortaleza?


Surfista se divertindo nas ondas das praias do parque


A Fortaleza fica ao lado do Parque Nacional, porém, para visitá-la você deve sair do parque pela entrada principal e voltar 4Km na estrada até a sua entrada. O camping que escolhi ficava bem ao lado da saída secundária do parque, uma saída que leva diretamente a Fortaleza num percurso de aproximadamente 500 metros, porém permitida apenas para os militares, sendo assim tive que apelar para o bom jeitinho brasileiro, fazendo amizade com o guarda responsável pela saída e pronto, estava autorizado a passar!!!

A Fortaleza abre para visitação apenas de sexta a domingo e é um passeio histórico imperdível. Totalmente conservada, abriga na suas salas, um museu com a sua história e a história do Uruguai, isso sem falar na vista privilegiada que oferece. O preço para visitá-la é muito barato, algo em torno de R$ 1,00.


Estátua de um militar com a Fortaleza de Santa Teresa ao fundo


Seus arredores também guardam grande beleza. O pequeno balneário de Punta Del Diablo, com sua pouca estrutura e ruas de terra, chega a receber no verão 20.000 turistas, gerando renda para o sustento dos quase 1.000 moradores durante todo o ano, época em que fica praticamente deserta. Punta Del Diablo fica a apenas 3 Km ao sul da entrada do Parque, por isso uma boa opção é montar sua base no parque e visitá-la quando quiser

Um pouco mais distante, uns 60 Km e você chega a entrada de Cabo Polônio. Para visitar essa preciosidade da natureza, você deve deixar o seu carro no estacionamento de uma das agências e pegar um veículo 4 x 4, pagando 120 pesos, ou R$ 11,00. O carro atravessa as dunas de areia, passando pela praia, até chegar na pequena vila que abriga aproximadamente 40 famílias. Estando por lá, um passeio imperdível é subir no farol e ter uma vista privilegiada do lugar, porém está sujeito as condições climáticas. Ah, e custa apenas 15 pesos, R$ 1,40, para subir os 132 degraus da escada em caracol. Você também tem a opção de ficar em Cabo Polônio, um quarto de casal na pousada custa 25 dólares, uma opção mais em conta é alugar uma cabana de pescadores por 300 pesos ou ainda um quarto em um pequeno albergue por 250 pesos. Caso você faça a opção de passar uns dias por lá, esteja pronto para perder contato com o mundo exterior e uma boa dica é levar seus mantimentos, pois em Cabo Polônio, na baixa temporada, são pouquíssimas as opções de restaurante. Tive a sorte de visitá-la num final de semana muito especial, pois estava recebendo pintores famosos de Montevidéu. Esses pintores realizam um projeto que consiste em escolher um lugar no Uruguai e passam o final de semana pintando os muros e paredes das casas com verdadeiras obras de arte. Lindo!!!


Barco de um pescador de Cabo Polônio


Fora isso não perca seu tempo visitando La Coronilla ou Barra do Chuí, pois não encontrará nada que faça valer a visita.

Deixei o parque na última segunda-feira e fiquei até hoje em La Paloma, um pequeno balneário também, porém muito mais estruturado, tendo inclusive dois bons supermercados. Achei um albergue e paguei 200 pesos, menos de R$ 20,00 por dia. Em La Paloma não se tem muito o que fazer, mas vale passar um dia observando a pacata cidade e subir no Farol, esse porém com 143 degraus. Haja fôlego!!!


A pequena e agradável La Paloma


Hoje continuei a viagem, passando por Punta Del Este e Piriápolis, aportando em em Atlântida na casa de uma família de uruguaios muito simpáticos que conheci em Garopaba. Depois vou para Montevidéu, para respirar um pouco de poluição, e sigo até a bela e imperdível Colônia.

Em grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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DE GAROPABA AO URUGUAI



Por Expedições Solitárias no dia 11/04/2007 às 11h25

Como era de se esperar Garopaba ficou lotada no feriado, mas infelizmente os visitantes não contaram com a sorte e o tempo fechou, abrindo apenas no domingo de Páscoa. Em Garopaba pude reencontrar velhos amigos e visitar novamente lugares especiais, como a Praia do Ferrugem e a Praia do Rosa, as preferidas pelos surfistas, e o mirante da Vigia.


Na praia da Ferrugem com a Praia da Barra ao fundo



Praia do Rosa


Para os que, assim como eu, gostam do lado Zen, Garopaba também oferece um lugar inesquecível. O Centro de Yoga Montanha Encantada, um centro de formação com aproximadamente trinta confortáveis quartos e que oferece uma vasta programação ao longo de todo o ano. Tive a oportunidade de participar de uma agradável noite de mantras, cantos de origem indiana muito relaxantes. Em sânscrito “man” quer dizer mente e “tras” livre, ou seja, são músicas para libertar a mente. Vale conferir!!!

Para os mais radicais, a dica é subir a trilha da Montanha Encantada que leva até a Pedra Encantada, um mirante que dará aos seus olhos a oportunidade de ver Garopaba por cima e, com a ajuda do tempo, seus olhos poderão alcançar até a cidade de Laguna. Devido às chuvas tive que deixar esse passeio para a próxima oportunidade, um ótimo motivo para voltar para essa cidade encantada.



Mirante da Vigia em Garopaba - SC


Me despedi dos amigos e saí na segunda-feira em direção ao Parque Nacional de Santa Tereza, já no Uruguai. De Garopaba segui pela BR 101 até Torres e de lá pela freeway até Porto Alegre, onde peguei a BR 116 em direção ao Uruguai, pernoitando na cidade de Pelotas. Uma opção no caminho é sair da BR 101 na altura de Tubarão, ainda em Santa Catarina, e subir pela magnífica Serra do Rio do Rastro até a BR 116 e depois descer pela charmosa Serra Gaúcha até Porto Alegre. Na aventura de 2004 fiz esse caminho e foram as 10 horas de viagem mais belas dos 7.250Km da expedição “Na Rota do Vento”.

Saindo de Pelotas a natureza revela um lugar fascinante, a Reserva Ecológica do Taim, com 15 Km de extensão onde facilmente você encontra capivaras e outros animais menores cruzando a pista. Por isso é bom diminuir a velocidade e ficar atento.

Ontem cruzei a fronteira do Brasil com o Uruguai pelo Chuí e fui direto para o meu destino, o Parque Nacional de Santa Teresa, localizado a apenas 30 Km. O parque é o maior do Uruguai, com 3.200 hectares, e o seu nome vem da Fortaleza de Santa Teresa que fica ao lado e foi construída em 1762 pelos portugueses, donos da região na época. Apesar de ter sido abandonado com a independência do Uruguai em 1828 e o fim do período colonial, o parque está muito bem conservado, mas tudo graças a iniciativa do empreendedor arqueológico Horácio Arredondo que, a partir de 1923, comandou as obras de restauração, criando, inclusive, um bosque com mais de 3 milhões de plantas. Dentro da imensidão do parque ficam cinco praias: La Moza (onde estou acampado), Las Achiras, Playa del Barco, Playa Grande e Cerro Chato.

Primeira fronteira cruzada na expedição

Outra vantagem é a sua proximidade com o balneário Punta Del Diablo, uma enseada protegida por vegetação e rochas que avançam mar adentro, e com o cabo Polônio, um lugar inóspito onde aproximadamente 40 famílias uruguaias vivem em casas simples sem ítens básicos como água e luz e dividem o lugarejo com uma das maiores colônias de lobos-marinhos do mundo, abrigando mais de 300 mil animais.

Ma isso eu deixo para a próxima semana.

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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APELO PELA PAZ NO TRÂNSITO



Por Expedições Solitárias no dia 06/04/2007 às 16h20


Os números das BRs no Estado de SC
(publicado no Diário Catarinense em 05 de abril de 2007)


Chega o feriado da Semana Santa e como em todos os feriados prolongados a grande preocupação fica por conta da segurança nas estradas.

Estou em Garopaba – SC e ontem fui assistir o primeiro espetáculo totalmente ao vivo do teatro do núcleo Ivana Fraga, da fundação Vida Urgente. Os atores, a princípio amadores, trabalharam como profissionais e emocionaram a todos que lotavam o auditório da faculdade Unisul em Imbituba. Passaram com clareza a mensagem que queriam, mensagem essa que serve para todos nós: No trânsito há vida!!!


Atores do Grupo Teatral do Núcleo Ivana Fraga com a D. Dilza (blusa vermelha) e o capitão Fraga (blusa preta)


O Núcleo Ivana Fraga (www.vidaurgentegaropaba.com.br) foi inaugurado no dia 18 de setembro de 2004, pelos pais da Ivana, falecida aos 22 anos no dia 03 de maio do mesmo ano em um acidente na BR 101: o capitão Fraga e a D. Dilza. Por obra do destino eu estava em Garopaba e pude participar desse momento tão importante. Cheguei dois dias antes, exatamente no dia do aniversário da Dilza. Nossa empatia foi instantânea e pude ouvir dela algo que me marcou muito, me marcou pra sempre. Foi naquela tarde do dia 18 de setembro, em meio a correria para inauguração do núcleo. Lembro que naquele momento tive a sensação de sentir o mundo parar de girar, o relógio interromper o ciclo dos ponteiros, enquanto ela, segurando minha mão, dizia com seu forte sotaque gaúcho: “Tenho certeza que tem dedo da Ivana nessa sua chegada, tenho certeza”. Tive que concordar, tentando disfarçar em vão os olhos cheios de lágrimas.

A Dilza, o Fraga e toda família são um exemplo de vida, o exemplo de uma família que não se escondeu atrás da dor e buscou aprender a lição imposta pelo Criador. Com uma força que nunca pensaram que teriam, fundaram o núcleo, o grupo de teatro, lançaram um livro em homenagem a Ivana e estão vivendo. Mas agora com a missão de conscientizar os jovens e adultos sobre a importância da vida nas estradas. Clique na imagem abaixo para conhecer mais sobre o livro. Eu li e recomendo!!!



Tenho visto muita imprudência nas estradas nesse início de viagem. E olha que é só o início. Caminhões ultrapassando pelo acostamento e ultrapassagens perigosas fazem parte das imagens que não gostaria de guardar, mas que já fazem parte da expedição. Minha pergunta é: pra que isso? Será que uma vida inteira vale por apenas alguns minutos a mais? Se você tiver a chance de conversar com uma família que perdeu alguém no trânsito, garanto que irá refletir melhor sobre as suas atitudes atrás do volante. Faça esse teste, procure alguém, dê uma palavra de conforto e escute com atenção o que essa pessoa tem a lhe dizer, mesmo que seja um singelo olhar de lágrimas desprovido de palavras. Dói. Pode ter certeza, dói...

Em cidades como Rio e São Paulo, as mães ficam preocupadas com a violência, assaltos, bala perdida, mas aqui a realidade é outra. Grande parte das famílias já perdeu alguém querido nas estradas da região, principalmente na BR 101, que somente agora está sendo duplicada. Por isso a preocupação ocorre ao saber que um filho está na estrada. Mais do que preocupação, o sentimento correto chama-se medo, medo de que aquela despedida venha a se tornar um adeus.

Transcrevi um texto da capa do Diário Catarinense de 12 de março de 2007, logo após o carnaval:

Estradas têm fim de semana trágico

Depois do massacre ocorrido durante o Carnaval, as mortes voltaram a ser protagonistas nas estradas de Santa Catarina no final de semana.

Entre a noite de sexta-feira e às 22h de ontem 11 pessoas haviam perdido a vida em acidentes, a maioria na Grande Florianópolis, Vale do Itajaí e Norte de Santa Catarina.


Somando isso com o quadro estatístico que coloquei no início do texto, você pode ver que não estou mentindo, muito menos exagerando sobre a condição das estradas catarinenses.

A vida é urgente. Paz nas estradas!!! Respeite a vida!!! Esse é o apelo que deixo...

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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ATÉ MAIS TRINDADE



Por Expedições Solitárias no dia 28/03/2007 às 11h45

Sair da Trindade foi mais difícil do que achei que seria. Um lugar muito especial que marcou definitivamente o início da expedição Pelas Curvas da América. Deixei a Trindade no sábado depois de repetir mais alguns passeios e ficar uma tarde inteira na Almada Brava completamente deserta e cristalina, onde a única companhia que tínhamos ficava por conta dos medrosos siris. Perfeito é pouco para descrever aquele momento.



Nossa simpática companhia na praia Almada Brava


Consegui também apreciar o pôr-do-sol na praia da Fazenda, um belo espetáculo da natureza.



Pôr-do-sol na praia da Fazenda


No caminho para Campinas segui pela BR 101 até Caraguatatuba para subir pela Tamoios. Foi uma grata surpresa ver a estrada tão bem conservada. Dancei com a minha princesa pelas curvas da Tamoios enquanto a natureza dava conta de preencher o cenário com uma bela paisagem. Sem perceber logo estava entrando na rodovia D. Pedro I, último trecho do meu deslocamento.

Na D. Pedro aconteceu algo engraçado. Um pouco dolorido, mas engraçado. Olhei no retrovisor e vi um caminhão vindo a toda velocidade. Abri para ele me passar e, para minha surpresa, ele estava com um carregamento de algo que parecia ser milho, mas milhos especiais. Eram milhos voadores e assassinos que vinham exatamente em cima de mim como pequenos mísseis teleguiados. Fiquei um tempo atrás dele, pois logo encontramos uma subida e parecia que estava enfrentando uma chuva de granizo, mas ao invés de granizo era milho. Uma situação ridícula que me fez dar boas risadas dentro do capacete. Logo ele se distanciou, mas veio outra subida e encostei novamente. Resolvi parar para abastecer e me livrar desse dolorido temporal de milhos.

Decidi vir para Campinas para visitar uns amigos e fazer hora, pois dia 29 tenho que estar em São Paulo em um evento da ABRAM – Associação Brasileira de Motociclistas -, co-patrocinadora da expedição.

Aqui em Campinas ganhei mais um apoiador para a expedição: o Tonico’s Bar, na categoria apoiador itinerante. Me ofereceram gentilmente as refeições durante a minha estada na cidade e o apoio de seu assessor de imprensa para divulgação da viagem. O bar é muito legal e oferece vários eventos culturais ao longo da semana, além de um belo cardápio Caso você seja de Campinas ou venha até aqui, não deixe de visitar. O site é www.tonicos.com.br.



Tonico´s bar em Campinas - Um lugar especial!!!


Na quinta-feira sigo para São Paulo, onde na sexta receberei a visita da minha mãe e provavelmente no sábado ou domingo sigo para o meu próximo destino.

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

Co-patrocínio:
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AS BELEZAS DE TRINDADE E SEUS ARREDORES

As belezas de Trindade e seus arredores

Por Expedições Solitárias no dia 21/03/2007 às 12h02

Pelo meu planejamento inicial ficaria dez dias em Trindade e hoje seria o dia da partida rumo ao meu próximo destino. Mas como planos são feitos para serem mudados, resolvi ficar mais alguns dias nesse paraíso. Tenho que confessar que o coração já começa a apertar só em pensar em ter que deixar esse lugar, mas consigo me reconfortar ao lembrar que ele fica há menos de 300Km do Rio de Janeiro e um simples final de semana é suficiente para me trazer de volta para cá.

Pode até parecer que dez dias em Trindade já é muito tempo, afinal não tem muito o que se fazer por aqui. Mas ledo engano. Ficar sentado na praia vendo o bater das ondas, nadar nas águas quentes - pelo menos estavam enquanto fiquei por aqui - passear pelas trilhas até a piscina natural e até a pedra que engole, visitar as praias próximas, que ficam no caminho até Ubatuba, ir até Paraty, ou seja, opções não faltam para rechear o tempo.


Essa é a pedra que engole, uma das atrações de Trindade. Para ir não precisa de mapa e muito menos de guia. Basta seguir até o final da praia do meio, atravessar o rio a pé mesmo e entrar na trilha. Pouco mais de 20 minutos levam você até uma pequena cachoeira formada por uma pedra oca. Se você agüentar a temperatura gelada da água é fácil entrar na gruta que se forma por trás da pedra para observar a cachoeira por um ângulo diferente.

No mesmo caminho, um pouco antes, tem a pedra do escorrega com diversão garantida. Vale apenas o devido cuidado, pois escorrega mesmo. Outra opção para quem tem um pouco mais de fôlego é subir a trilha para poder ver Trindade de cima. Um belo cartão postal.


Trindade vista de cima


Mas se você não gostar de trilhas e cachoeiras, a dica é pegar o carro, ou moto, no meu caso, e seguir em direção a Ubatuba parando nas praias do caminho. Eu não escolhi antes, simplesmente via uma placa indicando praia e entrava, mas duas não podem deixar de ser visitadas: Ubatumirim e Almada Brava.


Minha princesa em Ubatumirim


Em Ubatumirim as ondas passam longe e você pode relaxar a vontade na água quente dessa praia. Pela primeira vez tive a sensação de andar de moto na beira do mar em uma praia praticamente deserta. Simplesmente fantástico.


Mirante da Almada com vista para Ubatumirim


Para chegar na Almada Brava você tem que entrar em direção a praia da Almada e subir por uma estrada que leva você até esse belo mirante de onde pude fotografar Ubatumirim vista de cima. O visual é ótimo e tem um restaurante bem simples para você se refrescar com um suco natural ou uma água bem gelada. Chegando na Almada você pode ficar por ali mesmo, já que é uma bela praia, ou seguir por uma trilha de aproximadamente quarenta minutos para conhecer Almada Brava, uma praia de águas cristalinas escondida entre os morros da serra do mar.

Outra boa dica que deixo é ir até Paraty em uma noite de final de semana e aproveitar os sabores da culinária internacional. Se o orçamento não permitir, afinal é um programa nada barato, só o fato de andar pelas ruas do centro histórico ao som dos músicos que tocam nos restaurantes já é um passeio bem agradável.


A charmosa Paraty


Mas está chegando a hora de levantar âncora, acho que em três dias já sigo para a próxima cidade. Posso adiantar que não é uma cidade muito turística, mas tenho grandes amigos por lá e não poderia passar sem ao menos ficar uns dias para colocarmos o papo em dia.

Obrigado pela sua companhia!!!

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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PRIMEIRO DESTINO TRINDADE

Primeiro destino: Trindade

Por Expedições Solitárias no dia 13/03/2007 às 18h22

A capacidade de se libertar todos os dias talvez seja a única forma de manter sua alma eternamente presa a sua

A rotina aprisiona você sem que você perceba. Quando você menos espera, vira um verdadeiro robô comandado pela sociedade que dita o que é certo e o que é errado sem perguntar a sua opinião. Quando reconhecemos a nossa prisão e conseguimos nos libertar, nos aproximamos da nossa essência sendo quem realmente somos. Acho que é por isso que não gosto de rotinas, gosto de fazer os meus dias, o meu tempo, a minha vida e assim seguir em busca da felicidade. Pense nisso!!!


Entrada de Trindade na 101


Imagino como alguns de vocês devem estar curiosos para saber meu primeiro destino, certo? Afinal, por onde uma expedição de um ano começaria?

Desci pela BR 101 - Rio/Santos e a aportei em Trindade, cidade localizada


Piscina do Cachadaço


Cheguei aqui no domingo e consegui um camping muito legal a beira mar na praia do Rancho e virado para o leste, ou seja, vejo o nascer


Vista de dentro da barraca


Trindade possui algumas pousadas simples e muitos campings, a maioria bem rústicos, porém com o mínimo para a minha sobrevivência: chuveiro quente!!! Além disso sua localização é privilegiada, afastada da estrada e há apenas alguns quilômetros de Paraty e 50 de Ubatuba.

O forte da cidade, como qualquer cidade litorânea é o verão, quando a pequena rua principal fica praticamente entupida de carros e pessoas passando. Agora em março são poucos os que chegam até aqui, aumentando ainda mais a tranqüilidade desse lugarzinho abençoado.

Quanto a comida, não espere grandes banquetes, mas até que você encontra uns bons temperos. Pretendo cozinhar ao longo da viagem para minimizar o custo, porém passei esses três dias iniciais comendo o bom e velho PF (prato feito) por R$ 8,00 e muito bem servido. Mas se você for muito exigente, não se preocupe: basta pegar o carro ou um transporte local e ir até Paraty para saborear pratos da culinária internacional.

Por aqui conheci um cara muito legal de Brasília, que saiu há 20 dias de Curvelo, norte de Minas e desceu a Estrada Real de bicicleta. Foram mais de 1.200 Km


Eu e Bruno na praia do Cachadaço


Devo ficar mais alguns dias por aqui para explorar um pouco mais a região. Depois sigo para uma outra cidade para ver alguns amigos. Mas o nome da cidade eu só conto depois. Antes disso trarei mais dicas daqui da região.

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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E VAI COMEÇAR

E vai começar...

Por Expedições Solitárias no dia 06/03/2007 às 18h08

"Apesar das dúvidas, sempre tive a certeza de que iríamos partir. Mas, à medida que se aproximava o dia, eu me pegava, lá no fundo do coração, tentando me convencer de que realmente estávamos tomando a decisão certa".
Heloísa Schürmann (Em Busca do Sonho - 2006)

Acho que somente agora entendo o que a Heloísa quis dizer quando escreveu essa frase em seu livro. Apesar de toda certeza que tento demonstrar ao falar da viagem, no fundo me convenço de que estou fazendo a coisa certa. Uma decisão difícil com muitos riscos envolvidos, mas assim sou eu, esse é o meu espírito: Aventureiro, um eterno aventureiro!!!

Antes de mais nada, peço desculpas pelo sumiço. Estou na semana que antecede o início da expedição e por isso a correria nas duas últimas semanas foi grande.

Mas apesar da correria, tenho boas notícias!!!

Fui até São Paulo para testar a minha nova companheira de viagem e para acabar de equipá-la. Tudo, ou quase tudo deu certo. Descobri que quando carrego o bagageiro e o galão extra de combustível, a minha nova companheira não consegue ficar apoiada no descanso e com isso ela caiu duas vezes. Mas já resolvi isso regulando a suspensão traseira e baixando sua altura do solo. Acho que agora ela fica em pé!!!


Recebendo novos acessórios em São Paulo


Minha ida a São Paulo foi mais do que proveitosa. Fechei uma cota de co-patrocínio com a ABRAM – Associação Brasileira de Motociclistas - e recebi a promessa do Lucas, presidente da entidade, de apoio na busca de outros patrocinadores.




Já essa semana o que pesou mesmo foi a mudança e, pra falar a verdade, não agüento mais carregar bolsas de um lado para o outro. Isso sim cansa!!!

Recebi algumas mensagens de pessoas perguntando quais livros eu li para preparar a viagem. Vou listar apenas alguns:

Em Busca do Sonho – Heloísa Schürmann
Enciclopédia da América Latina
Pé na Estrada – Ricardo Caiado
Everest – Waldemar Niclevicz
Sozinho no Pólo Norte – Thomaz Brandolin
Imagens da América – Marco Malafaia e Fernanda Graell
Guia O Melhor da América do Sul – Editora Abril

Fora os sites pesquisados e os mapas que consegui. Mas só assim para me sentir confortável com uma aventura dessas.

Ontem consegui finalmente acabar de montar o meu kit de primeiros socorros. Estou indo bem preparado, pois não sei o que encontrarei pela frente. Pedi para que uma amiga médica preparasse a lista e ontem fui as compras. Dá uma olhada no tamanho???


Remédios do kit de primeiros socorros


Minha saída está marcada e agora não pretendo adiar por nada desse mundo, para o dia 11 de março, próximo domingo. O primeiro destino já está decidido, mas isso eu só conto quando chegar lá. Garanto que o lugar é muito bonito e super tranqüilo.

Até lá!!!

Um grande abraço e boas estradas,
Rodrigo Ventura

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A DECISÃO E OS PREPARATIVOS

A decisão e os preparativos

Por Expedições Solitárias no dia 22/02/2007 às 17h18

"Você pode ficar desapontado se falhar, mas já está derrotado se não tentar".
Beverly Sills (1929 - , soprano norte-americana)
Sempre disse isso: " prefiro mil vezes errar porque tentei ao invés de errar por não ter feito nada". Deveríamos tentar mais coisas, arriscar, buscar, sei lá... Tem um outro provérbio que diz: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez!” Muitas vezes criamos limites que não existem, limites que disfarçam nossos medos e não nos deixam buscar coisas novas. Existem pessoas que vivem nesses limites durante anos de suas vidas e quando se dão conta a vida simplesmente passou. Não deixe a sua vida passar, tente e não tenha medo de falhar. Pelo menos você tentou!!!


Nascer do sol visto da janela de casa. Bons momentos para refletir.


O mais difícil em uma grande expedição é tomar a decisão de fazê-la. Deixar tudo pra trás e sair em busca do desconhecido é algo que muitos não conseguem entender. Acho que, pra falar a verdade, nem eu mesmo entendo.

Há muito guardava o sonho de rodar a América do Sul em uma Expedição Solitária, mas não havia chegado a hora. Sabia que receberia algum sinal quando chegasse o momento certo e estava a espera deste dia. No início de 2006 rompi os ligamentos do joelho direito e fui obrigado a me submeter a uma cirurgia. Com isso fiquei 20 longos dias “de molho” em casa e aproveitei para ver e rever alguns filmes. Um dos escolhidos foi Samsara, um filme que conta a estória de um monge tibetano que sai do mosteiro para viver uma vida normal por um tempo e depois retorna. Nesse filme aparece uma frase, ou melhor, um ditado tibetano que fez com que tomasse a decisão:

Como fazer para que uma gota d’água jamais seque?

Atirando-a ao mar.


Estava na hora de me atirar ao mar. Eu estava secando. Pode parecer estranho, mas é verdade; preciso conhecer lugares novos, pessoas novas. Preciso de aventura. Alguns podem pensar que minha vida não estava nada legal para tomar essa decisão, mas estão enganados. 28 anos, gerente de uma das maiores empresas do mercado segurador nacional, um grupo de amigos verdadeiros que conseguem animar até aqueles velórios dos mais chatos, uma família maravilhosa ao lado, ou seja, tudo perfeito, perfeito até demais. Mas estava na hora de buscar o meu mar...

Decidi que a grande expedição aconteceria no ano de 2007, o meu ano sabático (como chamamos esse tipo de experiência no meio empresarial) e comecei a me preparar para tal. Foram pilhas de livros e muitas horas de pesquisa na internet. Estudo de mapas, contato com pessoas e o mais difícil, convencer a todos de que não estava ficando maluco. No meio de tudo ainda resolvi publicar o meu primeiro livro, ou seja, correria pura. Comuniquei minha saída da empresa e marcamos que meu último dia seria 02 de janeiro de 2007 e assim foi. Choradeiras a parte, foi um momento muito importante, onde pude sentir o carinho que todos tinham por mim, conquistado em apenas um ano, mas um ano de muito trabalho e de muitas conquistas.

Planejar uma expedição de um ano não é simples. Fora a parte financeira, pois não tive tempo de me dedicar à busca de patrocínio, muitos cuidados devem ser tomados, principalmente com o equipamento a ser utilizado.

Comunicação

Para comunicação de emergência, além do celular, optei por tirar uma licença de rádio amador e comprar uma unidade móvel, o alcance é baixo, mas na emergência ajuda. O processo é meio chato e demorado, até prova na ANATEL você é obrigado a fazer, mas vale a pena. Também vou levar uns foguetes de sinalização. É melhor não arriscar

Documentação e Vacinas

A documentação foi até rápida. Renovar passaporte, carteira de habilitação internacional e seguro carta verde. O desagradável mesmo fica por conta das vacinas, odeio agulhas!!! Febre amarela, Dupla, Tríplice Viral e Hepatite B. Acho que nunca levei tanta agulhada na minha vida.

Roteiro

Optei por não fazer um roteiro rígido, quero ter a liberdade de fazer o que der vontade, mas, devido ao clima no sul do continente, tive que programar pelo menos meu tempo de permanência em cada país, não correndo o risco assim de ficar preso em estradas fechadas devido às tempestades.

Roupas e Camping

As camisas serão em tecido dry fit e personalizadas para a expedição. Foram dadas pela equipe da Trilha Carioca, a quem agradeço e muito por todo o apoio recebido. Obrigado Cadu Freitas por ter acreditado no projeto desde o início. As calças também serão em tecido leve e resistente. Consegui achar roupas de lycra revestidas com flanela que esquentam bastante quando colocadas por baixo E, é claro, a roupa de estrada: jaqueta, calça, luva e botas foram cuidadosamente escolhidas e testadas.

Moto

Depois do problema da Boulevard, resolvi radicalizar e escolhi uma trail de baixa cilindrada para economizar no combustível e no peso, afinal estarei sozinho. Irei com uma 250 cc carburada. A moto é nova, foi direto para o Erê que tratou de prepará-la para a viagem. Novo banco, nova estrutura para bagagem e tanque extra de gasolina deram vida a minha mais nova companheira de viagem.


Recebendo a moto adaptada pelo Erê. Concordo que não está linda, mas, como diz o próprio Erê, está funcional!!!


É... O dia está chegando! Na semana passada comecei a desmontar o apartamento. Parei apenas no Carnaval, afinal não perco por nada os blocos de rua do Rio de Janeiro. Fui a oito no total: Escravos da Mauá, Concentra Mais Não Sai, Azeitona Sem Caroço, Bola Preta, Cordão do Boitatá, Simpatia É Quase Amor, Corre Atrás e Quizomba. Isso sem falar na Sapucaí, fui no segundo dia dos desfiles e me acabei!!! Pra encerrar o Carnaval com chave de ouro, no domingo tem Monobloco e depois é só acertar os preparativos finais da expedição Pelas Curvas da América.


Na Sapucaí com meu grande amigo Cadu Freitas


Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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O FINAL DA SAGA DA TEMPERATURA

O final da saga da temperatura

Por Expedições Solitárias no dia 14/02/2007 às 12h26

Amigos, ao invés de, como de costume, colocar pensamentos de autores que nos levam a refletir, peço licença para um breve desabafo.

Não agüento mais sentir medo. Medo de sair às ruas, medo de me aproximar de pessoas, medo de viver.

Em menos de uma semana quatro incidentes marcaram minha vida. Ao sair do prédio da minha mãe vi um garoto chorando, pois haviam roubado sua bicicleta. Corremos e conseguimos pegar dois dos ladrões. O terceiro fugiu. O que me espanta é que os dois que pegamos tinham 8 e 11 anos; eram apenas duas crianças.

Criança também era o João, aquele menino de olhar angelical que foi brutalmente assassinado por bandidos aqui na “Cidade Maravilhosa” ou “Paraíso Tropical” e a pergunta que a mídia faz é: "E não vamos fazer nada?" Mas o que podemos fazer? Comprar armas e sair pelas ruas atirando? Nos trancar dentro de casa e esperar alguém resolver? Não, não quero isso pra mim. A revolta deve ser expressa em atos de amor e de solidariedade. A compaixão deve vencer o ódio e só assim poderemos mudar essa dura realidade.

Realidade que senti na pele na última sexta-feira, quando fui com uma amiga e um casal ver uns amigos que tocam em um quiosque na Lagoa. Quando o show terminou, por volta das três da manhã, fui pegar a moto e meu amigo pediu para dar uma volta. Ao andar pelo estacionamento, o barulho acordou uma mulher que estava dentro de um carro. Ela saiu gritando como louca que aquilo era uma falta de respeito e que eu não sabia com quem estava me metendo.

Voltou então com dois homens completamente bêbados e muito exaltados. Um deles, chamado Sandro, alegava ser policial federal, quebrou meu capacete e disse em bom tom que só não me matava naquele momento pois seus filhos estavam ali. Enquanto isso, a mesma mulher gritava dizendo que pessoas assim arrastam crianças pelas ruas. Não satisfeita, abriu a mala do carro e fez questão de mostrar três pistolas.

Na hora não senti medo ou raiva, senti apenas pena. Pena deles, pena dos seus filhos, crianças que olhavam toda a cena com cara de espantados, e de todos que imploravam para ele se acalmar, inclusive eu. A minha pergunta é: onde vamos parar? Ando com medo agora. Ele anotou a placa da moto e disse para eu tomar cuidado. Não quero tomar cuidado, quero apenas viver...

Pensando assim, fui no sábado para acompanhar, pelas ruas de Ipanema, o desfile do meu bloco de coração, Simpatia É Quase Amor. Pelo segundo ano consecutivo meu grande irmão Leandro Fregonesi ganhou o samba, samba esse que diz: "Amarra uma fita amarela, acende uma vela lilás, pro Rio desaguar num mar de paz". A festa estava completa, completa até alguém sacar uma arma e dar quatro tiros para o alto. Todos correram e nisso vi uma criança, mais uma criança, chorar e olhar para a mãe pedindo para não morrer. Ela não quer morrer, nós não queremos morrer.

Está na hora de uma atitude nos nossos governantes. Medidas a curto, médio e longo prazo precisam ser tomadas. Eu só quero de volta o meu direito de ir e vir. Quero ver crianças sorrindo com o simples desabrochar de uma flor e não espantadas, chorando, roubando e até mesmo mortas com requintes de crueldade. Por isso peço a você que faça a sua parte, tenha compaixão, reconheça a essência das pessoas e tente apenas fazer o bem, buscando assim o seu caminho de evolução.

Não agüento mais sentir medo. Medo de sair às ruas, medo de me aproximar de pessoas, medo de viver.

Bem, mas depois desse “breve” desabafo, finalmente você vai conhecer o final da Saga da Temperatura...

Depois de uns 20 minutos parado no meio do nada e sem ter o que fazer, voltei para a estrada com a luz apagada. Foi um alívio, porém mal sabia que seria apenas por um tempo, logo ela voltou a acender. Peguei um pedaço de pista liberado e consegui subir a velocidade e com isso resfriar o motor com o vento da serra. Mas mesmo assim a luz continuava acesa. Como o celular ainda não tinha sinal, a única saída era continuar. Mais a frente começou a descida e consegui ficar em ponto morto por um tempo, o que fez com que a luz apagasse novamente. Mas o pior ainda estava por vir..

Depois disso, a luz de temperatura ficou intermitente, acendendo e apagando, e, devido ao cenário, optei por arriscar e chegar pelo menos em SP. Entrando na cidade e com a luz ainda intermitente, a moto começou a morrer notei o motor sujo de óleo. Chegava ao fim a Prova de Fogo.

Parei no primeiro posto que vi, liguei para a seguradora e acionei o reboque. Em meia hora ele já estava lá e um táxi me aguardava para me trazer de volta ao Rio. Confesso, sem a menor vergonha, que ao ver aquela cena não consegui segurar as lágrimas. Foi triste!!! Queria muito viajar com a Boulevard pelas curvas da América, mas não posso arriscar uma expedição tão longa dessa forma.

Alguns podem achar que “dei mole” em ter forçado, mas já era mais de cinco da tarde, o celular não pegava e por isso tinha que arriscar... Nessas horas nosso processo de tomada de decisão fica sensivelmente afetado e nosso instinto de sobrevivência fala mais alto!!!

Chegando ao Rio deixei a moto na Suzuki e eles alegaram que tudo não passou de uma fatalidade. Trocaram as peças e ela ficou “novinha em folha”. Mas a confiança foi abalada e o próximo passo era buscar uma nova moto para a viagem.

Como tinha prometido, seguem mais duas dicas de passeio quando for a Foz do Iguaçu:

1 – Templo Budista – O lugar, além de lindo e propiciar uma bela vista da cidade, possui uma paz contagiante. Vale ir para lá, sentar no gramado e deixar o tempo correr. Garanto que você sairá com suas energias renovadas.


Templo Budista


2 – Restaurante La Rueda (Puerto Iguazu) – A melhor pedida são os pratos de peixe e para acompanhar, um bom vinho argentino. Não é um restaurante caro, apesar de ser muito charmoso e o atendimento ser de primeira.


Entrada do La Rueda



Peixe ao molho de cogumelos


Uma terceira, que não é bem uma dica de passeio, mas pra quem gosta de uma cerveja ao entardecer, vale cruzar a fronteira e tomar uma boa Quilmes em qualquer bar argentino que tenha mesas na rua. A tranqüilidade de Puerto Iguazu é convidativa para passar o tempo.


Viva Quilmes


Bem, agora começarei a falar dos preparativos para a próxima expedição, marcada para começar já no início de março. Ops, falta menos de um mês!!! Conto com a sua companhia...

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura

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A SAGA DA TEMPERATURA

A saga da temperatura

Por Expedições Solitárias no dia 06/02/2007 às 00h28

"Aquele que domina os outros é forte; aquele que domina a si mesmo é todo-poderoso".
Lao Tsu (604-531 a.C., filósofo chinês)

No início do ano fui convidado para falar no primeiro programa Atualidades,da Rádio MEC, sobre um tema muito interessante: Felicidade. Defendo a idéia de que todos podem alcançá-la desde que tenham autoconhecimento. Conhecer e dominar a si mesmo é o único caminho para ser feliz Em uma Expedição Solitária, momentos difíceis são inevitáveis, porém, torná-los uma lição é a melhor forma de superá-los.

Imagino que você deva estar curioso para saber o final da “Prova de Fogo”, certo??? Mas vou voltar ao início para você entender tudo que aconteceu nos mínimos detalhes.

Foram 18 horas que levei para percorrer os 1.480 Km entre Rio e Foz A previsão inicial era de algo em torno de 14/15 horas! A viagem foi quase tranqüila. Quase porque em São Paulo a minha menina acendeu a luz de temperatura quando estava rodando pela Castelo Branco a toda.

Baixei a velocidade para 110/120 Km/h e consegui rodar sem que a luz acendesse, mas nessa velocidade não chegaria a Londrina (onde tem autorizada) a tempo de pegá-la aberta e por isso decidi esticar até Foz do Iguaçú, independente da hora que chegaria. Nisso descobri que não podia baixar de 100 Km/h ou ela superaquecia por falta de ventilação. O problema seria passar pelas cidades pequenas sem frear e também explicar para o policial rodoviário paranaense que eu estava vivendo meio que uma situação de Velocidade Máxima e por isso não respeitava os limites de velocidade!!!


Abastecendo em Santa Mariana, interior do Paraná


Mas consegui chegar. Tudo bem que já era mais de uma da manhã, mas cheguei. No dia seguinte deixei a moto na autorizada e voltei na parte da tarde. Segundo eles, tudo não passava de um erro do mecânico da Suzuki do Rio que revisou minha moto. Eles explicaram que o tal mecânico, ao completar o fluido de arrefecimento, teria deixado ar no sistema e com isso a bomba jogou todo o líquido para fora, gerando assim o superaquecimento.

Completaram o líquido e disseram que não precisava mais me preocupar. Rodei por Foz no sábado e aparentemente tudo normal. Mal sabia o que me esperava no dia seguinte...

Bem, agora vem a parte mais trágica de todas. Caso você sofra de profunda paixão por motos, tenha cuidado ao ler!

No domingo, saí de Foz exatamente as 05:30 da manhã, ou 06:30 pelo horário de verão. Abri bem o motor para ver se a temperatura se mantinha, aproveitando que ainda estava perto de Foz. Ao passar pelo primeiro pedágio, reparei que a luz vermelha de temperatura acendeu e, menos de 10 segundos depois, apagou. Achei que isso pudesse ter acontecido por alguma bolha de ar, ou sei lá o que, uma vez que o líquido tinha zerado e depois fora completado, podendo com isso ter causado algum "distúrbio" sensorial". Fiquei de olho, mas ele não voltou a acender.

Minha preocupação ficou por conta do consumo nessa parte da viagem. Rodando a 150/160 Km/h, na primeira parcial entrei na reserva fazendo uma média de 12 Km/l. Achei que pudesse ser a qualidade da gasolina em Foz, apesar de ter abastecido em um posto Ipiranga. Diminuí a velocidade para diminuir o consumo, uma vez que não via posto pela frente e, infelizmente, a gasolina acabou antes que o posto chegasse, fazendo uma média de 11 Km/l na reserva.

Empurrei um pedaço e consegui fazê-la pegar no plano. Empurrei mais um pouco e por sorte cheguei em um posto "genérico". Passado o susto, segui viagem em direção a Curitiba, escolhendo por um caminho diferente do feito na ida.

Optei por acelerar e o consumo ficou na casa dos 14/15 Km/l, mas precisava testar a temperatura de uma vez por todas. Cheguei bem em Curitiba e pelas minhas contas chegaria no Rio por volta das 20:30, ou seja, as 15 horas estimadas inicialmente.

Saindo do Paraná, entrei na serra e o drama começou. A luz de temperatura acendeu novamente, porém agora estava na serra, com um trânsito infernal e sem acostamento, ou seja, não conseguiria usar a mesma tática da ida de rodar a 120 para manter a Boulevard resfriada e não conseguiria parar sem uma boa dose de risco. Rodei até achar um acostamento e parei por um tempo para ver se ela esfriava.

E esfriou? Vou deixar o final dessa história, as fotos do Templo Budista de Foz e a dica de um belo restaurante em Puerto Iguazú para o próximo post. Até lá...

Um grande abraço e boas estradas,

Rodrigo Ventura


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O FIM DA PEQUENA E A PROVA DO FOGO


Por Expedições Solitárias no dia 02/02/2007 às 08h48

"Não importa como o homem morre, mas como ele vive".
Samuel Johnson (1709-1784, escritor britânico

Pensando assim, considero cada dia como sendo um dia especial e por isso tento fazer de cada momento, por mais simples que ele seja, um momento perfeito. Juntar os amigos para jogar conversa, andar de moto e sentir o vento cortando o rosto, deixar a emoção fluir ao ver uma criança sorrir, dizer “eu te amo” pras pessoas que realmente amo. São coisas simples, mas que só podem ser apreciadas se vivermos intensamente o agora, o hoje. Viver cada dia como se fosse o último, as pessoas dizem isso, mas na maioria dos casos é da boca pra fora. Pense o seguinte: Se você recebesse uma notícia hoje dizendo que terá apenas mais três meses de vida e que nesse tempo gozará de plena saúde para fazer o que quiser. O que você faria com o seu tempo?

Pensando assim, considero cada dia como sendo um dia especial e por isso tento fazer de cada momento, por mais simples que ele seja, um momento perfeito. Juntar os amigos para jogar conversa, andar de moto e sentir o vento cortando o rosto, deixar a emoção fluir ao ver uma criança sorrir, dizer “eu te amo” pras pessoas que realmente amo. São coisas simples, mas que só podem ser apreciadas se vivermos intensamente o agora, o hoje. Viver cada dia como se fosse o último, as pessoas dizem isso, mas na maioria dos casos é da boca pra fora. Pense o seguinte: Se você recebesse uma notícia hoje dizendo que terá apenas mais três meses de vida e que nesse tempo gozará de plena saúde para fazer o que quiser. O que você faria com o seu tempo?

Como combinado, hoje vou contar pra vocês o derradeiro fim da minha Pequena. Em fevereiro de 2006 resolvi vendê-la para adquirir uma nova moto, um pouco mais nova, uma vez que ela já beirava os 50.000 km rodados Um amigo me indicou uma loja em Vila Isabel, a Moto Vila. Fomos até lá para conversar com o Léo, dono da loja, e ele prometeu que em menos de uma semana tudo estaria resolvido e eu receberia o valor que realmente queria. Para encurtar o papo, no final das contas o tal Léo, aparentemente uma ótima pessoa, vendeu minha Pequena, fechou a loja e sumiu, desapareceu, escafedeu-se.

Fiquei com o prejuízo e abri uma queixa criminal. Soube que ele já foi depor, chorou e disse que iria acertar tudo. Porém sumiu novamente e com isso cada vez mais diminui minhas chances de rever ou a minha pequena ou o valor prometido. Uma dica: nunca deixe veículos em consignação em lojas que não sejam representantes autorizadas das marcas, ou você poderá ter problemas.

Mas isso já é passado. Vamos deixar esse assunto de lado, voltar ao papo das viagens, que é o que realmente interessa, e falar da expedição “Prova de Fogo”.

Enquanto planejava a próxima grande Expedição Solitária, decidi realizar uma “Prova de Fogo” com minha nova companheira de viagem - uma Suzuki Boulevard M800 azul, 2006, 805cc - e com os equipamentos de proteção - bota, calça, jaqueta, luva e capacete - que me acompanhariam em mais uma aventura programada para 2007.

O objetivo, além de testar a resistência da nova moto e dos equipamentos de proteção, era testar a minha própria resistência. Iria realizar um deslocamento de 1.500 Km em apenas um dia, batendo o meu recorde pessoal que até então limitava-se a 640Km realizados entre Ubatuba e Curitiba no terceiro trecho da expedição Na Rota do Vento.

No dia 01 de novembro de 2006, quarta-feira véspera do feriado de Finados, deixei a cidade do Rio de Janeiro em direção a Foz do Iguaçu. O roteiro foi escolhido em virtude da condição das estradas, o que permitiria “enrolar o cabo” como dizem os motociclistas e observar o comportamento da Boulevard e o seu consumo em diferentes velocidades.

Dependendo do ponto de vista, a expedição pode ser considerada um sucesso ou um grande fracasso. Deixo pra você decidir.

O saldo:

Jaqueta e Calça – Agüentaram bem o temporal na estrada, confirmando total impermeabilidade.

Bota – Devido a um defeito de fabricação, não resistiu à chuva e já foi trocada.

Luva – Rasgou nos primeiros 600 Km, apesar de ser uma luva da conhecida marca BMW, e também já foi trocada, depois de muita briga com a BMW.

Capacete – Depois dos 300 Km, representou um grande incômodo na parte frontal, possivelmente por estar muito justo. Já foi trocado por um tamanho maior!

Problemas simples de serem resolvidos, mas que felizmente apareceram durante a Prova de Fogo. Você deve estar agora se perguntando: E a Boulevard? Agüentou?

Deixo essa foto para despertar a sua curiosidade e os detalhes contarei no próximo post. Até lá!!!


Eu e a minha Boulevard prontos para passear de reboque


Um grande abraço e boas estradas.

Rodrigo Ventura

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CHEGA AO FIM DA PRIMEIRA EXPEDIÇÃO


Por Expedições Solitárias no dia 30/01/2007 às 10h47

“As condições de um pássaro solitário são cinco: 1 - Que ele voe ao ponto mais alto; 2 - Que não anseie por companhia, nem a de sua própria espécie; 3 - Que dirija seu bico para os céus; 4 - Que não tenha uma cor definida; 5 - Que tenha um canto muito suave”.
San Juan de La Cruz (1542 – 1591, poeta e religioso espanhol)

A maior parte das pessoas se espanta quando digo que viajo sozinho. Acham estranho alguém conseguir ficar tanto tempo sem uma companhia conhecida. Acredito que o grande segredo para isso dar certo é ter a capacidade de estar sozinho no meio de uma multidão e conseguir se sentir acompanhado no meio de um enorme deserto. Para isso é preciso estar bem com você mesmo, ter autoconhecimento e se aceitar. Quando recebi esse poema de um amigo achei que as condições eram perfeitas para esclarecer o verdadeiro espírito de uma Expedição Solitária.

Fechando a apresentação da expedição, que deu origem ao livro Na Rota do Vento, falta ainda falarmos de cinco lugares que considero indispensáveis a um viajante. São eles:

Punta Del Este – O balneário uruguaio tem restaurantes muito bons e é uma excelente pedida para quem quer descansar. Caminhar pelo calçadão e assistir ao pôr-do-sol são programas imperdíveis. E para aqueles que gostam de cassinos a cidade também oferece boas opções!!!


Pôr-do-sol em Punta Del Este


Montevidéu – Andar pelas ruas de Montevidéu é uma rica experiência cultural. Contrastes de uma arquitetura antiga com as belezas naturais, como o Rio da Prata, formam um cenário belíssimo. Visitando a capital uruguaia não deixe de almoçar no Mercado do Porto. Apesar de inicialmente ter uma aparência bastante simples, a comida é ótima. Eu indico o El Palenque, onde comi um picadinho de frango ao shoyo com arroz ao açafrão, cebola e champignon, simplesmente dos deuses.


Cartão do El Pelenque


Picadinho de Frango ao Shoyo


Se tiver a sorte de passar um domingo por lá, siga pela Av. 18 de Julho e visite a feira Cristan Navaja. Nesse enorme mercado você pode encontrar de tudo. Vou listar apenas algumas “coisinhas”: roupas, fraldas, peixes, minhocas, ratos, aranhas, escorpiões, legumes, verduras, artesanato, ferro-velho, quadros, celulares... E por aí vai!!!

Buenos Aires – Escolha o meio de transporte que melhor lhe convier e faça todos os roteiros indicados no mapa turístico da cidade Buenos Aires é encantadora. Alguns bairros e lugares especiais: San Telmo - o bairro mais antigo da cidade, com sua infinidade de antiquários; Retiro - o berço financeiro da cidade com imponentes prédios e pessoas correndo de um lado para o outro; Barrio Norte - lojas caras de grifes importantes e casas formidáveis; Recoleta - mais charmosa impossível; Puerto Madero – excelente para um almoço à beira do Rio da Prata e uma caminhada ao entardecer. Não deixe também de apreciar uma apresentação de Tango na Calle Florida. É de emocionar. Isso tudo sem falar na hospitalidade argentina. Esqueça esse papo de futebol e certamente você será recebido de braços abertos.



Ciudad Del Este – Na verdade não conheci muito da cidade, pois a estrada que vem de Encarnacion leva direto quase até a Ponte da Amizade. No entanto uma experiência muito interessante é visitar o centro de compras próximo a ponte. Lá você encontra de tudo com preço muito bom. Só deve tomar cuidado para não ser enrolado pelos vendedores paraguaios, afinal, por lá, vale aquela velha história: “La Garantia Soy Yo”.

Foz do Iguaçu – Na cidade temos pelo menos três passeios imperdíveis:

1 – Cataratas: Não tem igual. Podem até tentar, mas já visitei as Cataratas do Niagara, nos Estados Unidos/Canadá, e os Saltos de Laje, no Chile, e realmente a nossa não tem comparação. Passar uma manhã, ou até mesmo um dia inteiro, no parque é um belo programa.


Cataratas de Foz do Iguaçu


2 – Itaipu: Eles oferecem um ônibus que roda todo o complexo para ver a grandeza da obra que é de “cair o queixo”. Fiquei impressionado quando descobri que o ritmo da sua construção no final da década de 70, início da década de 80, foi equivalente a construção de um prédio de 20 andares a cada 55 minutos. Algo surpreendente para a época.


Barragem de Itaipu


3 – Templo Budista: Esse na verdade eu só conheci na expedição seguinte, a “Prova de Fogo”. Por isso vou deixar para a próxima!!!

Terminamos aqui a minha primeira Expedição Solitária. Foram 31 dias e 7.250 Km muito especiais na minha vida e espero que você tenha gostado de dividir alguns desses momentos comigo. Caso queira conhecer mais sobre a viagem, adquira o livro "Na Rota do Vento" onde conto todos os detalhes. Para isso basta passar um e-mail para rodrigo@expedicoessolitarias.com.br.

Recebi algumas mensagens de pessoas perguntando sobre o motivo de ter mencionado no post anterior que jamais poderia imaginar que perderia a minha “Pequena”. Eu disse que contaria depois, mas vou deixar você curioso até o próximo texto, no qual também falarei sobre a expedição “Prova de Fogo”.

Um grande abraço e boas estradas!!!

Rodrigo Ventura

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PRIMEIRA EXPEDIÇÃO SOLITÁRIA

A primeira Expedição Solitária

Por Expedições Solitárias no dia 24/01/2007 às 14h03

"Começar é a parte mais importante de qualquer trabalho."
Platão (428-347 A.C., filósofo grego)

Muitos poderiam realizar mais se tivessem a simples coragem de começar. Idéias, sonhos, planos. Uma boa parte não se concretiza pela dificuldade que as pessoas têm em dar o primeiro passo e com isso a frustração é inevitável. Arrumam desculpas para si mesmos, justificando assim suas não-realizações. De uma coisa tenho certeza: jamais quero olhar para trás e perguntar " Por que não fiz isso?"

Mas você deve estar curioso para saber se aquela uma semana foi suficiente, certo? Esqueci de lembrar que, além de tudo, ainda tinha o trabalho, pois as férias não tinham chegado. Mas deu certo. Corri como um louco para arrumar tudo. Deixei a minha pequena “tinindo” e pronta para o batente, pronta para entrar na rota do vento.

Foram 31 dias muito especiais. Conheci pessoas maravilhosas, me emocionei diversas vezes e aprendi, aprendi grandes lições, como por exemplo, que você nunca deve utilizar lâmpadas incandescentes para secar roupas íntimas!!! (risos) Mas está tudo no livro Na Rota do Vento. E por falar nisso você já pediu o seu? É só passar um e-mail para rodrigo@expedicoessolitarias.com.br e garanto uma viagem inesquecível.

Esse foi o plano de viagem final:



Pontos que não posso deixar de mencionar e sugerir que, quando tiver uma chance, vá:



Morretes – Descer pela estrada Graciosa e parar em Morretes para comer o barreado do Madalozo. É obrigatório. O lugar é muito agradável, o preço justo, o atendimento é fantástico e o sabor inigualável. Quando for lá, diga para o Leleco (maitre) e o Nenê (garçom) que mandei um abraço pra eles.

Ilha do Mel – O lugar é mágico, mas vá sem compromisso e pronto para curtir a natureza. Fiquei em Brasília numa pousada chamada Pousadinha, simples, porém limpa e confortável. Sinta a energia da ilha - é fantástica - e não deixe de procurar o Nhô Jeca, uma lenda viva da Ilha do Mel que ninguém sabe ao certo sua verdadeira história.

Garopaba – Fiz grandes amigos nessa cidade. Iria passar apenas uma noite e acabei ficando quatro noites. Fui muito bem recebido pelos donos da pousada Marina, meu capitão Fraga e sua esposa Dona Dilza. Isso sem falar nos filhos, a Dani, o Demorvan e a Ivana, que tinha acabado de partir para a maior viagem de todas. A Ivana havia falecido há poucos meses em um acidente de carro na BR 101. Uma menina linda, de olhar angelical que cumpriu essa fase do seu processo de evolução.

Fiquei feliz ao ouvir da Dona Dilza que a Ivana havia me levado até eles e por aí já dá pra você imaginar como foram dias de muita emoção e aprendizado. Durante a minha estada tive o prazer de ajudar na inauguração do núcleo Ivana Fraga da Fundação Vida Urgente, uma fundação de prevenção a acidentes de trânsito. Fora tudo isso, a cidade é belíssima e as praias pra lá de convidativas.


Na foto - Dani, Demorvan e minha pequena


Serra do Rio do Rastro – Pode parecer loucura dizer que se deve conhecer uma estrada no meio de uma serra cheia de curvas de quase 360 graus, mas não é. A Serra do Rio do Rastro tem uma paisagem digna de hipnotizar você. Subir a serra bem devagar e parando nos mirantes é um ótimo passeio para um dia de sol.



Tem ainda Montevidéu, Buenos Aires, Ciudad Del Este (por incrível que pareça) e Foz do Iguaçu.


Mas esses eu deixo para a próxima vez...

Um grande abraço e boas estradas!!!

Rodrigo Ventura

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COMO TUDO COMEÇOU

Como tudo começou...

Por Expedições Solitárias no dia 19/01/2007 às 17h33

“Não devemos parar de explorar, e o fim de toda nossa exploração será chegar ao ponto de partida e ver o lugar pela primeira vez”.
T.S. Elliot (1888 – 1964, escritor e poeta britânico)

Gosto muito dessa frase. Acredito que mudamos, crescemos, evoluímos com cada experiência e com isso mudamos nossa forma de olhar, nossa forma de perceber o mundo. Cada Expedição Solitária traz uma nova lição, ou muitas lições, e acho que por isso acabei me viciando em viajar, conhecer pessoas e lugares.

Vou aproveitar e agradecer aos amigos pelos comentários do BLOG. Esse tipo de apoio é o maior combustível para os aventureiros solitários. Ahhhh, mas não posso também deixar de postar duas mensagens muito especiais que recebi de leitores do meu primeiro livro:

“É óbvio que devorei teu livro na noite de ontem e na manhã de hoje. Parei leituras importantes, pois comecei a ler e não deu pra tirar o pé do acelerador. Ler o teu livro dá vontade de chutar o balde de tudo e cair na estrada. Foi bom viajar contigo pela páginas do teu livro. Que venham mais!” Rodolfo Muanis

“Parabéns Rodrigo! Seu livro tem duas vertentes muito fortes que acabam por conquistar diferentes gostos: os aventureiros e os amantes de GENTE. Você comprova como o 'universo conspira a nosso favor' quando nosso desejo vem embalsamado de amor, de valores, de princípios nobres e, principalmente de respeito às pessoas. Comprova que o destino não é fatalidade, mas um encontro com aquilo que precisamos para nossa evolução, e o que faremos desses encontros é o determinante da nossa história de vida. Que a grande riqueza está no aprendizado com quem cruza nossos caminhos. Creio que as belas paisagens marcaram muito, mas as pessoas ainda mais. Esta foi a mensagem que retirei de Na Rota do Vento, daquele que conheci tão pouco, mas que lembrarei sempre, não só pela sua obstinação, mas pela força que tem para doar àqueles que o cercam.” Dani Lima


Depois de comentários como esses, preparem-se... Em breve lanço minha candidatura para a Academia Brasileira de Letras!!! heheh


Já me apresentei, já falei do livro, agora é hora de começar a contar um pouco das aventuras passadas para preparar o terreno para a nossa próxima Expedição Solitária.

As pessoas sempre me perguntam como isso começou. Na verdade sempre gostei de aventuras. Ficava fascinado a cada reportagem que via de aventureiros como Amyr Klink, Waldemar Niclevicz ou Família Shurmann, desses então sou fã de carteirinha, ainda mais quando li o último livro da Heloísa – Em Busca do Sonho.


Sonhava em algum dia fazer algo parecido, mas a princípio era só um sonho, um sonho muito distante da minha realidade e jamais poderia imaginar que minhas aventuras seriam em cima de duas rodas. Por incrível que possa parecer sempre morri de medo de motos. Fui criado ouvindo que era muito perigoso e, quando tinha uns 18 anos, peguei uma carona com uma tia em uma CB 400 e achei aquilo perigoso até demais.

O tempo foi passando e quando tinha uns 24 anos resolvi comprar aquela tal de scooter para fugir um pouco do trânsito do Rio. Não deu outra... Me apaixonei pelas duas rodas!!! Em menos de um ano vendi o carro e a scooter para comprar minha primeira moto, a minha “Pequena”, uma Honda Shadow 600cc Preta 2002, ainda nova, com apenas 18.000 Km rodados. Jamais poderia imaginar que a venderia, ou melhor, a perderia (mais isso eu conto depois), apenas dois anos depois com quase 50.000 Km rodados.

No primeiro ano foram viagens curtas como Angra, Paraty, Petrópolis... Mas em 2004 decidi fazer a primeira Expedição Solitária. A decisão foi tão rápida como o planejamento e a saída. A pergunta era: o que fazer em 30 dias de férias somados a dois feriados e uma folga, totalizando 40 entediantes dias? Argh, nem pensar...

Após cancelar a viagem “normal” que faria para o Canadá, para mais um “divertido” curso de inglês, tinha que decidir rápido o que fazer ao longo dos dias de ócio que se aproximavam. Faltando apenas uma semana para as tão sonhadas férias, decidi finalmente: Sair do Rio com minha “Pequena”, para um breve passeio até a capital do tango, Buenos Aires.

Tinha apenas uma semana para o planejamento: traçar rota, revisar moto, avisar, ou melhor, “convencer” a família e os amigos mais próximos de que tudo daria certo, arrumar malas...

Mas será que uma semana seria suficiente? Em breve você vai saber!!!

Um grande abraço e boas estradas,
Rodrigo Ventura

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QUEM É RODRIGO VENTURA

Rodrigo Ventura

Por Expedições Solitárias no dia 15/01/2007 às 21h56

Antes de começar a postar minhas aventuras, acho melhor me apresentar e falar um pouco sobre o que você encontrará nesse nosso espaço.

Me chamo Rodrigo Ventura, nasci em 09 de julho de 1978, na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente na maternidade da Praça XV com vista para a Baía da Guanabara, porta de entrada, ou de saída, da Cidade Maravilhosa.

Cresci no bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, onde tive uma infância modesta e sem regalias - o que fez com que aprendesse a valorizar as coisas simples da vida.

Gosto de dizer que sou um “radical zen” e, sempre buscando o equilíbrio, pratiquei Yoga. Interrompido pelas constantes viagens a trabalho, mantive o hábito de meditar diariamente, ou pelo menos quase, na busca pelo autoconhecimento. Também sou Reikiano e me considero um espiritualista, porém não um religioso. Não posso negar minha admiração pelo hinduismo, de onde busco grandes ensinamentos e palavras de conforto quando necessário.

Ah, como um apaixonado pela cidade do Rio de Janeiro, me formei em guia de turismo regional, nacional e em fotografia de natureza. Como esporte é uma outra grande paixão, sou competidor do Circuito Carioca de Trekking, pela equipe Os Primatas (www.osprimatas.com.br), campeã do segundo semestre de 2006, vice-campeã anual de 2006 e campeã do troféu “passo perfeito” de 2006. O Rally de Regularidade é um esporte ainda pouco conhecido no Brasil, mas tem crescido bastante. Caso você queira conhecer melhor, entre em www.trilhacarioca.com.br.

Meu pai diz que um homem tem três obrigações nessa vida:


*Plantar uma Árvore - Já plantei!!! Uma mangueira linda que fica em uma pequena praça na esquina da Rua da Passagem com Rua General Polidoro, em Botafogo, bairro da minha infância. Postei uma foto dela, mas me desculpem, o dia estava pra lá de nublado e a câmera foi a do celular mesmo.

*Escrever um Livro - Lancei o meu primeiro em dezembro de 2006 pela editora Letra Capital. Ainda não virou um best seller, mas acho que é questão de tempo (risos). Olha o release:

“Na Rota do Vento”

RODRIGO VENTURA relata de forma inovadora e envolvente as experiências vivenciadas ao longo de 31 dias de viagem, quando percorreu 7.250 km e cruzou, acompanhado apenas de sua moto, quatro países da América do Sul: Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai.

NA ROTA DO VENTO mostra ainda a situação de estradas, locais para se hospedar e restaurantes que oferecem sabores que não podem deixar de ser apreciados. Um grande admirador de pessoas e culturas, o autor consegue em alguns momentos arrancar sorrisos e, em outros, emocionar com sua narrativa. Prepare-se para entrar na estrada e viajar sem vontade de chegar ao final.


Caso você tenha interesse em adquirir, por favor envie uma mensagem para rodrigo@expedicoessolitarias.com.br

*Fazer um Filho – Chiiiiiiii, ainda falta esse...

Sou formado em Comunicação Social, mas me especializei em Recursos Humanos, área na qual atuei nos últimos seis anos. No dia 02 de janeiro de 2007 me desliguei da empresa onde ocupava o cargo de Gerente da Universidade Corporativa para ir em busca de um sonho. Em 2007 pretendo percorrer os 13 países da América do Sul no prazo de 12 meses acompanhado apenas da minha motocicleta em mais uma Expedição Solitária. E você está convidado a embarcar comigo nessa aventura através do nosso BLOG.

Aqui no BLOG você encontrará relatos, fotos da expedição e poderá viver cada momento dessa aventura sem sair de casa. Boa viagem...